É só uma opinião

Uma das coisas que é preciso aprender rápido quando se expressa publicamente a opinião pessoal é que, independente do que você diz, alguns vão amar, outros vão odiar e haverá aqueles que vão ignorar. Depois disso, é necessário aceitar que você será julgado pelo que diz não pelo que é.

Esse negócio é complicado, confesso. Mas, depois de algum tempo, a gente aprende a lidar com isso. Jornalista tem que aprender e ser desapegado. Não dá pra sonhar ser querido por todos. Não funciona.

Particularmente, nunca quis ser uma pessoa pública, conhecida. Entretanto, por essas coisas que ninguém controla, tornei-me jornalista; por escolha, professor. As duas coisas me levaram às redes sociais, ao mundo da internet.

Por conta disso, tive de aprender a conviver com as críticas, por vezes, infundadas e injustas. Não vou dizer que as ignoro. Algumas levam a pensar. E essas não podem ser descartadas.

Entretanto, isso tudo me fez entender que nós somos complicados demais. Na verdade, chegamos a ser ridículos.

Como alguém pode julgar uma pessoa com base numa opinião que ela expressou? O que falamos até pode revelar pistas do que pensamos, mas não mostram quem somos.

Lembro agora de dois personagens da Câmara de Maringá, Heine Macieira e Humberto Henrique. São vereadores. Um é o principal defensor da administração municipal; outro, a figura com maior visibilidade da oposição no Legislativo local. Ambos são rivais políticos. Pensam diferente. Ocupam posições antagônicas. Promovem debates acalorados. Mas… respeitam-se. Trocam elogios, inclusive nos bastidores. Por isso, eu os admiro.

Mas como reagem os eleitores desses vereadores? Para os “seguidores” do doutor Heine, Humberto Henrique é um petista imbecil; para os fãs de Humberto Henrique, Heine é um político medíocre, ignorante, grosseirão.

Enquanto os vereadores conseguem diferenciar o que é a opinião e o que é a pessoa, muitos de seus eleitores preferem rotular, julgar esses políticos pelas ideologias que defendem e manifestam.

É isso que nos torna pequenos, rasos, superficiais. Opinião é opinião. Só isso. Você concorda ou não. Simples assim. E continua respeitando a pessoa, que é dona da opinião. Pois é um direito dela. Como você tem o seu.

Dia desses publiquei um texto sobre comportamento e um sujeito não gostou. Discordou. Até aí… normal. O que achei graça foi o camarada falar alguns impropérios e ainda dizer: não vou te ouvir mais na CBN. Impossível não rir. O que uma coisa tem a ver com a outra? Era só um texto, uma opinião minha. E nem fazia parte das temáticas geralmente abordadas pela emissora. O leitor pode não gostar? Claro que sim. Pode discordar? Obvio que sim. E pode até argumentar que não gostou. Mas isso não lhe dá o direito de usar adjetivos como vagabundo, sem vergonha ou qualquer coisa do gênero. E, convenhamos, quem recorre a esse tipo de expediente é porque não tem argumento. Sente-se ofendido em seus valores e, sem ter o que dizer, rotula quem o incomodou com uma opinião contrária. Coisa de quem pensa pequeno e não entende a máxima da liberdade de expressão.

Somos seres pensantes. Ou, deveríamos ser. Isto quer dizer que cada um tem direito de ter sua opinião. E ninguém precisa concordar com a opinião alheia. A beleza da vida está justamente em saber respeitar a diversidade e entendê-la como necessária, pois é no confronto de ideias que nos aperfeiçoamos.

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