Folha vai cobrar por notícias na rede: o conteúdo free estaria com os dias contados?

Sou fã do compartilhamento de conteúdos de graça. O mundo da rede é o mundo free. Livre. Livre para produzir e para consumir.

Reconheço que jornalões estão perdendo leitores e precisam encontrar formas de aumentar as receitas. Entretanto, não entendo que cobrar do público, como fará a Folha a partir dessa quinta-feira, 21, é a saída para melhorar o caixa.

Não vou apostar que a proposta não dará certo – afinal, os caras devem ter consultoria, pesquisa e tudo mais para decidirem por tal medida. Apenas digo o que vou fazer: vou ler as 10 notícias/mês de graça. As outras 10, com cadastro. E pronto. Vou fuçar noutros sites, nas redes sociais, mas não pagarei os R$ 29,90 para seguir lendo os textos da Folha. E sei que não deixarei de estar informado por abandonar a Folha.

O site terá mais colunistas, blogueiros, conteúdo ainda mais diversificado? Sim. Pelo menos é o que a Folha promete. Entretanto, para mim, o conceito de rede ainda é free, e com oferta de publicidade – como faz desde o princípio o Google e, mais recentemente, o Facebook.

Defendo que gente que produz seja remunerado. E não importa se é rádio, televisão, impresso ou internet. Porém, ainda não dou conta de pagar para ter acesso a conteúdo disponível na web. Acho que o caminho dos portais de notícias não deveria ser esse. Como tudo na internet ainda é um tanto experimental, vamos ver se a “novidade” da Folha cairá nas graças do leitor. Mas sem pagar pra ver.

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Caso da menina Beatriz: a morte da inocência

Eu queria ter algo pra dizer. Mas me sinto impotente. O que falar da morte de uma garotinha de 10 anos? Sim, Beatriz Silva Pacheco Gonçalves tinha apenas 10 anos. Apenas um ano mais nova que minha filha. Ela foi vítima de um desses maníacos que precisam se servir de crianças para aplacar seus desejos. Nessas horas, impossível não pensar em nossos filhos.

Não, um crime dessa natureza não é normal. É verdade que, no passado, quando a humanidade não reconhecia a infância, o sexo com crianças não era crime. Mas o desenvolvimento humano mudou isso. Felizmente. Entretanto, alguns sequer dão conta de respeitar uma norma moral. E dão vazão aos seus piores instintos. No caso da garota Beatriz, o sujeito abusou e ainda a matou, estrangulada.

Desde quando soube do desaparecimento da pequena, lembrei do caso Márcia Constantino. Mais uma vez, toda a crueldade humana materializada na violência contra uma criança indefesa.

Nessas horas, sentimos o quanto, como sociedade, ainda pouco fazer. É importante encontrar o criminoso. Encontrar e punir. Mas não adianta, como defendem alguns, pedir a pena de morte para psicopatas como esse sujeito (que ainda não foi identificado). Matá-lo não traz de volta a menina. Não pune. Na verdade, nenhuma pena compensa a perda de uma vida. A pequena Beatriz foi tirada da família. Esse maníaco impediu-a de crescer e ser alguém. Em seus 10 aninhos, ela apenas estava se descobrindo e descobrindo o mundo.

Talvez, como disse minha querida amiga e professora Eliane Maio, resta-nos pouco a fazer diante de crimes como esse. Deveriam, porém, servir de alerta para prepararmos nossas crianças, falarmos sobre o risco que correm. Discutirmos em casa e nas escolas os crimes de ordem sexual. E isso não é tirar a inocência de nossos pequenos. Pelo contrário, é mantê-los inocentes. O risco sempre vai existir, mas, educados – inclusive do ponto de vista da sexualidade -, nosso filhos ao menos saberão dizer “não” para ofertas de doces, brinquedos ou de R$ 10, como foi o caso da menina Beatriz. Saberão, inclusive, que seus corpinhos não estão disponíveis para o toque e satisfação dos adultos.