Salve Juliana, a nossa Gabriela

Por que a Juliana Paes tem quer ser a Sônia Braga? Ou… comparada com a Sônia? Existe só uma Gabriela? Essa falação toda é por que Jorge Amado disse que a Sônia da tevê era a perfeita tradução da Gabriela da literatura?

Ah… convenhamos.

Olha, estou pouco ligando pra Gabriela de hoje. Ou a de ontem. Não vou assistir. Nem assisti (não tinha idade pra isso. Nasci naquele ano). O que pretendo propor aqui é apenas refletir sobre essas baboseiras que ficam sendo discutidas na imprensa por conta de Sônia Braga e Juliana Paes.

Sinceramente, tenho pena da Juliana. Ela é atriz. Foi escalada pro papel. Pronto. Está fazendo o trabalho dela. E bem feito. Os anos são outros, a tevê é outra. Ela é a Gabriela de 2012. Sônia foi a Gabriela de 1975. E a do filme de Bruno de Barreto, em 1983.

Sônia é melhor atriz que Juliana? Talvez. Mas e daí? Quem deveria ser a Gabriela do remake de Walcyr Carrasco? Qualquer uma que fosse escalada pra interpretar a personagem de Jorge Amado não seria a Sônia. E por um motivo: a Sônia é a Sônia. As pessoas são únicas. Levam sua beleza, suas características e até personalidade para os personagens.

A Gabriela da Sônia não é a Gabriela da Juliana. Melhor ou pior? Provavelmente, nem uma coisa nem outra. Como a novela de 1975 não é a mesma de 2012. O contexto social, político, econômico e cultural é distinto. A paixão do público pela obra, também.

E mais que isso. Numa sociedade tradicional, repressora, onde sexo era um grande tabu, Gabriela era a tradução do enfretamento, da sensualidade, da liberdade sexual… quem sabe até da libidinagem. E Coube à Sônia Braga interpretar Gabriela.

Hoje, corpos nus, sedução, malícia, sexo… nada disso é novidade na tevê, no cinema. Nem na sociedade. Outras tantas Gabrielas existem em nossos dias. É verdade que sem a beleza simples e ao mesmo tempo complexa da personagem literária.

A Juliana é contemporânea dessa realidade. A nossa. A atual. A Gabriela do Jorge Amado representa o anseio de liberdade do autor baiano. A Gabriela que está na telinha em 2012 já não faz sentindo como personagem que se contrapõem a uma realidade social. O aqui e agora é outro. Não é a de Jorge. A Gabriela de hoje é beleza estética, é libido, é homenagem e reconhecimento ao talento de um escritor. É aplauso a uma grande obra da literatura. Mas não muito que isso. Então, salve Juliana – a Gabriela de nossos dias.

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