No sofrimento, queremos mais que frases feitas; queremos ser acolhidos, aceitos

Não sei se já aconteceu com você, mas nada incomoda mais que, quando a gente está sofrendo, encontrar alguém que tenta nos consolar e usa aquelas frases feitas:
– Isto não é nada; vai passar.
– Ah… eu já passei por uma situação como essa.

Ou ainda:
– Você vai ficar bem. Fica tranqüilo.
– Não fica triste. Essas coisas sempre acontecem. É normal.

É verdade: sofrer é normal. Conflitos fazem parte da vida. Todos passamos por crises. Tristeza é um estado de espírito – como é a alegria. E ninguém está isento de problemas. Também é verdade que, quando superamos a dor, aos poucos, percebemos que sempre há vida depois do sofrimento. Inclusive, notamos que ganhamos experiência, crescemos. Entretanto, quando sofremos, nada disso, nenhuma dessas vivências ou frases fazem sentido.

Por isso mesmo, já disse aqui que não sei muito lidar com gente que está sofrendo. Não sei como agir. Gente que sofre precisa de muito mais que discursos prontos. Essas frases só fazem quem sofre sentir-se desprezado. É como se o outro minimizasse sua dor. Não a compreendesse.

Não existe nada pior que, quando se está sofrendo, ouvir: “isto não é nada” ou “eu já passei por isso”. Tem-se a impressão que sua dor não está sendo sendo levada a sério. É como se aquela pessoa estivesse te sugerindo pra esquecer a sua dor, como se ela fosse banal.

Nessas horas, quem sofre não se sente compreendido, acolhido, respeitado.
Na verdade, quem está fora do problema, consciente ou inconscientemente, não quer se envolver. Quer o outro bem, mas não está com disposição pra ficar ali o tempo que for necessário, abraçar, ouvir e chorar junto. O que se quer é que o sofrimento do outro passe logo, pois o amigo não se sente à vontade para dividir emoções negativas.

Algumas poucas pessoas parecem ter uma espécie de dom para ajudar nas horas em que o coração sangra. A maioria tem medo de ouvir, não quer se envolver. E, sabe, isso é humano. É nosso. Entretanto, se a gente se importa com o outro, vale fazer um esforço para ir além de simplesmente querer tranqüilizar. Mas nessas horas não vale fingir… Ajudar é aceitar. É experimentar. É ouvir sem reservas. É, antes de tudo, não minimizar a dor alheia.

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4 comentários em “No sofrimento, queremos mais que frases feitas; queremos ser acolhidos, aceitos

  1. Perdoe-me se falo bobagem (…)

    É verdade tudo isso.
    Lembremos, quando alguém se faz disposto a não remediar com frases prontas e sim, enfrentar junto com a pessoa ou ainda, ser um ombro confortável ou um abraço quente, quem sofre está tão acostumado em não receber tal tratamento que não enxerga, não sente a ajuda disponível logo a sua frente, e pior, não acredita que um alerta de ajuda possa ser levado a sério.
    É muito difícil aceitar o sofrimento alheio, porém quando se aceita, é necessário que o outro esteja disponível em dividir a dor.

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