Derrota coloca em xeque vereadores da Comissão de Finanças e Orçamento

Depois de frustrar mais uma vez a sociedade maringaense, teremos nesta terça-feira uma nova sessão da Câmara de Vereadores. É difícil dizer que o assunto – salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice – está morto e enterrado. Este até pode ser o desejo da maioria dos parlamentares, principalmente daqueles que sustentaram os R$ 12 mil. Porém, creio que ainda há espaço para pressionar o Legislativo e pedir a redução dos subsídios. Porém, é preciso esquecer os valores defendidos por membros da Comissão de Finanças e Orçamento. Inclusive a demagogia da emenda de Paulo Soni e do discurso despropositado e utópico do Doutor Manoel Sobrinho. Salários de R$ 6,3 mil ou R$ 6,7 mil para os vereadores são uma grande bobagem. É querer “jogar pra galera”. Tentar enganar o eleitorado.

O Doutor Manoel, por exemplo, sustenta a tese que apenas está sendo coerente com o que sempre defendeu. Pode até ser. Mas tal atitude é ignorar a lógica política (da negociação, de ceder para avançar). É o mesmo que ser favorável à manutenção dos R$ 12 mil. Ele nunca vai conseguir aprovar R$ 6,3 mil, que era o subsídio dos vereadores até o ano passado. É falácia dizer que vai lutar, nem que seja no próximo mandato, para revogar a lei que, em novembro passado, aumentou os salários. O vereador sequer tem poder para isso (só a Comissão de Finanças e Orçamento tem tal condição).

E, convenhamos, se o Doutor Manoel ou qualquer outro vereador, que votou contra o projeto da Comissão de Finanças e Orçamento, estivesse muito interessado em tratar da questão (reduzir), poderia ter votado favorável e, nesta terça-feira, apresentar uma nova emenda. O regimento permite isso. Hoje, uma, duas, três… novas emendas poderiam ser analisadas e discutidas. E o projeto até poderia ser retirado da pauta para novas discussões entre os parlamentares a fim de se obter o tal consenso.

Uma coisa é certa: não há chance de passar qualquer proposta que reduza os salários dos vereadores para algo próximo de R$ 8 mil. O presidente Mário Hossokawa deu a dica na quinta-feira passada. Embora não tenha dito de maneira explícita, deixou nas entrelinhas: a Câmara pode voltar a tratar dos subsídios, mas o projeto terá de ser “coerente”, acordado entre todos os parlamentares.

O que seria uma proposta “coerente”?
– Subsídios iguais para vereadores e secretários;
– Subsídios entre R$ 9,4 e R$ 9,7 mil.

Quem, ano passado, se manifestou contra o aumento dos salários, talvez discorde desses “novos” patamares. Hoje, por exemplo, ouvi o presidente da OAB Maringá. Ele foi categórico: a entidade não aceita um salário superior a R$ 8 mil para os vereadores.

Alguém pode dizer: por que então não reduzir o dos secretários para R$ 8 mil a fim de pôr fim a alguns melindres dos parlamentares? Simples, todo mundo sabe que nenhum prefeito vai conseguir formar um secretariado pagando esses valores.

Ou seja, temos um impasse. E, ao que parece, só existe uma redução de subsídios que pode passar: a que tenha a “coerência” acima citada. Revogar a lei votada no ano passado também é impossível. A Comissão de Finanças e Orçamento até pode fazer a proposta, mas não passa no plenário.

Quer aumentar o drama? Esse projeto teria que ser apresentado pela Comissão de Finanças e Orçamento. É quase um “capricho” desses sete vereadores que rejeitaram os R$ 8 mil e mais do presidente levar a Comissão a “engolir” um subsídio maior. De certa forma, querem acuar, ensinar uma “lição”, impor uma derrota aos vereadores Dr. Sabóia, Belino Bravim e Humberto Henrique.

Não é difícil entender por quê. Os três capitalizaram politicamente com o projeto dos R$ 8 mil. Foram os mocinhos; os outros, os bandidos. Agora, com o projeto derrotado, o presidente foi rápido em colocá-los em evidência novamente. Só que sem chance de seguirem capitalizando politicamente.

Acompanhe o raciocínio:
– Se a Comissão não apresentar um novo projeto, os R$ 12 mil permanecem. E de quem será a responsabilidade? Dos três vereadores.
– Se a Comissão apresentar um projeto com valor entre R$ 9,4 mil e R$ 9,7 mil, o capital político da defesa dos R$ 8 mil também pode ir pro lixo.

Ou seja, é como meu pai dizia: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

O que vai acontecer? Difícil dizer. Nenhuma aposta é isenta de riscos.

Atualizado (em 24 de maio): Os vereadores optaram por tentar fazer algo além da proposta original da Comissão, aprovaram um subsídio de R$ 6,9. Veja post.

Anúncios

2 comentários em “Derrota coloca em xeque vereadores da Comissão de Finanças e Orçamento

  1. MORDEU A LÍNGUA HEIN RONALDO!

    “Inclusive a demagogia da emenda de Paulo Soni e do discurso despropositado e utópico do Doutor Manoel Sobrinho. Salários de R$ 6,3 mil ou R$ 6,7 mil para os vereadores são uma grande bobagem.”

    “Uma coisa é certa: não há chance de passar qualquer proposta que reduza os salários dos vereadores para algo próximo de R$ 8 mil.”

    1. isso prova o quanto a classe política é surpreendente. curiosamente, essa proposta só foi “construída” porque os vereadores não queriam permitir uma suposta vitória do petista humberto henrique. acho que o último texto que escrevi sobre o tema (todos perdemos) explica bem isso. abraço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s