Palavras que me tiraram o fôlego

A noite dessa terça-feira foi de fortes emoções. Quem me acompanha por aqui sabe de minha paixão pela sala de aula. Amo dar aulas. E tenho uma relação de profundo respeito por meus alunos. Gosto deles, de conviver com eles, de ensinar e aprender com eles. Por isso mesmo, quando um ciclo se encerra, é impossível não sentir um enorme vazio, a dor da despedida. E ontem foi noite de despedida. Meu último encontro com a turma de Jornalismo do VIII Semestre da Faculdade Maringá. Na próxima semana, meus alunos estarão apresentando as monografias.

Tive o privilégio de acompanhá-los desde o primeiro ano. A turma, que está se despedindo, apelidei de “microturma”. Quatro anos atrás, apostamos num vestibular de meio de ano. Embora não tenha tido muitos candidatos, a instituição optou por iniciar as aulas já naquele mês de agosto de 2009. Foi assim que a história deles com o Jornalismo começou. Não eram muitos acadêmicos, mas formaram um grupo muito especial.

E ontem, nos minutos finais da aula, optei por agradecê-los pela oportunidade do convívio, pelo aprendizado e para lhes desejar sucesso. Ressaltei algumas características da turma, lembrei de desafios, de momentos que nos marcaram… Foi impossível conter a emoção. As palavras saiam sob efeito de um grande nó na garganta. Porém, pelo menos pra mim, a emoção maior estava reservada pra hoje. Logo cedo vi algumas marcações no Facebook falando sobre a despedida. E, no meio da manhã, o depoimento que me tirou o fôlego:

Eu já ouvi frases tão bem construídas que autor deveria ir para a academia de letras, mas que nunca me tocaram o coração. Por outro lado, já ouvi frases com erros de conjugações de verbos que me tocaram o coração profundamente. O autor deveria ganhar o Nobel da Paz. Mas ontem eu ouvi frases bem construídas que tocaram o meu coração, como se Deus soprasse nos ouvidos daquele homem as palavras certas que chegavam sem grandes esforços a nossas almas. Este homem, que é iluminado, Ronaldo Nezo, que nos fez reviver quatro anos em vinte minutos, que nos levou ao choro e aos risos neste tempo, que nos ensinou a arte de ser jornalistas, mas respeitando o próximo. Ética que eu aprendi o vendo trabalhar e como tratava cada assunto. Aquela pessoa que tem riso fácil e que te leva, que tem uma competência fora do comum, que as aulas são prazerosas, que nos apresentava diversos desafios e que nos fizeram acreditar que conseguiríamos ir mais longe do que pensávamos. Eu quero agradecer por ter a honra de tê-lo como mestre, de encontrar em você o profissional competente, por acreditar em nosso potencial. Obrigada mesmo sem você saber por todas as respostas que já encontrei lendo seu blog para problemas que estavam me preocupando… Mestre, obrigada. Você é uma pessoa iluminada com um dom lindo que Deus lhe deu e que cumpre sua missão de forma honrosa!!

Diga-me, caríssimo leitor, o que comentar depois dessas palavras? Até o momento não sei muito o que dizer. Sei apenas que, depois de sete anos dando aulas, um comentário como esse faz valer cada minuto em que estive em sala de aula, cada hora gasta em casa com o preparo de aulas, correção de provas, trabalhos… Cada email respondido, cada palavra dada em momentos que vi alunos em dificuldade… Sei que não fui o melhor professor dessa turma. E estou longe de ser um grande educador. Mas a fala da Larrisa Fernanda me faz sentir orgulho de ser professor. Fez-me sentir a responsabilidade da profissão que escolhi exercer. E me fez sentir o prazer de viver para o que acredito: a educação.

Anúncios