Decisões adiadas

Por que sabemos o que é preciso fazer e não fazemos? Por que adiamos algumas decisões? Por que demoramos para colocá-las em prática?

Não é fácil decidir. Grandes decisões exigem esforço. Por vezes, nos desgastam. Entretanto, em alguns momentos, concluímos sobre o que fazer. Depois de avaliar prós e contras, de muitas noites mal dormidas, “resolvemos” o problema. Pelo menos, do ponto de vista subjetivo. Porém, segue-se um novo drama: colocar em prática. Sim, porque toda decisão implica numa ação. Não adiantar sua cabeça decidir se suas ações seguem as mesmas.

Você sabe que precisa dar um novo rumo pra sua vida, mas não dá. Sabe inclusive o que tem que ser feito, como tem que ser feito, mas não faz. E não faz por quê? Porque toda decisão tem um custo. Um preço a pagar. E temos a impressão que, adiando, as coisas vão se resolver por si mesmas e não precisaremos nos envolver.

É uma opção covarde, perigosa. E, lá dentro de nós, sabemos disso. Porém, preferimos a ilusão de ir levando, tocando a vida, imaginando que aquilo que já decidimos em nossa mente vai acontecer – como num passe de mágica – sem que tenhamos que enfrentar realmente o problema, encará-lo e aceitar a perda.

Decisões doem. Doem enquanto estamos no processo de reflexão, de elaboração; e talvez causem ainda mais dor quando as colocarmos em prática. Entretanto, não agir é conviver com os problemas. É aceitar como normal a sobrevivência. É aceitar como normal o não viver. E não dá pra abdicar da vida. Vida é pra ser vivida. Temos uma só. E é passageira. Rápida, curta demais pra perdermos tempo.

Transformar uma decisão em ação tem custo, como eu disse. Talvez muitas lágrimas. Perdas importantes. Mas, se já avaliamos e concluímos que é o melhor a fazer, não dá pra adiar. Como escrevi dias atrás, dor se deixa doer. Não podemos fugir. Entretanto, depois de agir, algo novo nos espera. E ainda trará consigo o prazer de voltar a viver.

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12 comentários em “Decisões adiadas

  1. “Todas as escolhas têm perda. Quem não estiver preparado para perder o irrelevante, não estará apto para conquistar o fundamental”.
    A frase não é minha. É uma das poucas que, entre tantas bobagens que circulam na rede, tem algum propósito.
    Coincidência ou não, a li minutos depois de escolher uma mudança profissional. Bem como retratou em seu texto, tal mudança exigiu esforço, horas, meses afinco ponderando prós e contras.
    Deixar um lugar ou uma situação aos quais nos habituamos não é tarefa fácil. Por mais que relutemos, caímos numa zona de conforto. E, a partir disso, se dispôr para o desconhecido é algo árduo.
    Melindres a parte, os ponteiros imploravam uma decisão a cada segundo que batiam. Atendi o pedido. Chorei, perdi, paguei o preço. Percebi, por fim, que a vida passava logo ali pela calçada. Preso às paredes e aos conflitos da escolha, não havia percebido sua presença tão próxima.
    Deixei o comodismo no passado. As paredes físicas eram as menores barreiras. Então, desconstruí as dúvidas, as minhas paredes. Optei por aquilo que, no âmago dos devaneios, já tinha como certeza.
    Ao contrário do que diz a frase, não julgo as perdas como irrelevantes. Enquanto pude me dedicar a elas, tiveram relevância. Hoje, no entanto, são lembranças carinhosas de mais um ciclo. Destes que se renovam durante a vida e que nos acanhamos em deixá-los.
    Decisão tomada, os ponteiros continuam batendo. Agora me alardam o ritmo dos passos da vida. Busquei ela ali do lado de fora. Tenho de acompanhá-la.
    Que venham as conquistas. E que eu descubra o meu fundamental.

  2. Uma grande verdade; costumamos ter receio as mudanças, ao novo. E geralmente nos acostumados àquilo que temos. Mais tem uma frase que gosto muito, que diz: “Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.” Freud.

    Gisele Mulek

  3. Por que somos tão medrosos? (rsrs)
    Quando a gente toma uma decisão e mudamos algo, dá uma agitada boa e parece que atrai coisas diferentes…
    Mas, quem não gosta de mudanças, nunca toma decisões mesmo, deixa tudo como esta…
    Abç
    e bom final de semana!!

  4. Ronaldo , meu companheiro de 17 anos faleceu há 40 dias …. estou muito perdida pois ele cuidava muito de mim …. agora tenho que seguir em frente , mas estou sem forças , estou sem chão e sem saber que rumo seguir ! Sabe aquela vontade de enfiar o endredom na cabeça e não querer sair dali ?? É assim que estou …. Muito bom seu texto , preciso por em prática !!!
    abraços

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