Homossexualidade, intolerância e mortes

Eu não entendo a intolerância. Não aceito a ausência de humanidade, de respeito ao outro, ao desejo do outro. Como pode existir gente (sim, dizem ser gente) que mata pelo simples fato de o outro ser diferente? E diferente no quê? No desejo. Desejo por alguém do mesmo sexo. Não dá para compreender a motivação dessas pessoas que sentem necessidade de eliminar outro ser humano por discordar de sua orientação sexual.

Fiquei assustado na última sexta-feira quando vi a estatística. Talvez não reproduza números exatos. Mas, segundo a ONG GGB (Grupo Gay da Bahia), foram 165 mortes de homossexuais neste ano só no primeiro semestre – janeiro a junho de 2012. Isso representa mais de 27 mortes por mês. Quase uma por dia. E, detalhe, na comparação com o ano passado, um acréscimo de 28% nesse tipo de crime.

Nada justifica. E não é um crime como outro qualquer. Assemelha-se sim com assassinatos de negros, judeus e outras etnias. Mas, do ponto de vista penal, não dá para punir como se pune um homicídio ocorrido numa briga de bar. Nem dá pra comparar com aquele que acontece na tensão de um assalto.

Quem mata homossexuais parece inseguro da própria sexualidade. Afinal, o que motiva tal crime? Qual a razão? Será que essas pessoas acham que eliminar o diferente vai “purificar” a sociedade? Eles são sujos? São indignos? Esses criminosos acreditam que quem tem desejo pelo mesmo sexo é passivo de morte? Que tipo de prazer mórbido é este que se dá na morte de um homossexual?

Não, o problema não está em quem é homossexual. Está naquele que não consegue tolerar o diferente. Ninguém precisa gostar de ninguém. Precisa, porém, respeitar. É a orientação sexual do outro. Pronto. Nada mais que isso. É a vida do outro. Não é a minha. Não é a sua.

Mas… seria medo? Medo do quê? Sabe, o homossexual é como eu. A diferença está apenas no desejo. Eu desejo o sexo oposto; ele, não. E se um gay gostar de mim? Simples. Da mesma forma que posso dizer “não” a uma mulher por quem não esteja apaixonado, digo “não” para outro homem. Simples assim. E se ele me perseguir? Bom, quem garante que uma mulher também não seria capaz disso?

Mesmo uma sociedade, que tentasse sustentar seus argumentos contra os homossexuais sob o ponto de vista religioso, não teria como justificar bani-los de seu convívio. Os escritos bíblicos apresentam o desejo por pessoas do mesmo sexo como pecado, mas Cristo em nenhum momento foi intolerante com pecadores. Logo, nem usando a Bíblia alguém poderia rejeitá-los.

Dias atrás, disse aqui que muitas vezes as pessoas escolhem não gostar de nós. Rejeitam sem conhecer. Tenho a impressão que, no caso de homossexuais, negros, judeus etc, também é uma escolha. Essas pessoas escolheram rejeitar. Sentem prazer nisso. Prefiram bloquear suas mentes a tolerar o diferente. Um diferente que nem é diferente de si, apenas tem um desejo que não se assemelha ao que se convencionou como o certo. Gente assim se faz pequeno e mostra o quanto a humanidade, por vezes, é mais ignorante que os próprios animais.

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