Não acredito em relacionamentos remendados

Podem até sobreviver, mas as chances são poucas. Cá com meus botões, entendo que é preciso mais que disposição para fazer dar certo; há necessidade quase de um toque divino para restaurar um relacionamento ferido, machucado, cheio de mágoa.

Quando se trata de amizade, a situação é mais tranquila. Dá pra resolver. No entanto, um relacionamento amoroso com problemas dificilmente será o mesmo, mesmo que o casal tenha decidido “arrumar a casa” e continuar.

O problema todo está na memória. Perdoa-se, mas não se esquece.

Sabe, conflitos todo mundo tem. Uma relação sem confronto não é uma relação. Quem diz que não tem problema no relacionamento provavelmente não tem um relacionamento. Alguém está se anulando e ambos estão fingindo. Mentem duas vezes: para si e para o outro.

Entretanto, casais maduros não deixam de amar por causa de conflitos. Não abrem mão do relacionamento pelos desencontros cotidianos. Na verdade, o romance fica em xeque quando uma situação se instala em função de comportamentos cotidianos que desgastam e minam o amor.

Conheço gente que perdeu o relacionamento porque nunca respeitou o parceiro. Desmerecia, rebaixava.

Conheço gente que prometia algo e, minutos depois, fazia completamente diferente. Aceitava atender o parceiro e, em seguida, confrontava o combinado. Aos poucos, a confiança foi perdida.

Conheço gente que tinha ao lado a pessoa mais apaixonada, envolvida, entregue ao romance. Porém, durante meses ou anos, devolveu insegurança, gestos que fizeram sofrer, causaram dor.

Há ainda aqueles relacionamentos que passaram por uma decepção, uma traição…

Essas e outras situações acabam com o relacionamento. É como um vaso que se quebra. Não é incomum que as pessoas queiram tentar mais uma vez. E é justo que tentem. Mas o vaso quebrou. E uma vez quebrado, pode até voltar a ser usado. Porém, será um vaso remendado. Ou seja, será um relacionamento remendado.

Uma segunda oportunidade não virá isenta de lembranças, desconfianças, dúvidas. Tem que haver completa entrega pra fazer dar certo. E de ambas as partes. Não adianta só um se esforçar. O detalhe é que quase sempre os problemas que quebraram o laço que unia o casal também roubam as forças principalmente da pessoa que foi vítima. E esta já não consegue se colocar inteira pra lutar pela relação. Nesses casos, o fim parece ter data marcada. Só mesmo um milagre pode transformar água em vinho, renovando sentimentos e fazendo nascer disposição no deserto de um coração que se tornou árido por lágrimas que já não se pode contar.

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Na segunda, uma música

A banda nunca existiu. Mas pra muita gente é como se tivesse existido. E para isso foi necessário apenas um filme. Escrito e dirigido por Tom Hanks, The Wonders fez parte do público acreditar que a banda tivesse existido.

Ambientado ainda nos anos 1960, o filme “The Wonders – o sonho não acabou” conta a fictícia história de uma banda do interior dos Estados Unidos, que de uma hora pra outra estoura nas paradas de sucesso.

The Wonders é um musical. E dos bons. Entretanto, pra mim, além da boa música da banda (veja lá, hein? Só existiu no cinema), o filme mostra o quanto a obra cinematográfica é capaz de influenciar pessoas, principalmente suas crenças. Chega-se ao ponto de a ficção confundir-se com a realidade. E o tempo passa, mas parece ainda haver a dúvida: será que não existiu? Será que não foi verdade?

Isso não é incrível? Então, vamos ouvir… A música escolhida é “That Thing You Do”.

Kristen e Robert: nosso prazer com o pecado alheio

Não sei se faz uma semana, menos ou um pouco mais (desculpe-me, me recuso a pesquisar sobre isso), mas há alguns dias esbarro em notícias envolvendo a atriz Kristen Stewart, um diretor de cinema e o agora ex-namorado dela, Robert Pattinson. Sinceramente, não acompanho a carreira da moça, não conheço o diretor e só vi a careta do tal Robert em chamadas dos filmes da saga Crepúsculo.

O motivo de tantas notícias é a traição da atriz com o diretor de cinema, que era casado. Claro, soma-se a isso o fato de serem famosos e, o casalzinho, adorado pelos fãs – que não admitem que Kristen tenha corneado o vampiro mais lindinho do cinema (socorro, né?).

Perdoem-me os fãs, porém não vou falar da mocinha maldosa e nem do coitadinho do Robert. Vou discutir aqui sobre a gente. Claro, sobre o público, sua reação e essa estúpida curiosidade a respeito da vida alheia.

Tudo bem, traição não é legal. Em situação alguma. Não faz bem. Magoa. No entanto, é algo da esfera privada. É vida privada. Quem está de fora, não tem que meter o bicão. É assunto pro casal; e, de vez em quando, pra família – se for convidada a tratar do problema.

As pessoas dizem:

– Ah, mas se não gostava mais, por que não separou?

Seria lindo se tudo fosse assim, simples. Respondam-me então:

– Por que pesquisas revelam que mais de 60% dos homens casados, entre 35 e 49 anos, admitem que já traíram em algum momento da vida?

Detalhe, quase 80% deles acreditam em casamento.

Outra pergunta:

– Por que estudos mostram que 47% das mulheres reconhecem que já tiveram casos extraconjugais?

Bom, esses são alguns dados. Existem outros. E números são sempre passíveis de questionamento. Entretanto, as estatísticas apontam numa mesma direção: a sociedade é hipócrita. Critica o que, silenciosamente, também faz.

A traição não é desejada. E, em qualquer relacionamento, deve ser evitada. Um casal deve esforçar-se para ter uma relação madura a ponto de resistir às tentações. Caso note que o romance se esgotou, necessita ter disposição para deixar o parceiro antes de ir pra cama com outra pessoa. No entanto, por coisas que parece não se ter controle, nem sempre isso é possível.

Isso sugere que cuidar da nossa vidinha deveria ser nosso foco. Eu, sinceramente, acho pequeno demais esse nosso jeito de ser: nos deliciamos com os deslizes alheios. Há um prazer mórbido em ver a desgraça dos outros, o erro dos outros. Nunca vejo ganho nisso, mas existe satisfação. Sente-se uma espécie de alegria em ver que os outros pecam. É estranho… Contraditório. Mas talvez seja uma forma de minimizar nossos próprios pecados.

Não dá pra sofrer pelo que a gente não controla

Problemas todos nós temos. Ninguém está livre deles. Entretanto, entendo que há problemas e problemas. Alguns somos nós que criamos ou superdimensionamos. Poderíamos lidar com eles sem grandes sofrimentos. Mas optamos por nos derramar em lágrimas e gastamos nosso precioso tempo lamentando coisas sobre as quais não temos controle.

Reconheço que há situações que nos consomem. Um coração partido, um amigo que nos decepciona, um colega de trabalho que “puxa nosso tapete”, um filho doente, um marido que perde o emprego, uma injustiça que sofremos… A lista é imensa.

Como disse dias atrás, certas coisas nos machucam e temos o direito de ficar tristes.

No entanto, muitas vezes não temos controle dessas situações e ainda assim nos deixamos abater porque simplesmente não são como gostaríamos que fossem. Tudo bem, nem sempre dá pra relaxar. Mas é preciso pelo menos tentar.

Se não temos como interferir na situação – tomar as rédeas, como dizia meu pai -, focar no problema é se martirizar. Não dá pra se ocupar – ou mesmo se culpar – por daquilo que não cabe a nós. Se você tem um professor que é injusto nas avaliações e ele é protegido da chefia, não adianta ficar reclamando o tempo todo da maneira como ele trata suas provas. O que resta a você é fazer o seu melhor.

Se você tem um colega de trabalho que não suporta, ou você o tolera ou deixa o emprego. Não adianta passar o tempo todo “chorando as mágoas”. É perda de tempo. É desgastar-se à toa.

E, sabe, mesmo num quadro de doença. Resolve ficar chorando, reclamando? Não estou dizendo que você deve ficar feliz. Mas o que é preciso fazer é cuidar, tratar… Se for um familiar doente, deve ajudar, apoiar… Doar-se de maneira otimista.

Tem gente que superdimensiona os problemas. Sofre por aquilo que não controla; sofre por aquilo que ficou no passado; sofre por aquilo que ainda nem aconteceu – e talvez nem aconteça. A gente tem que aprender a relaxar. Viver pela vida e não pelos problemas que a vida traz. Não escolhemos tudo que nos acontece. Entretanto, o universo parece conspirar a favor daqueles que escolhem viver de maneira mais leve, despreocupada… Daqueles que têm esperança e fé.

Cuidar do corpo também é investir no relacionamento

Nunca se falou tanto sobre obesidade. Difícil ter um dia em que a gente não vê, ouve ou lê uma notícia sobre riscos para saúde, prevenção, o que fazer para emagrecer… Ou de pessoas que estão fazendo tudo para voltarem ao peso considerado normal. Por outro lado, no mesmo compasso, cresce o número de obesos. Parece até que, quanto mais se fala sobre o assunto, mais as pessoas engordam. É um negócio muito louco.

Não, não estou dizendo que a culpa da obesidade é do noticiário. Na verdade, as notícias sobre o assunto apenas refletem a preocupação das pessoas: emagrecer. Afinal, estar magro é sinônimo de estar belo – ou bela, já que as mulheres são as maiores reféns da ditadura da beleza. No entanto, ao mesmo tempo em que há um desejo por perder peso, as pessoas se mostram incapazes de obter resultados. Querem emagrecer, mas não conseguem.

Às vezes tenho impressão que isso ocorre justamente porque, de alguma maneira, todo mundo acha que sabe o que fazer pra emagrecer. Você abre a internet, passa numa banca de jornais e aparecem tantas dicas, sugestões, receitas, dietas… É tanta coisa que a pessoa acredita que, no momento que quiser, conseguirá perder peso. Mas, como não existe milagre (não tem pilulazinha mágica), a combinação necessária – exercícios e cuidados com a alimentação – vai sendo adiada. Somado ao fato de que comer é bom demais – principalmente massas, comida gordurosa, carnes, doces, refrigerantes etc -, ao invés de perder peso, ganha-se peso.

Nasce aí um eterno descompasso. A pessoa quer ficar magra e tenta fazer isso todos os dias. Porém, dá apenas o primeiro passo: vê, ouve ou lê alguma coisa sobre o tema, mas não põe a “receitinha” em prática.

Na verdade, pouca gente encontra dentro de si a motivação pra fazer o que precisa ser feito. Somente aqueles que são um pouco mais preocupados com a imagem – até um tanto narcisistas – abrem mão de prazeres pra cuidar do corpo.

Infelizmente é assim.

Sinceramente, isso me incomoda um pouco, em especial quando os problemas com a balança começam a ocorrer depois do casamento. É verdade que cada um faz o que quiser fazer. A escolha é individual. Porém, acho certo desleixo, após a conquista da pessoa amada, relaxar com o corpo. Tem gente que lida bem com a ideia de “engordarem juntos”. Eu não gosto. Penso que, se a pessoa se cuida pra estar inteirinha quando solteira, deve tentar fazer o mesmo após casada. Vale para homens e mulheres.

A gente não deve se tornar refém da balança, mas manter o corpo em dia é legal. Entendo até que é uma forma de respeito ao outro. E sabe o que é engraçado? Se o casamento acaba, e a pessoa quer começar um novo relacionamento, a primeira coisa que faz é tentar ficar de bem com o espelho. Então, por que não fez isso antes? Alguém aí pode achar um exagero, mas, cá com meus botões, defendo que cuidar do corpo também é investir no relacionamento.

Por que nos perdemos das pessoas?

Não sei você, mas sempre me pego fazendo essa pergunta. Mesmo de gente que a gente gosta demais, acabamos nos afastando. Não é por opção. Não é escolha. Simplesmente, nos perdemos. Temos uma relação linda, cheia de cumplicidade, compartilhamos, dividimos bons momentos e, num dia qualquer, parece que acordamos de um sonho e não encontramos mais a pessoa ali.

Tudo acontece tão naturalmente que só percebemos depois. Não vemos o processo. O distanciamento ocorre e só nos damos conta quando já não dá para reviver a amizade, o amor… o relacionamento. Acabou. Ficaram as lembranças. Restou a saudade.

Acho que todo mundo tem uma lista de pessoas amadas que se perderam, que ficaram pelo caminho. Por essas coisas que a gente nem sempre controla, deixaram de fazer parte de nossa vida. Tudo podia ser bom demais, parecia que era para sempre. Mas se foi.

A vida é mesmo assim. Pessoas vêm, pessoas vão.

Algumas separações vão doer para sempre. Outras serão aceitas mais facilmente. Ainda assim, ficará o vazio, porque pessoas não são substituíveis. São únicas. E o que vivemos com alguém nunca será revivido. Poder ser melhor ou pior, mas nunca igual.

Por isso é tão importante viver intensamente cada momento. Viver o aqui e agora. Não perder tempo com coisas pequenas, com bobagens cotidianas. Gostar, amar, sentir… Sem se apegar aos desencontros, aos medos… Sem se deixar consumir pela insegurança.

Quando aprendermos a mergulhar em nossos relacionamentos, vamos descobrir que, se nos entregamos por completo, talvez seja possível manter as pessoas que nos são especiais por toda a vida.

Calçadas abandonadas

Não com muita frequência, mas vez ou outra circulo pelas ruas e avenidas de Maringá como pedestre. E, asseguro, não é uma experiência agradável. Apesar da qualidade de vida oferecida pela nossa cidade, apesar do status de cidade-modelo, apesar de ser reconhecida como uma cidade de gente com alto poder econômico, há certo descuido com o passeio público. Veja isto:

E mais esta calçada:

Também esta:

São calçadas localizadas numa das regiões mais nobres de Maringá, a Zona 4. Embora concentre população de renda elevada, o bairro não foge à regra: passeios públicos descuidados. Falta de calçadas, buracos ou entulhos… São imagens comuns.

E sabe o que é curioso? Dizem por aí que Maringá é uma das cidades que têm as melhores calçadas. Então, imagine como deve ser a situação noutros municípios…

Na maioria das vezes, as calçadas são de responsabilidade do cidadão. É o dono do imóvel quem faz o calçamento. Mas a fiscalização é da prefeitura. E, por isso, se os passeios públicos estão abandonados é porque o poder público tem sido omisso. Até por conta do custo, muita gente não se preocupa em fazer reparos, cuidar do piso ou mesmo fazer o calçamento. É também pra isso que serve a prefeitura: exigir a obra, cobrar manutenção.

Fotos: Luciana Peña

A gente deixa pra depois e a internet leva a culpa

Semanas atrás escrevi aqui sobre procrastinação – esse negócio de deixar as coisas pra depois. Hoje, esbarrei no assunto ao ver uma pesquisa revelando os motivos de adiarmos compromissos pessoais ou profissionais. O curioso é que a internet tem culpa. Quer dizer, a culpa é nossa. Afinal, a rede não nos obriga a gastarmos tempo online. Porém, nos fascina, nos seduz, nos envolve, nos faz perder tempo.

Na verdade, a gente adia aquilo que a gente não gosta de fazer. Adiamos o que nos parece chato. E a internet, pelo contrário, dá prazer. Por vezes, é um negócio vazio. Sai do nada pro lugar nenhum. Ficamos navegando, navegando e… não aproveitamos muita coisa desse tempo. Mas fazemos isso com satisfação. Como as tarefas adiadas geralmente requerem esforço, a rede rouba nosso tempo sem culpa.

Ainda ontem, quando conversava com meus alunos. Falávamos sobre leitura e uma aluna disparou:

– Mas não dá tempo, professor.

Ela falava da falta de tempo pra ler. Então, uma colega emendou:

– Não dá tempo, mas todo mundo acha uma hora e meia pra ficar no Facebook.

A pesquisa sobre a procrastinação confirma isso: ficamos na internet e adiamos coisas que sabemos que deveríamos fazer. Curiosamente, ler está entre as “tarefas” adiadas. Por ordem: exercícios, leitura e cuidados com a saúde. Estas são as três atividades mais proteladas.

E são coisas deixadas para depois porque não temos vontade de fazê-las. Como dependem apenas de nós, de uma motivação interna, optamos por aquilo que dá prazer imediato. Sabemos, por exemplo, que exercícios farão bem pro corpo. Mas não vamos notar agora. Os benefícios da leitura, idem; são subjetivos. Saúde então… Pra que prevenir, né?

Na verdade, só não adiamos outras tarefas chatas quando estas têm prazo, nos são cobradas e podemos sofrer algum tipo de prejuízo se não as executarmos. Sem cobrança, o que é chato fica pra depois… Ou pro “dia de são nunca”.

Quando é um trabalho, por vezes, a gente até para pra fazer. Senta diante do computador e diz: “vai ser hoje”. Mas acaba não resistindo dar uma espiadinha no Face… Depois, no Twitter… Em alguns sites… Assim, perdemos tempo e as tarefas vão se acumulando. Isso ocorre, inclusive, no emprego. Quem tem sempre um computador por perto, acesso à internet, perde-se em meio a esse turbilhão de coisas disponíveis na rede.

Com tanta diversão na web, quem quer evitar deixar atividades pra depois precisa se policiar. Estabelecer metas. Vale até regrinhas de compensação. Tipo: fiz tal coisa, “ganho o direito” de dar uma passadinha no Facebook… É o único jeito. Do contrário, a rede vai continuar roubando nosso tempo.