Moradores de rua devolvem dinheiro e viram notícia: quando ser honesto se torna a exceção

Acho que muita gente viu a notícia do casal de andarilhos que achou R$ 20 mil e devolveu. Bom, é provável que você leu, assistiu… Sei lá. A informação está na rede. E o casal, na televisão.

Falei sobre isso na CBN tão logo vi a notícia. Usei-a no comentário com o Gilson nesta terça-feira. Papo leve, agradável e muito elogiado pelos ouvintes. Tudo muito bom.

Mas o que pouca gente percebe é o lado ruim da notícia. Sim, tem um lado ruim. Sabe por quê? Porque o fato não deveria ser destaque na mídia.

É verdade. Esse tipo de coisa chama a atenção, recebe nossos aplausos… A gente diz: “oh, que casal honesto. Que belo exemplo”. Porém, nada disso deveria ser incomum.

O fato desperta o interesse porque não somos honestos. É isso que esta notícia revela. O incomum mostra o que é comum: o normal seria não devolver o dinheiro. E tenho vergonha disso. Não deveria ser assim. Não deveríamos ter no noticiário esse tipo de informação. Deveríamos nos assustar quando o dinheiro some, quando verba é roubada, desviada e não aparece. Infelizmente, o crime, a desonestidade, a falta de ética, o “jeitinho” viraram regra. O ser honesto é a exceção.

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Dicas para uso das redes sociais pelos candidatos

Já vi algumas pessoas incomodadas no Facebook por causa de amigos que se tornaram candidatos e agora querem usar a rede como palanque eleitoral. Isto também está acontecendo no Twitter. A atitude é natural da parte de quem está na disputa. Faz parte da prioridade do sujeito: conquistar votos. Entretanto, o que quase sempre se ignora é que, dependendo do jeito que forem usadas essas redes, o “tiro sai pela culatra”. 

Facebook e Twitter, também blogs e outras mídias sociais, podem ser ferramentas úteis para tornar conhecido o projeto político de um candidato. Entretanto, pouca gente tem a habilidade necessária para transformar o potencial dessas mídias em votos. A chance maior é de encher o saco dos amigos e perder, inclusive, os votos dos mais próximos.

É fato que as redes podem ajudar a conquistar votos. Mas, para isso, é fundamental que exista uma estratégia, um profissional que cuide desse trabalho para o candidato. Não para ser o sobrinho, o filho…

Eu, por exemplo, ando irritado com os “bonitinhos” que nunca curtiram uma publicação minha e agora aparecem dando bom dia, mandando recadinhos ou pedindo que eu não esqueça deles no dia das eleições. Desculpa aí, mas não vai rolar. Se pentelharem demais, vou acabar excluindo-os.

As redes têm como característica o relacionamento, o compartilhamento de informações. É para aproximar, disseminar ideias, propor discussões… Pedir votos, na cara dura, não funciona. Ficar divulgando o número toda hora, pior ainda. Mostrar fotos da campanha, irrita. Todo mundo sabe que são posadinhas, por vezes, forçadas.

Sinceramente, não tenho um modelo para propor. Sei apenas que, se dependesse do meu desejo de “consumo”, gostaria que o candidato tivesse um blog para falar o que pensa a respeito de alguns temas relevantes. Mas nada daquele discurso idiota que aparecem falando na TV, no rádio. Apresentar o que pensam de coração aberto. Textos com emoção, sentimento.

No Facebook, gostaria de ver a pessoa de sempre – aquela do tempo em que não estava em campanha. Talvez, vez ou outra, alguma coisa curiosa, engraçada da campanha, um comentário interessante sobre um fato ocorrido nas ruas… Algo que humanize o candidato. Já o Twitter, serviria para discutir ideias, dizer o que está vendo nas ruas, falar da agenda, fazer uma outra brincadeira, críticas fundamentadas sobre adversários… E tudo bem escrito. E sem exageros (sem publicar demais, porque cansa). Detalhe, no microblog, deixaria claro que se trata, neste momento, da conta de um candidato (quem sabe, até faria um exclusivo só pra isso; ninguém que tem um amigo na rede é obrigado a “ganhar de presente” um candidato).

Não sei se seria um bom modelo. Mas, como cidadão, eleitor e leitor, acho que acompanharia a produção de conteúdo de um candidato que respeitasse essas “regrinhas”.