Por que não dizer: fui eu?

A culpa é sempre do outro. Em tudo. Não queremos assumir; transferimos.

O copo quebrou? Ah… mas você deixou na beirada da mesa.
O arroz queimou? Mas foi você que me distraiu.
Eu me atrasei? O trânsito estava complicado.
Não paguei as contas deste mês? O problema é que o chefe cortou o pagamento das horas extras.

Temos desculpa pra tudo. É impressionante.

E o problema é histórico. Vem desde Adão e Eva. O tal do Adão comeu da fruta e culpou a Eva. Já a mulher não deixou por menos; disse que foi a serpente que a seduziu.

Sei que não é fácil dizer: fui eu. Não mesmo. Queremos preservar nossa imagem. E nossos erros nos revelam. Não aceitamos que o outro aponte nossas falhas. Nem nós mesmos as reconhecemos.

Governantes, por exemplo, disputam eleições com o discurso pronto: vão fazer transformações. Quando assumem, as frustrações na gestão nunca são responsabilidade deles; o problema está no governo anterior que “não fez a lição de casa direito”.

Poucos têm a dignidade ser assumir seus erros. Inclusive os mais simples. Caríssimos, a gente se constrange até de admitir que errou na escolha do corte de cabelos. Transferimos a culpa para o cabeleireiro. É mais fácil. Parece que reconhecer as falhas é dizer que somos frágeis, inferiores. Não deveria ser assim. Admitir um erro é mostrar-se humano. Igual. Seria mais honesto, revelaria grandeza de espírito e desejo de corrigir, tornar-se melhor.

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