Os seios são armas de protesto?


Enquanto navegava por sites de notícias, encontrei um título que me chamou a atenção:

O seio não é um objeto sexual. É uma arma de protesto

A frase é de uma brasileira. Ela tem 19 anos. Sara Winter, sobrenome fictício, é a autora. Ela falou à Revista Veja sobre os protestos de topless que reúnem mulheres em várias partes do mundo. A jovem pertence ao Femen, grupo da Ucrânia que se caracteriza por esse tipo de manifestos.

Acho que não consigo acompanhar a lógica de Sara. Não vou resumir como “pouca vergonha”. Não, não penso assim. Mas não me parece que os seios são armas de protestos. Na verdade, tirando o efeito de marketing, não creio que sobra muita coisa desse tipo de atitude.

Dias atrás, publiquei aqui um texto sobre o fato de julgarmos as pessoas pelas (poucas) roupas que vestem. Portanto, acho desnecessário qualquer tipo de discussão moralista sobre o assunto. Minha proposta é apenas refletir sobre o efeito de se mostrar os seios em protestos que visam discutir abuso contra mulheres, casos de agressão, machismo, turismo sexual até temas como meio ambiente ou corrupção na política.

É verdade que os seios atraem o olhar. Fazem a sociedade parar pra ver. E a mídia, obcecada por sexo, adora. No entanto, não percebo que as pessoas param para ouvir. Nem a mídia dá atenção ao discurso, apenas à forma. Alguns poucos do público são seduzidos e, por vezes, até aderem esses movimentos – como é o caso de Sara, que sequer sentiu-se confortável para contar aos pais que integra ao Femen. Outras pessoas, porém, apenas têm suas convicções preconceituosas alimentadas por tais atitudes e deixam, inclusive, de notar a seriedade e gravidade de muitas das bandeiras defendidas por esses grupos. Infelizmente, muito por conta de seios e corpos nus.

Não sei o que elas poderiam fazer. Não tenho uma receita, um formato, uma sugestão para os protestos. Esses grupos e manifestos possuem, inclusive, intelectuais entre seus membros. Talvez saibam bem o que estão fazendo e onde pretendem chegar. Mas, cá com meus botões, ainda não vi muitos efeitos. Tirando o olhar erótico lançado para esses protestos, ignoro os resultados práticos. Reconheço as lutas como fundamentais para a ruptura com problemas históricos que incomodam a sociedade. No entanto, seios e corpos exibidos em público ainda não me convenceram como arma ideológica. Fico com a impressão, mais uma vez, que apenas sustentam o discurso machista, de que mulheres se resumem a um corpo e usam-no como instrumento de sedução – mesmo quando brigam por direitos que nada tem a ver com cama e sexo.

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