Manual dos relacionamentos: pena que não existem

Hoje, quando acordei, uma das primeiras coisas que vi foi uma pequena revista. Capa simples, poucas folhas, mas um título interessante: “Manual de etiqueta”. Foi impossível não esboçar um sorriso. Pensei em outros tantos manuais… Afinal, hoje tem de tudo. De manual que orienta sobre como vestir-se, comportar-se no emprego até manuais para satisfazer sexualmente o parceiro. Não sei se funcionam, mas prometem ajudar.

Entretanto, eu queria mesmo um manual para entender as pessoas. Sim, porque gente é bicho esquisito. Por mais previsível que seja a pessoa, sempre poderá nos surpreender. Não há uma regra do tipo: se você fizer isso, ela vai responder aquilo. Na verdade, a mesma piada que provoca risos em alguns causa irritação ou indignação em outros. É assim que funciona.

Acontece que isso fragiliza os relacionamentos. Na verdade, é tudo muito louco, porque, mais que a personalidade, algumas pessoas também mudam suas reações de acordo com o humor.

Tem gente que parece se irritar só pelo fato de você chegar perto. Mas, se não estiver ali, também se irrita. Vai entender!?

Não seria mais fácil se existisse um manual? De preferência, personalizado. Você estuda o manual e tem menos chance de fazer bobagem. Todo mundo fica feliz, o relacionamento funciona… E a vida segue na boa.

Mas não é assim, né? Diferente dos equipamentos, que são operados por agentes externos, pessoas são movidas por suas próprias vontades. Ou seja, não dá para ter manual. E nem adiantaria ter, porque se vivêssemos na tentativa de agradar o outro, nos tornaríamos reféns dele e passaríamos a negar a nós mesmos.

Manuais de relacionamentos não existem, pois somos seres livres. Livres, inclusive, para escolhermos – ou não – controlar nossas emoções. E essa liberdade nos permite mergulhar em nosso interior a fim de nos conhecermos, aprendendo a nos conter, a trabalhar aquilo que incomoda o outro e a nós mesmos. Isso significa que gente que parece pronta pra explodir também pode e deve ser amada, mas nem sempre o problema de não agradarmos está conosco.

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