Kristen e Robert: nosso prazer com o pecado alheio

Não sei se faz uma semana, menos ou um pouco mais (desculpe-me, me recuso a pesquisar sobre isso), mas há alguns dias esbarro em notícias envolvendo a atriz Kristen Stewart, um diretor de cinema e o agora ex-namorado dela, Robert Pattinson. Sinceramente, não acompanho a carreira da moça, não conheço o diretor e só vi a careta do tal Robert em chamadas dos filmes da saga Crepúsculo.

O motivo de tantas notícias é a traição da atriz com o diretor de cinema, que era casado. Claro, soma-se a isso o fato de serem famosos e, o casalzinho, adorado pelos fãs – que não admitem que Kristen tenha corneado o vampiro mais lindinho do cinema (socorro, né?).

Perdoem-me os fãs, porém não vou falar da mocinha maldosa e nem do coitadinho do Robert. Vou discutir aqui sobre a gente. Claro, sobre o público, sua reação e essa estúpida curiosidade a respeito da vida alheia.

Tudo bem, traição não é legal. Em situação alguma. Não faz bem. Magoa. No entanto, é algo da esfera privada. É vida privada. Quem está de fora, não tem que meter o bicão. É assunto pro casal; e, de vez em quando, pra família – se for convidada a tratar do problema.

As pessoas dizem:

– Ah, mas se não gostava mais, por que não separou?

Seria lindo se tudo fosse assim, simples. Respondam-me então:

– Por que pesquisas revelam que mais de 60% dos homens casados, entre 35 e 49 anos, admitem que já traíram em algum momento da vida?

Detalhe, quase 80% deles acreditam em casamento.

Outra pergunta:

– Por que estudos mostram que 47% das mulheres reconhecem que já tiveram casos extraconjugais?

Bom, esses são alguns dados. Existem outros. E números são sempre passíveis de questionamento. Entretanto, as estatísticas apontam numa mesma direção: a sociedade é hipócrita. Critica o que, silenciosamente, também faz.

A traição não é desejada. E, em qualquer relacionamento, deve ser evitada. Um casal deve esforçar-se para ter uma relação madura a ponto de resistir às tentações. Caso note que o romance se esgotou, necessita ter disposição para deixar o parceiro antes de ir pra cama com outra pessoa. No entanto, por coisas que parece não se ter controle, nem sempre isso é possível.

Isso sugere que cuidar da nossa vidinha deveria ser nosso foco. Eu, sinceramente, acho pequeno demais esse nosso jeito de ser: nos deliciamos com os deslizes alheios. Há um prazer mórbido em ver a desgraça dos outros, o erro dos outros. Nunca vejo ganho nisso, mas existe satisfação. Sente-se uma espécie de alegria em ver que os outros pecam. É estranho… Contraditório. Mas talvez seja uma forma de minimizar nossos próprios pecados.

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