Relacionamentos são imperfeitos

Não há relações perfeitas. Relacionamentos perfeitos silenciam insatisfações. São apenas fachada. Sempre haverá diferenças e desejos não realizados.

O par perfeito não existe. Existe sim alguém com disposição para nos amar, apesar de nossos defeitos. Mas nunca haverá aquela pessoa que vai nos completar. Quando nos falta alguma coisa, a falta está em nós. Não será preenchida pelo outro.

Quase sempre, as decepções amorosas acontecem porque projetamos um modelo de relacionamento. Criamos uma imagem do marido perfeito, da mulher perfeita, da namorada ideal, no príncipe encantado. E, nos primeiros meses, ainda no período da conquista, ele até pode existir. Entretanto, o tempo traz à tona os conflitos e os “defeitos” se tornam evidentes, incomodando, magoando e, por vezes, fazendo desejar um outro alguém.

Talvez seja essa a principal razão das separações: nos decepcionamos com a pessoa amada. Ela não atende nossas expectativas.

A pergunta que esquecemos de fazer é: o problema está no outro ou está em mim?

Nunca nada e nem ninguém vai corresponder plenamente aos nossos desejos.

Boa parte dos desencontros amorosos seriam resolvidos se admitíssemos isso. Amamos, queremos ser amados, mas o outro é outro e também tem suas vontades. Ele não está na relação para nos servir. Está para dividir. E dividir significa partilhar, ceder, negociar…

A gente desenha o amor de nossa vida como aquele que vai te dar um abraço quando você estiver num dia péssimo. Acontece que ele também pode ter tido um dia ruim e estar com um péssimo humor.

Ela está lá querendo falar da mãe, da tia, das primas, do chefe, da faculdade e tudo que você quer é ir pra cama e fazer amor até amanhecer.

Você espera que em todo aniversário do primeiro beijo, do namoro, do casamento ele te surpreenda com um presente. Ele nem lembra de dizer: eu te amo.

E a lista de desencontros vai longe…

Às vezes, você encontra a mulher perfeita na cama: está sempre louca de desejo, pronta para o sexo. Porém, ao levar a parceira dos sonhos pra casa, não imaginava que junto estava uma ciumenta desvairada, pronta para fazer barraco na sua primeira olhadela para a mesa ao lado no restaurante. Muito menos que ela brigaria com sua mãe todas as vezes que se encontrarem.

Quando isso ocorre, uma parte da expectativa é frustrada. E o relacionamento entra em xeque. Alguns não resistem e preferem encontrar outra parceira. Talvez nela identifiquem a mulher mais gentil do mundo, porém, o sexo vai rolar uma vez por semana e olhe lá…

Não, essas não são características comuns das “calminhas” nem das “barraqueiras”. São apenas situações conhecidas nos relacionamentos e que evidenciam o óbvio: você nunca vai encontrar alguém com o “kit completo”. E o motivo é simples. Gente é gente. Não existe a “tampa da panela”.

Na vida, encontramos alguém que pode nos fazer bem, mas para a qual não podemos transferir a responsabilidade de nos fazer feliz. Seria exigir demais da pessoa. E relações que se baseiam na necessidade de que o outro seja aquele que completa estão condenadas a se frustrarem. Refletem egoísmo, nunca doação, amor verdadeiro.

Amores são imperfeitos. Mas podem ser vividos por quem se dispõe a ver o outro com os olhos do coração.

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Na segunda, uma música

Sentimentos são estranhos. Por vezes, parecem mais que fortes do que nós. Consomem-nos. Arrebatam os sonhos, os desejos, as vontades. Em alguns momentos, nossa vida é ocupada por um outro alguém. E essa pessoa parece ser nossa razão de existir. Deixamos de pensar em nós; a pessoa amada é quem ocupa o centro de nossa vida. Você deita e acorda pensando nela. Quando o telefone toca, já suspira e imagina: seria ela? Tudo faz lembrá-la. Não importa a música, a poesia… sempre dizem coisas do coração.

A dor da ausência, a distância, as impossibilidades incomodam. E a razão reclama a necessidade de retomar o controle, voltar a ser você. Mas o outro parece estar em toda parte, ocupando cada pequeno espaço, até as próprias células. Os desejos são contraditórios, ambíguos. A vontade de se libertar confunde-se com o desejo intenso de estar junto, as carências, o sentido de que o outro é quem nos dá o chão, tudo aquilo que precisamos.

É sobre isso que canta Sara Bareilles. Ela já esteve aqui noutra segunda-feira. Hoje, volto a compartilhar uma música desta americana talentosa. Desta vez, Gravity. Vamos ouvir?