A escolha por sobreviver as tempestades ainda é nossa

Nunca sei reagir diante de alguém que acabou de sofrer uma decepção. O sentimento é de impotência. Falar ou não falar? Tenho impressão que, se abrir a boca, vou piorar a situação. A pessoa está ali, diante de mim, derrotada, parece esperar por algo que a surpreenda e devolva seu sorriso… E eu… Eu não sei o que fazer.

Tem gente que parece sempre ter um conselho, uma palavra. Eu não tenho. Confesso que até tento. Tento porque me importo, porque sei o que decepções significam e porque, por vezes, vejo além do que a própria pessoa consegue enxergar naquele momento. Afinal, quem está de fora, não sente o que o outro sente, mas talvez consiga vislumbrar outros horizontes. Ainda assim, reconheço que nenhuma frase vai encontrar eco no coração triste.

Sabe, uma das coisas mais belas que a vida nos ensina é que nada é para sempre. Nem a própria existência. Isso significa que a derrota de hoje é só uma derrota. A decepção de hoje é só uma decepção. Não é duas, três… Não!!! Não representa uma vida de fracassos, tropeços, insucessos.

É claro que, no calor daquele “não” que as circunstâncias nos oferecem, não conseguimos reconhecer algo bom em nós. Nos sentimos o “pior dos seres humanos”. Ficamos como que repetindo um mantra: “eu não presto. Eu não consigo. Eu nunca vou saber fazer isso. Eu não vou acertar. As pessoas sempre vão preferir o trabalho da fulana… Eu sou assim mesmo”.

É assim que funciona. Quando não dá certo, nos afundamos. E é natural. Faz parte de nossa natureza. Queremos o topo, mas, quando não o alcançamos, só conseguimos ver o que há de pior em nós. Esquecemos os dias de glória e nossos pensamentos viajam pelas inúmeras lembranças de coisas que não deram certo.

Sinceramente, não gosto de manuais de auto-ajuda. Entretanto, tenho aprendido que precisamos colocar as coisas no devido lugar. Pessoas bem-sucedidas não estão livres de fracassos. Já experimentaram derrotas, mas deram a volta por cima. Elas conseguiram entender que nem todas as portas estarão abertas. Vamos ouvir muitos “não”. Vamos ouvir que não somos capazes. Por vezes, ficaremos de fora da lista dos melhores. Não seremos escolhidos. Seremos dispensados, rejeitados, substituídos… Entretanto, ainda assim, as decepções nunca dirão quem somos.

Por isso, quando a derrota vier, chore, sofra o luto, mas não permita que as decepções digam quem você é. Você é o que você quiser ser. Levante-se, aprenda com a dor, amadureça, cresça. A escolha por sobreviver as tempestades ainda é nossa.

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6 comentários em “A escolha por sobreviver as tempestades ainda é nossa

  1. Texto maravilhoso!!
    As derrotas não nos definem, deveriam nos impulsionar para sermos melhores a cada dia e nos tornar capazes de tornar a frustração em energia para futuras conquistas…
    Olha aí, você sabe sim o que dizer pra alguém que está sofrendo!!

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