Ser feliz na relação não é sorte, é escolha

Quando o assunto é relacionamento tem sempre alguém querendo “meter a colher”. Principalmente, nas crises. O que não falta é gente disposta a dar palpites. Todo mundo sabe o que os outros devem fazer, só não sabe muito bem o que fazer para o seu romance dar certo.

Em linhas gerais, diria que não é simples resumir os motivo de os relacionamentos acabarem. Há tantos motivos, tantas coisas que acontecem na vida a dois que, creio, nunca darei conta de construir um “manual”. Ninguém vai conseguir. Nem os melhores terapeutas ou especialistas do tema.

E por uma única razão: somos únicos. Sim, eu sou diferente de você; você é diferente de mim… Temos nossas próprias características e, quando estamos juntos, criamos um núcleo reunindo tudo que temos de bom e ruim. Se a relação acaba, a nova pessoa com a qual vamos nos envolver motivará uma dinâmica completamente nova, surpreendente. E ainda tenhamos aprendido que erros evitar, esse aprendizado terá como base a relação anterior. Por isso, o conhecimento de uma situação não garante sabedoria para impedir outros desencontros.

Quando analisamos esses conflitos a certa distância, chega a ser engraçado. Por exemplo, às vezes, um casal briga. O homem, achando estar com a razão, faz-se de durão e fica na dele, quieto; a mulher se arrepende de tudo que disse e corre atrás do sujeito para fazer as pazes. Num outro relacionamento, a mesma briga pode não terminar se ele deixar de procurá-la para dizer:

– Por favor, não fique longe. Preciso de você. Me desculpe, vamos tentar ficar bem…

Situações semelhantes, mas que revelam que não existe uma regra.

Não dá para o macho aconselhar o colega:

– Faz tal coisa, porque ela vai vir atrás.

Camarada, talvez a sua garota até tenha o hábito de vir atrás. A outra não tem.

Pra uma pessoa, você age de um jeito e obtém uma determinada reação; pra outra, uma reação completamente distinta, inesperada. E isso acontece porque somos únicos. Ninguém é igual, como disse.

Por isso, entender os desencontros dos relacionamentos é fundamental; essa compreensão nos ajuda a evitar idealizações, romper com o egoísmo, ter atitudes de respeito, carinho, tolerância, aceitação. No entanto, só tem uma forma de fazer o amor dar certo: desejar profundamente que dê certo. Quando a gente quer que dê certo, a gente trabalha pra isso – gasta tempo, energia, dinheiro; pensa estratégias, reavalia as ações, busca “ler” o outro.

Sem esforço, não funciona. É como jogar a semente na terra e esperar que ali brote uma árvore sadia, cheia de energia e frutos. Ser feliz na relação não é sorte, é escolha.

Anúncios

Camelôs revelam omissão do poder público e ignorância da população

Veio em boa hora a manchete de O Diário:

Invasão de informais

O jornal retrata um problema que tenho discutido no twitter com bastante frequência. Maringá está sendo tomado por ambulantes. A cidade até tempos atrás se orgulhava de ter controle sobre esse comércio informal. Porém, de uns tempos pra cá, não apenas os vendedores de CDs e DVDs piratas atuam livremente. Tem gente vendendo roupas, utensílios domésticos, brinquedos, panos de prato e mais uma série de itens.

E o poder público é omisso. Faz vistas grossas, principalmente por ser ano eleitoral. O problema é que, enquanto as eleições não passam, as ruas vão sendo tomadas pelos camelôs. O Diário aponta que, em poucas quadras, flagrou 20 informais na tarde dessa segunda-feira.

Se a prefeitura nada faz para tirá-los das ruas, a população também não se incomoda. Pelo contrário. Consome nesse comércio ilegal e ainda o aprova. Quase sempre com aquela justificativa bem senso comum:

– É melhor estar trabalhando do que não ter o que fazer e roubar.

Mais que ser senso comum, é uma visão simplista, rasa, tola, desprovida de razão. Revela ingenuidade, ignorância. 

Esse tipo de argumento não se sustenta. Primeiro, porque não dá para dizer “é melhor estar trabalhando”, pois há ofertas de emprego no mercado formal. Com carteira assinada, salário no fim do mês, benefícios trabalhistas… O sujeito está trabalhando nas ruas não é por falta de vagas, por vivermos uma escassez de oportunidades de emprego. Teve uma época que isso até se justificava. A pessoa se obrigava a assumir um jeito marginal de “ganhar a vida”. Hoje, porém, faz isso por opção, com a conivência do poder público e apoio dos ignorantes, por ser mais cômodo, mais fácil. O camarada prefere o dinheiro fácil e cria um problema social que muita gente parece ignorar.

O comércio ilegal não paga impostos, afeta o comércio legal, rouba empregos formais, alimenta o crime. Além disso, gente que trabalha na informalidade não tem assistência da Previdência Social, amparo em caso de acidentes, muito menos garantia de aposentadoria, gerando futuras demandas para o poder público. Ou seja, para mim e para você que, hoje, recolhe INSS, paga Imposto de Renda, ISSQN etc etc. Quem paga e sempre vai pagar essa conta é quem trabalha certinho, faz as coisas direito. Pena que alguns parecem não ver isso.