Quem é o outro pra mim?

O que eu espero dele?
O que busco nele?
Que função tem na minha vida?
Afinal, pra quê serve?

Talvez essa discussão seja um pouco negativa. Quem sabe, pessimista pelos questionamentos dos valores humanos. Entretanto, egoístas que somos, o outro quase sempre é objeto de nosso desejo se ocupa algum papel. Papel que nós projetamos e que o outro desempenha.

No post anterior, propus refletirmos sobre por que o outro é quem precisa mudar. Nunca reconhecemos que também carecemos de mudanças. E isto acontece porque nem sempre somos capazes de reconhecer que o mundo não gira em torno de nós.

O outro existe. O outro tem sentimentos. O outro é como nós. É um de nós.

Portanto, por que vejo no outro alguém que deva servir aos meus interesses?

É verdade que num planeta que superou os 7 bilhões de habitantes, posso me sentir no direito de me relacionar com pessoas com as quais simpatizo, com as quais tenho afinidades e os mesmos ideais.

Porém, não é assim que funciona. Quase sempre, nossas escolhas não se dão apenas por conta de simpatia, afinidades ou projetos. Escolhemos nos relacionar com aqueles que se prestam a atender as nossas necessidades.

Ao longo dos anos, aprendi no convívio com uma dessas pessoas raras, únicas, que as relações não devem se basear na utilidade. Não devo tratar bem apenas porque a pessoa me é útil.

Lembro de diálogos do tipo:
– Por que ele você trata bem? Não seria por que precisa ou vai precisar de um favor?

Ou ainda:
– Você notou que só dá atenção para as pessoas quando elas são importantes?

A gente faz isso. E com muita frequência. Usamos nossas habilidades para nos fazer queridos pelos que podem nos ajudar hoje ou amanhã. Ou quando queremos conquistar alguém. Depois da conquista, revelamos todas nossas contradições, mal humor, desapego… nosso egoísmo.

Sabe, tenho uma certa birra do tal de networking. A rede de contatos profissionais, por vezes, é baseada em relações falsas, hipócritas. O sujeito busca tornar-se próximo de pessoas tão somente pelas possibilidades profissionais que podem ser abertas a partir desses contatos. É algo necessário? Sim, mas, convenhamos, é a institucionalização da falsidade. Muita gente faz caras e bocas pra pessoas com as quais sequer trocaria uma única palavra não fossem as posições que ocupam. Trata-se de um jogo de interesses em que não há inocentes. Porém, não deixa de ser um “toma-lá-dá-cá”.

Não creio que deixaremos de ser assim. Faz parte da natureza da sociedade contemporânea. As relações são baseadas em interesses. No profissional e no afetivo. Porém, é uma pena que sejamos tão mesquinhos. Afinal, a grandeza do homem está justamente na capacidade de reconhecer no outro qualidades, virtudes e contradições também presentes em si mesmo.

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3 comentários em “Quem é o outro pra mim?

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