Decisões adiadas

Por que sabemos o que é preciso fazer e não fazemos? Por que adiamos algumas decisões? Por que demoramos para colocá-las em prática?

Não é fácil decidir. Grandes decisões exigem esforço. Por vezes, nos desgastam. Entretanto, em alguns momentos, concluímos sobre o que fazer. Depois de avaliar prós e contras, de muitas noites mal dormidas, “resolvemos” o problema. Pelo menos, do ponto de vista subjetivo. Porém, segue-se um novo drama: colocar em prática. Sim, porque toda decisão implica numa ação. Não adiantar sua cabeça decidir se suas ações seguem as mesmas.

Você sabe que precisa dar um novo rumo pra sua vida, mas não dá. Sabe inclusive o que tem que ser feito, como tem que ser feito, mas não faz. E não faz por quê? Porque toda decisão tem um custo. Um preço a pagar. E temos a impressão que, adiando, as coisas vão se resolver por si mesmas e não precisaremos nos envolver.

É uma opção covarde, perigosa. E, lá dentro de nós, sabemos disso. Porém, preferimos a ilusão de ir levando, tocando a vida, imaginando que aquilo que já decidimos em nossa mente vai acontecer – como num passe de mágica – sem que tenhamos que enfrentar realmente o problema, encará-lo e aceitar a perda.

Decisões doem. Doem enquanto estamos no processo de reflexão, de elaboração; e talvez causem ainda mais dor quando as colocarmos em prática. Entretanto, não agir é conviver com os problemas. É aceitar como normal a sobrevivência. É aceitar como normal o não viver. E não dá pra abdicar da vida. Vida é pra ser vivida. Temos uma só. E é passageira. Rápida, curta demais pra perdermos tempo.

Transformar uma decisão em ação tem custo, como eu disse. Talvez muitas lágrimas. Perdas importantes. Mas, se já avaliamos e concluímos que é o melhor a fazer, não dá pra adiar. Como escrevi dias atrás, dor se deixa doer. Não podemos fugir. Entretanto, depois de agir, algo novo nos espera. E ainda trará consigo o prazer de voltar a viver.

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De gente boazinha demais, desconfie

Tenho medo de gente boazinha demais, gentil demais… Daquelas pessoas que sempre têm nos lábios um elogio, um sorriso, mesmo quando você sabe que não está merecendo.

Não se trata de uma regra, mas pessoas assim quase sempre são aduladoras de plantão. E todo adulador é um falso em potencial. Um amigo pronto para ser seu inimigo. Ou daqueles que te enchem de elogios, mas, longe de você, podem falar mal e até “puxar seu tapete”.

O mundo está cheio de gente assim. Infelizmente. Pode ser um companheiro de trabalho, um colega de faculdade ou mesmo alguém de sua família. Em geral, com o tempo, a máscara cai e você descobre que está diante de um “amigo da onça”.

O problema é que, carentes como somos, por vezes nos deixamos enganar. E por tempo suficiente para que o sujeito faça um tremendo estrago – emocional e, por vezes, até financeiro (se for alguém que atrapalha uma promoção no trabalho ou te tira um cliente etc).

Os aduladores de plantão quase sempre são movidos por dois sentimentos: inveja e insegurança. Por isso, conviver com gente assim é aceitar viver perigosamente. Afinal, invejosos quase sempre querem o que é seu e, se não podem ter, vão desejar que você também não tenha. E os inseguros, além de não aceitarem que você consiga certas coisas e eles não, necessitam provar que você também é tão frágil quanto eles.

Por isso, todo elogio, toda gentileza pode esconder uma certa hostilidade.

Como a gente gosta de ouvir palavras bonitas, gestos “nobres”, somos todos candidatos a vítimas dessa categoria de pessoas. Não existem muitos mecanismos preventivos. Até porque, se nos protegermos de todo mundo que se aproxima, vamos viver numa ilha. E gente precisa de gentes. Somos seres sociais, sociáveis. Entretanto, um pouquinho de prudência e de desconfiança não faz mal a ninguém. Como dizia minha mãe: “tudo que é demais, sobra”. Então, de pessoas boazinhas demais, que nunca te criticam, desconfie.

A escolha da profissão: nem pais nem dinheiro podem ser determinantes

Não tive muitas dificuldades para escolher a profissão. Desde garoto, queria ser professor. Não importava se de Matemática, História ou Geografia. Gostava de todas as disciplinas. Então, nunca sofri muito com isso. Depois, me descobri trabalhando com Contabilidade e, por hobby, numa emissora de rádio. Quando me dei conta, já estava completamente mergulhado com a Comunicação. E apaixonado por isso. Mas sempre querendo ser professor. Então, depois da faculdade e da especialização, juntei as duas paixões. Sem contar que trabalho em duas empresas que gosto e nas quais acredito. Por isso, sinto-me realizado.

Entretanto, como pai, acompanho com atenção cada movimento dos meus filhos em direção à profissão que vão escolher. Eles ainda não sabem o que querem. E eu, no máximo, tento mostrar as aptidões que possuem e as áreas que podem atuar. Entendo que minha interferência não pode ir além disso. Quero que ganhem dinheiro? Sim. Mas quero, principalmente, que sejam felizes naquilo que escolherem fazer.

Não é assim, porém, que pensam muitos pais. Conheço alguns jovens que cursam determinadas faculdades por escolha dos pais. Não foi por opção deles. Os pais, por acreditarem que sabem o que é melhor para os filhos, influenciaram, decidiram a carreira dos jovens. Um ato lamentável, pois, nesses casos, o risco de se frustrarem com a profissão é muito grande.

Filhos podem seguir a profissão dos pais. Mas apenas se admirarem o que os pais fazem e se apaixonarem pela atividade que desempenham. A profissão não está no DNA. Não é herança. Nem pode ser. A profissão é escolha. Uma escolha de vida, já que será a principal ocupação do sujeito durante quase todos os seus anos de existência.

Hoje, outro fator que motiva a decisão é a possibilidade de ganho financeiro. Entretanto, embora entenda que dinheiro é importante (ninguém quer pagar para trabalhar), esse não pode ser o elemento motivador. Algumas profissões causam deslumbramento pelo status, pelo poder. Mas o exercício eficaz de uma determinada atividade passa pelo comprometimento. Não é pela possibilidade de renda, mas sim pelo prazer pessoal que pode obter.

Por fim, mais que qualquer outra coisa, há necessidade de identificação. Cada pessoa reúne determinadas aptidões, gostos pessoais, características de personalidade. E as profissões também reclamam certas habilidades. O sujeito que não gosta das ciências exatas, por exemplo, vai ter dificuldade para fazer Arquitetura – por mais que seja um exímio desenhista. Quem não gosta de ler e escrever, não pode fazer Jornalismo. E por aí vai.

Todas essas questões nem sempre estão ao alcance da molecada de 15, 16, 17 anos – idade em que são obrigados a optarem por um curso universitário. Por isso, torna-se fundamental que a família seja madura pra ajudar. Uma orientação profissional também pode fazer a diferença. O que o adolescente e o jovem não podem fazer é escolher às escuras. Se não levarem isso em conta, a chance de se arrependerem é muito grande.

Coca-cola e o veneno nosso de cada dia

Não sei se pra todo mundo, mas pelo menos pra mim esta notícia chamou a atenção:

Coca-Cola no Brasil tem substância suspeita de causar câncer

Eu gosto de Coca. Não sou daqueles que tomam todos os dias. Na verdade, nem todas as semanas. Entretanto, gosto de Coca e de outros refrigerantes. Mas me incomodou a informação de que o corante da bebida tem substâncias cancerígenas. E, detalhe, não adianta trocar a Coca pela Pepsi. Ambas têm o mesmo fornecedor do corante de caramelo que contém a tal química “venenosa”.

Mas, apesar de saber disso, sei que deixar de tomar a bebida não vai resolver muito o problema. Na verdade, todo produto que contém alguma química – e isso vale até para o pãozinho que a gente compra na padaria – traz consigo algum tipo de prejuízo para a saúde.

Na verdade, tenho a impressão que parte da epidemia de câncer, hipertensão e outras doenças que a sociedade enfrenta nesses últimos tem origem nos alimentos industrializados. É uma impressão. Mas é assim que me sinto todas as vezes que vou ao mercado, ao restaurante, lanchonete etc. Sempre acho que a comida da mesa é o “veneno nosso de cada dia”. E nem adianta correr muito. Se a gente foge dos industrializados e vai para as frutas, verduras etc, consome-se outro tipo de veneno, aqueles que vêm nos agrotóxicos.

Sinceramente, acho que morremos um pouco cada vez que comemos.

Manual dos relacionamentos: pena que não existem

Hoje, quando acordei, uma das primeiras coisas que vi foi uma pequena revista. Capa simples, poucas folhas, mas um título interessante: “Manual de etiqueta”. Foi impossível não esboçar um sorriso. Pensei em outros tantos manuais… Afinal, hoje tem de tudo. De manual que orienta sobre como vestir-se, comportar-se no emprego até manuais para satisfazer sexualmente o parceiro. Não sei se funcionam, mas prometem ajudar.

Entretanto, eu queria mesmo um manual para entender as pessoas. Sim, porque gente é bicho esquisito. Por mais previsível que seja a pessoa, sempre poderá nos surpreender. Não há uma regra do tipo: se você fizer isso, ela vai responder aquilo. Na verdade, a mesma piada que provoca risos em alguns causa irritação ou indignação em outros. É assim que funciona.

Acontece que isso fragiliza os relacionamentos. Na verdade, é tudo muito louco, porque, mais que a personalidade, algumas pessoas também mudam suas reações de acordo com o humor.

Tem gente que parece se irritar só pelo fato de você chegar perto. Mas, se não estiver ali, também se irrita. Vai entender!?

Não seria mais fácil se existisse um manual? De preferência, personalizado. Você estuda o manual e tem menos chance de fazer bobagem. Todo mundo fica feliz, o relacionamento funciona… E a vida segue na boa.

Mas não é assim, né? Diferente dos equipamentos, que são operados por agentes externos, pessoas são movidas por suas próprias vontades. Ou seja, não dá para ter manual. E nem adiantaria ter, porque se vivêssemos na tentativa de agradar o outro, nos tornaríamos reféns dele e passaríamos a negar a nós mesmos.

Manuais de relacionamentos não existem, pois somos seres livres. Livres, inclusive, para escolhermos – ou não – controlar nossas emoções. E essa liberdade nos permite mergulhar em nosso interior a fim de nos conhecermos, aprendendo a nos conter, a trabalhar aquilo que incomoda o outro e a nós mesmos. Isso significa que gente que parece pronta pra explodir também pode e deve ser amada, mas nem sempre o problema de não agradarmos está conosco.

É assustador quando decidem que não gostam de você

A frase não é minha. É da cantora Lana Del Rey. Ela resume a frustração de uma artista que trabalha duro na construção de uma carreira, na composição de suas músicas, mas, vez ou outra, encontra gente que simplesmente diz: “não gosto dela”. São pessoas que julgam pela aparência, por um contato mais superficial, sem entender sua arte e, principalmente, sem conhecê-la.

Sabe, o texto aqui não é para fazer uma defesa de Lana. Nem para criticá-la. A proposta é refletir sobre alguns de nossos hábitos. O primeiro, o nosso desejo de ser aprovados. O segundo, nossos julgamentos instintivos.

O sentimento da cantora permitiria uma análise mais ampla. Porém, vamos parar nessas duas questões.

Nos movemos em virtude do outro. Somos carentes de afeto. Queremos ser aprovados. Embora alguns vivam um tanto descolados do mundo e se sintam acima dos demais, desejamos ser notados. Sentimos necessidade de ser queridos, amados.

Por outro lado, também temos o hábito de avaliar superficialmente as pessoas. Tão logo encontramos alguém, antes mesmo de conhecer, já dizemos: “gostei daquela mulher. É tão simpática”. Ou: “não gostei dela. Que pessoa arrogante!”.

Fazemos isso sem nenhuma experiência mais profunda. E ainda nos achamos no direito de dizer: “eu não me engano. Não costumo errar”. Por conta disso, por vezes, nos afastamos e perdemos a chance de conhecer aquela pessoa. Talvez até de ter um belo relacionamento com alguém que descobriríamos ser muito interessante. Porém, ao julgar, bloqueamos, nos fechamos para o outro.

Lana sente-se frustrada porque deseja que as pessoas conheçam o trabalho dela antes de julgá-la. É uma artista. Quer ser querida, ser aplaudida, amada. Mas, antes disso, não quer ser rejeitada. Ninguém quer. Porém, na mesma medida que esse é um desejo intrínseco ao homem, também criamos rótulos e, de maneira superficial, achamos ter o direito de decidir o que é a pessoa, sem ao menos dar a chance dela se mostrar a nós.

É curiosa essa contradição: somos carentes do outro, mas, ao mesmo tempo, quando é nossa hora de demonstrar afeto, preferimos avaliar, classificar as pessoas pela aparência, pela postura, por gestos e expressões.

Tudo bem que a sua vida é sua e você faz suas escolhas. Mas… não dá pra decidir assim. Simplesmente, decidir não gostar. Gente é gente.

Não é bom ser rejeitado. E não há nada que incomode mais que ser julgado por coisas que você não é ou não fez. Quem sabe, as relações seriam mais fáceis se nos desarmássemos diante das pessoas, tentando conhecê-las e compreendê-las. Quem sabe separaríamos o que são as pessoas e o que são suas idéias, pois as pessoas nem sempre são suas bandeiras. A convivência seria mais produtiva e as descobertas, mais ricas.

Na segunda, uma música

Não é a primeira vez que compartilho por aqui Colbie Caillat. A cantora americana já apareceu por aqui com uma das músicas que mais gosto, Bubbly. Depois que ouvi Colbie pela primeira vez, acho que todas as semanas ouço pelo menos uma de suas músicas. São sempre agradáveis; por vezes, contagiantes.

A canção de hoje, Brighter Than The Sun, faz parte dessa lista. A gente ouve e gosta. E, mais que o ritmo e a bela melodia, a música ainda fala de sentimentos com intensidade e graça.

Encontrei esse amor e fiquei indefesa
É melhor você acreditar, eu vou tratá-lo
Melhor do que qualquer coisa que eu já tive

E continua:

Estou com a cabeça longe
Pensando no “felizes para sempre”
Nunca me senti assim antes

A descoberta do amor, o início de um romance são coisas lindas de ver e viver. É o tipo de coisa que faz a gente acreditar que a vida vale a pena. É verdade que o amor faz doer… Mas se faz sofrer, também faz sorrir, cantar, dançar… Que sentimento pode ser mais poderoso?

É assim que começa
Um raio atinge o coração
Explode como uma arma
Mais brilhante do que o sol

Vamos ouvir?

Salve Juliana, a nossa Gabriela

Por que a Juliana Paes tem quer ser a Sônia Braga? Ou… comparada com a Sônia? Existe só uma Gabriela? Essa falação toda é por que Jorge Amado disse que a Sônia da tevê era a perfeita tradução da Gabriela da literatura?

Ah… convenhamos.

Olha, estou pouco ligando pra Gabriela de hoje. Ou a de ontem. Não vou assistir. Nem assisti (não tinha idade pra isso. Nasci naquele ano). O que pretendo propor aqui é apenas refletir sobre essas baboseiras que ficam sendo discutidas na imprensa por conta de Sônia Braga e Juliana Paes.

Sinceramente, tenho pena da Juliana. Ela é atriz. Foi escalada pro papel. Pronto. Está fazendo o trabalho dela. E bem feito. Os anos são outros, a tevê é outra. Ela é a Gabriela de 2012. Sônia foi a Gabriela de 1975. E a do filme de Bruno de Barreto, em 1983.

Sônia é melhor atriz que Juliana? Talvez. Mas e daí? Quem deveria ser a Gabriela do remake de Walcyr Carrasco? Qualquer uma que fosse escalada pra interpretar a personagem de Jorge Amado não seria a Sônia. E por um motivo: a Sônia é a Sônia. As pessoas são únicas. Levam sua beleza, suas características e até personalidade para os personagens.

A Gabriela da Sônia não é a Gabriela da Juliana. Melhor ou pior? Provavelmente, nem uma coisa nem outra. Como a novela de 1975 não é a mesma de 2012. O contexto social, político, econômico e cultural é distinto. A paixão do público pela obra, também.

E mais que isso. Numa sociedade tradicional, repressora, onde sexo era um grande tabu, Gabriela era a tradução do enfretamento, da sensualidade, da liberdade sexual… quem sabe até da libidinagem. E Coube à Sônia Braga interpretar Gabriela.

Hoje, corpos nus, sedução, malícia, sexo… nada disso é novidade na tevê, no cinema. Nem na sociedade. Outras tantas Gabrielas existem em nossos dias. É verdade que sem a beleza simples e ao mesmo tempo complexa da personagem literária.

A Juliana é contemporânea dessa realidade. A nossa. A atual. A Gabriela do Jorge Amado representa o anseio de liberdade do autor baiano. A Gabriela que está na telinha em 2012 já não faz sentindo como personagem que se contrapõem a uma realidade social. O aqui e agora é outro. Não é a de Jorge. A Gabriela de hoje é beleza estética, é libido, é homenagem e reconhecimento ao talento de um escritor. É aplauso a uma grande obra da literatura. Mas não muito que isso. Então, salve Juliana – a Gabriela de nossos dias.