É assustador quando decidem que não gostam de você

A frase não é minha. É da cantora Lana Del Rey. Ela resume a frustração de uma artista que trabalha duro na construção de uma carreira, na composição de suas músicas, mas, vez ou outra, encontra gente que simplesmente diz: “não gosto dela”. São pessoas que julgam pela aparência, por um contato mais superficial, sem entender sua arte e, principalmente, sem conhecê-la.

Sabe, o texto aqui não é para fazer uma defesa de Lana. Nem para criticá-la. A proposta é refletir sobre alguns de nossos hábitos. O primeiro, o nosso desejo de ser aprovados. O segundo, nossos julgamentos instintivos.

O sentimento da cantora permitiria uma análise mais ampla. Porém, vamos parar nessas duas questões.

Nos movemos em virtude do outro. Somos carentes de afeto. Queremos ser aprovados. Embora alguns vivam um tanto descolados do mundo e se sintam acima dos demais, desejamos ser notados. Sentimos necessidade de ser queridos, amados.

Por outro lado, também temos o hábito de avaliar superficialmente as pessoas. Tão logo encontramos alguém, antes mesmo de conhecer, já dizemos: “gostei daquela mulher. É tão simpática”. Ou: “não gostei dela. Que pessoa arrogante!”.

Fazemos isso sem nenhuma experiência mais profunda. E ainda nos achamos no direito de dizer: “eu não me engano. Não costumo errar”. Por conta disso, por vezes, nos afastamos e perdemos a chance de conhecer aquela pessoa. Talvez até de ter um belo relacionamento com alguém que descobriríamos ser muito interessante. Porém, ao julgar, bloqueamos, nos fechamos para o outro.

Lana sente-se frustrada porque deseja que as pessoas conheçam o trabalho dela antes de julgá-la. É uma artista. Quer ser querida, ser aplaudida, amada. Mas, antes disso, não quer ser rejeitada. Ninguém quer. Porém, na mesma medida que esse é um desejo intrínseco ao homem, também criamos rótulos e, de maneira superficial, achamos ter o direito de decidir o que é a pessoa, sem ao menos dar a chance dela se mostrar a nós.

É curiosa essa contradição: somos carentes do outro, mas, ao mesmo tempo, quando é nossa hora de demonstrar afeto, preferimos avaliar, classificar as pessoas pela aparência, pela postura, por gestos e expressões.

Tudo bem que a sua vida é sua e você faz suas escolhas. Mas… não dá pra decidir assim. Simplesmente, decidir não gostar. Gente é gente.

Não é bom ser rejeitado. E não há nada que incomode mais que ser julgado por coisas que você não é ou não fez. Quem sabe, as relações seriam mais fáceis se nos desarmássemos diante das pessoas, tentando conhecê-las e compreendê-las. Quem sabe separaríamos o que são as pessoas e o que são suas idéias, pois as pessoas nem sempre são suas bandeiras. A convivência seria mais produtiva e as descobertas, mais ricas.

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Na segunda, uma música

Não é a primeira vez que compartilho por aqui Colbie Caillat. A cantora americana já apareceu por aqui com uma das músicas que mais gosto, Bubbly. Depois que ouvi Colbie pela primeira vez, acho que todas as semanas ouço pelo menos uma de suas músicas. São sempre agradáveis; por vezes, contagiantes.

A canção de hoje, Brighter Than The Sun, faz parte dessa lista. A gente ouve e gosta. E, mais que o ritmo e a bela melodia, a música ainda fala de sentimentos com intensidade e graça.

Encontrei esse amor e fiquei indefesa
É melhor você acreditar, eu vou tratá-lo
Melhor do que qualquer coisa que eu já tive

E continua:

Estou com a cabeça longe
Pensando no “felizes para sempre”
Nunca me senti assim antes

A descoberta do amor, o início de um romance são coisas lindas de ver e viver. É o tipo de coisa que faz a gente acreditar que a vida vale a pena. É verdade que o amor faz doer… Mas se faz sofrer, também faz sorrir, cantar, dançar… Que sentimento pode ser mais poderoso?

É assim que começa
Um raio atinge o coração
Explode como uma arma
Mais brilhante do que o sol

Vamos ouvir?