Mudar: por que não eu?

Já notou que todo mundo defende a importância das mudanças, mas nunca assume que precisa mudar? Vez ou outra escrevo um texto sobre relacionamento, trabalho, educação etc e encontro alguém que diz:

– Ronaldo, adorei seu texto. Mandei pra fulano. Ele precisa ler o que você escreveu.

Dia desses, um sujeito encontrou um texto sobre os conflitos que nascem no relacionamento porque uma das partes implica com pequenas coisas. Tipo, as meias que não estão na ordem por cores como a mulher deixou. O casamento dele está em xeque. E por causa dessas “picuinhas”.

Ele pediu socorro. Queria saber o que fazer. E disse que a mulher precisava ler meu texto.

Claro, sempre fico honrado. Mas, fora desse contexto, acho graça na maneira como lidamos com os nossos defeitos. A gente nunca os reconhece. Quando admitimos, sustentamos que o outro tem que nos tolerar do jeito que somos. E se alguém precisa mudar, não somos nós.

Em palestras de motivação, por exemplo, é curioso notar que nos acotovelamos pra dizer:

– O sicrano tinha que ouvir isso. Ele é desse jeitinho.

É assim que somos. Gostamos das mudanças. Mas não em nós. É a namorada que precisa mudar, o marido, o filho, a nora, a sogra, o chefe… Eles sim.

Mas, sabe… Tenho aprendido que o universo nos devolve tudo na mesma medida. Quando mudamos, o mundo muda. Nossas ações geram reações. E quando damos às pessoas aquilo que esperamos delas, por vezes, somos recompensados. Mas nossas atitudes precisam ser sinceras. Não mediadas por interesses mesquinhos, baseados num processo de troca.

Não somos perfeitos. E nossa resistência em mudar, nosso desejo de que o outro mude e seja como gostaríamos, não melhora as coisas. Só perpetua um ambiente hostil, onde os problemas persistem e o que nos incomoda segue nos fazendo sofrer.

Portanto, por que não começarmos as mudanças por nós mesmos?

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4 comentários em “Mudar: por que não eu?

  1. As qualidades e os defeitos podem ser comparados a duas mochilas, que todos carregamos. As qualidades estão na frente e os defeitos nas costas.
    No caminho que percorremos é mais fácil ver a mochila nas costas dos outros. Mas, em nós, aquela que está na frente. É bom fazer uma faxina na mochila das costas periodicamente.

    Vou começar hoje uma faxina na minha…hehehehe…

    abraço mestre.

  2. Ronaldo, texto perfeito e que caiu como uma luva pra mim!

    Na verdade permita-me fazer um trocadilho com suas palavras: O Marcos (eu) precisa ler este texto.

    De fato minha vida está já passando por mudanças e garanto estou super feliz e elas estão sendo ótimas.

    Sou fã dos seus textos!

    Forte abraço

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