Desencontros do amor

– Desculpe-me, não fique chateado, mas prefiro não responder.

– Tudo bem, eu entendo. Vou respeitar seu silêncio.

Talvez você já tenha vivido esse diálogo. Ou final de diálogo. Talvez não tenha sido desse jeito, mas um tanto parecido. Entretanto, quem já terminou uma conversa dessa forma sabe bem do que estou falando. O sentimento é de frustração. E para as duas partes. A primeira, por se dar conta de que não tem as palavras certas para responder; a segunda, por esperar por algo que possa tocá-lo ou acalmar o coração.

Quem ficou sem a resposta quase sempre buscava algo a mais. Talvez tenha dito palavras de carinho. Talvez tenha feito promessas. Talvez tenha dito “eu te amo”… Ou simples “palavras de um futuro bom”. Mas a outra pessoa não estava na mesma sintonia. Quem sabe por ainda ter dúvidas. Quem sabe por insegurança. Quem sabe por ter sido pega de surpresa e não querer magoar.

Às vezes, o silêncio é melhor que uma palavra mal falada. Mas, como somos alimentados por expectativas, ficar sem uma resposta quase sempre é decepcionante. 

Está implícita na frase “Tudo bem, eu entendo. Vou respeitar seu silêncio” o discurso:

– Eu entendo, mas será que não pra dizer alguma coisa? Eu preciso de suas palavras agora!!! Será que não pode dizer que concorda, que aceita, que será diferente, que vai mudar, que também gosta, que espera, que ama???

Do outro lado, quem optou pelo silêncio, no coração, reclama:

– Ele precisava dizer isto? Tinha que ser justo agora? Não quero magoar, mas o que vou dizer?

Esse tipo de diálogo nunca termina bem. Não estou falando de terminar em briga, desacordo ou algo do tipo. Não termina bem para o coração. Ninguém fica feliz. E, provavelmente, quem esperava por uma palavra – não qualquer palavra, é claro -, invariavelmente, pode aceitar o silêncio, mas vai se questionar:

– O que está errado? Onde errei? O que ainda preciso fazer?

Não tem jeito, caríssimos. A vida é mesmo assim. É feita de desencontros. O melhor mesmo é aceitá-la. Compreender que nem sempre teremos tudo que queremos. E que, no coração, ninguém manda. Nem no nosso nem do outro. E amanhã… Amanhã o sol pode voltar a brilhar, a vida pode voltar a sorrir.

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