A internet não tem culpa da nossa ignorância

Por que escrevemos errado? Por que, mesmo na faculdade, a moçadinha escreve tão mal? Culpa da internet? Não. Culpa do ensino. Da falência do sistema de ensino.

Esse foi o resumo de uma das questões que debati hoje no Conexão Novo Tempo com outros jornalistas a respeito dos reflexos da internet e das redes sociais em nossos dias. Por analisar mal o efeito das tecnologias na vida das pessoas, muita gente culpa a web pelos absurdos que aparecem nos textos.

Acontece que o problema não está na internet. A internet apenas reflete a nossa ignorância. Se escrevemos mal, não foi porque a rede corrompeu a escrita, a correção ortográfica, as regras gramaticais. A origem do problema está na escola e no desinteresse da população em aprender e fazer da maneira correta (quem, de fato, está preocupado em ter um bom texto?).

O sujeito não digita “ancioso” ao invés de “ansioso” por que está online. Não é escolha. Opção. Faz isso, pois não sabe fazer da maneira correta.

Existe desleixo com a escrita na internet? Um pouco. Até pelas características da rede, a preocupação com a escrita é menor. Eu, por exemplo, escrevo tudo em letra minúscula no Twitter. No messenger, no talk ou nas respostas às mensagens que recebo no Facebook, por vezes, ignoro a acentuação. Entretanto, faço isso para agilizar a conversa. Porém, sei o certo. No blog, na academia, nos textos jornalísticos prezo pelo uso correto da língua. Erro? Claro. Mas não tem nada a ver com o fato de manter determinados hábitos quando estou na internet. Ou seja, o sujeito não desaprende ao usar a internet. Apenas reflete sua falta de conhecimento.

O cara que escreve errado no virtual não aprendeu a fazer o certo na escola. O cara que não tem argumento na internet, também não teria se lhe fosse solicitada uma redação.

É saudosismo, preciosismo dizer que a culpa é da internet. A internet apenas deu visibilidade a nossa ignorância. No passado, os erros gramaticais, a falta de concordância, a incapacidade de raciocínio ficavam restritos; ninguém sabia que o outro era um analfabeto funcional. Hoje, é só abrir o Facebook. Está lá, escancarado.

Então, antes de atribuir responsabilidade a quem não tem responsabilidade, o que carecemos é rever nosso modelo de ensino. O povo sai da escola sem saber escrever. Pior, sem saber ler. Porque escreve bem quem sabe ler. Quem não lê, não escreve, não tem base para seus argumentos. Diz, mas nada diz. E na falta de argumentos se apega aos clichês, às frases feitas, reproduz a mesmice.

Ensino eficaz, conhecimento… É disso que precisamos.

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2 comentários em “A internet não tem culpa da nossa ignorância

  1. Não altero nem acrescento uma palavra ao texto acima. Corretíssimo. Converso sempre com meus filhos sobre erros de português, sobre a escrita, sobre lerem livros, textos, pois só fala bem, quem tem o costume de ler. As palavras saem com facilidade. E o que ouço como resposta: – Mãe, acho que na outra encarnação você foi professora de português. – Mãe, eu sei como escreve é que estou falando com meus amigos, na net todos escrevem assim. Dá um tempo mãe. Lá vem você.
    Mas, tudo que meus filhos me dizem hoje, como adolescentes, me fortifica, e vou corrigi los e ensiná los sempre que eu puder e julgar necessário. Um dia quando eu não mais estiver entre eles, me sentiria honrada se eles fizessem o mesmo com meus netos.

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