O contrato da relação

Tempos atrás descobri uma forma nova de conceituar as expectativas que temos para os nossos relacionamentos. Relacionamentos são firmados por meio de um contrato. Não, não é um contrato de papel (até poderia ser, sabia? Facilitaria as coisas).

Esse contrato imaginário, porém bastante real, reúne o que temos disposição em fazer pelo outro e o que esperamos do outro. Tipo, no namoro, estou disposto a levá-la para casa todos os dias – vou pegá-la no emprego, na faculdade… ando 50 quilômetros, mas “tô dentro”; no casamento, quero que ele nunca esqueça a data do primeiro beijo e sempre me ligue quando for atrasar. E por aí vai.

No contrato, estão as nossas expectativas e disposições. O que nos dispomos a fazer. O que queremos que o outro faça por nós.

A coisa funciona bem quando as duas partes sabem o que “rege” esse contrato. Acontece que, como não tem nada no papel, quase sempre não verbalizamos o que esperamos da pessoa amada e não deixamos claro: “isso eu não faço”.

Este é o primeiro motivo de conflito no relacionamento. Quando as partes desconhecem todos os pontos do contrato, surgem desentendimentos. Ele espera que todo fim de semana ela não se incomode com seu joguinho de futebol e a cervejinha com os amigos. Ela conta que, agora que estão juntos, ele desista da bola e a acompanhe ao shopping para as compras ou a leve para passear.

Se as “regras” não estiverem claras e devidamente negociadas, vai dar problema.

O segundo motivo de conflito no contrato é quando uma das partes resolve mudá-lo de uma hora para outra sem dialogar bem com o parceiro. Isso geralmente ocorre nas relações mais antigas. Por exemplo, depois de alguns anos juntos, ela chega e diz:

– Quero passar um ano nos Estados Unidos para estudar inglês. Surgiu uma oportunidade, estou indo e casamos quando eu voltar.

Pronto, é confusão certa. O sujeito pode até ser muito compreensivo e, por fim, apoiá-la, mas, num primeiro momento, vai tirar o chão dele. O camarada vai ficar perdidão e demorar um pouco para colocar a cabeça no lugar e aceitar a novidade.

Sabe, embora essa “coisa do contrato” pareça balela, não é. Um palestrante que conheço costuma dizer que, antes de pegar firme na relação, o casal deveria gravar um vídeo no qual, individualmente, cada um dissesse tudo que espera do outro. Acho que é isso. Não precisa do vídeo, mas dizer o que gosta, o que não gosta, o que quer fazer, o que não quer… evitaria muitos desentendimentos. Claro, sempre uma coisinha ou outra vão surgir pelo caminho. Porém, garantiria uma relação mais tranquila. É uma pena que poucos casais tenham essa disposição. Falta um pouquinho de maturidade. Temos o hábito de achar que o outro deve saber… deve imaginar. Mas não é assim. O óbvio pra mim pode não ser tão óbvio pro outro. Então, que tal deixar mais claro esse contrato?

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7 comentários em “O contrato da relação

  1. Ainda hoje discutia sobre este assunto com meu amigo. Muito bom!
    Gostei da forma que expõe seus pensamentos/pontos de vista. Mas, melhor mesmo seria, se todos (ao entrarem em seus relacionamentos), soubessem da importância de entender este “contrato”.

  2. Muito bom seu texto Ronaldo, creio que quando namoramos a melhor maneira de fazer este contrato ser bom para as partes é habilidade de uma boa conversa, esquecer que somos adultos e ter um coração de criança falar o que pensa e sente sem complicações.

    Depois que crescemos complicamos as coisas e se a habilidade de conversar não foi desenvolvida no namoro por exemplo a chance de uma quebra de contrato é muito grande.

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