Fátima Bernardes e a aposta de sucesso que pouca gente quer ver

Faz uma semana que Fátima Bernardes estreou nas manhãs da Globo. Depois da estréia, o programa não ganhou nenhuma vez do SBT. Perde para os desenhos da emissora de Silvio Santos. Pelo menos por enquanto, a ex-apresentadora do Jornal Nacional só está fazendo bem para a concorrente. Nada de resultados numéricos para a emissora carioca.

Desde o primeiro programa, só vejo comentários a respeito das pautas fracas, da ausência de temas polêmicos, inovadores e dos resultados ruins no Ibope. Ou seja, nada muito empolgante.

Sinceramente, não gostaria de estar na pele da jornalista. Foi criada muita expectativa em torno do programa. Não sei se a direção da Globo também apostava tanto na audiência. Entretanto, especula-se muito e se fala sobre insatisfação com os números.

Eu não sou especialista no tema, porém não vejo o programa como um fracasso. Só mesmo os mais otimistas apostariam numa audiência fantástica no período da manhã. O público de tevê nesse horário está mais ou menos definido. Acompanhe o raciocínio… A molecadinha, que gosta de desenhos, com a mudança na grade da Globo, migraria para o SBT; e a emissora carioca brigaria pelo público adulto que estava noutras TVs e por mais potenciais telespectadores (e nem tem tanta gente assim disposta a ver televisão nesses horários). Mas nada muito significativo. Pelo menos, por enquanto.

Ao que parece, é isso que está acontecendo. E isso não é ruim. A Globo está apostando num novo espectador, que não era dela, formando um novo público. É uma aposta de médio e longo prazos. Insistir nos desenhos representaria apenas manter a audiência (e a Globo estava apenas brigando para manter os números com o público infantil, que não é nada fiel); esticar a Ana Maria Braga, seria jogar com uma imagem já desgastada e conhecida. Já a Fátima é o novo, que não deve gerar números expressivos agora, mas pode mudar o perfil da emissora carioca durante as manhãs. Sem contar que, do ponto de vista econômico, também há mais possibilidade de faturar com esse o público adulto. E TV é empresa, é negócio, tem que gerar renda.

Além do mais, a presença de Fátima Bernardes e seu programa podem não traduzir grandes pautas, mas significam mudança na qualidade da programação. Convenhamos, os desenhos da manhã estão longe de ser educativos e aposta num produto mais informativo sempre gera ganhos para o público. Nossa sociedade carece de informação. Talvez o “Encontro” não ofereça muita coisa, mas já é um avanço qualitativo nas manhãs das emissoras abertas no país. E isso ninguém pode negar.

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Na segunda, uma música

Gosto dos nossos artistas. E gosto bastante dos americanos. Acho, porém, que por várias razões nos voltamos demais para a produção cultural dos Estados Unidos e perdemos, por exemplo, a chance de conhecer a beleza artística de outros países.

Dias atrás, compartilhei aqui uma música linda da italiana Arisa. E, confesso, desde então tenho ouvido várias músicas de artistas italianos. Descobri coisas lindas. E gente que sequer havia ouvido falar. Tem os descartáveis? Claro que sim, mas também dá para encontrar canções que encantam.

A música de hoje talvez seja uma destas. Pelo menos, pra mim. É da espanhola Pastora Soler. Quédate conmigo é a canção que escolhi pra esta segunda-feira.

A música talvez seja o pedido de perdão desejado por muitos amantes. Ou que estaria nos lábios de quem, por uma razão outra, perdeu-se no relacionamento, mas agora diz para seu amor: “não vá! Perdoe-me se não soube te amar”.

Então, vamos ouvir?