As cartas que hoje fazem falta

As tecnologias mudaram nosso jeito de ser. Alguns hábitos se foram; outros se estabeleceram. Dois costumes perdidos, porém, fazem falta. Não pra mim, é verdade; pois nunca os tive. Entretanto, uma pensadora que estou estudando me convenceu que deixar de escrever cartas e o diário pessoal trouxe perdas consideráveis.

Os argumentos da autora são interessantes. E em especial me fizeram pensar no assunto. Cheguei à conclusão que, ao abandonar tais hábitos, abrimos mão de pensar sobre nós.

Hoje ninguém manda cartas. No máximo, deixamos um recadinho para os amigos no Facebook. Mas, olha que coisa… As cartas motivavam as pessoas a contar a própria história, os relacionamentos, o dia a dia da família, o contato com os amigos, os sucessos e os fracassos nos estudos, no trabalho. Escrever uma carta era quase um evento. Era um momento de parar tudo e se deixar envolver pelas lembranças, pelos fatos ocorridos desde o último contato com o destinatário. As cartas provocavam a memória. Ainda que, por vezes, num tom saudosista, revivia-se no ato de escrever momentos já vividos.

Os diários pessoais faziam ainda mais. Além de mexer com as memórias, revivê-las, escrever algo tão íntimo era uma forma mergulhar em si mesmo, conhecer-se, dar vazão aos sentimentos, às emoções. Ao escrever, a pessoa era levada a pensar sobre si mesma, sobre gostos, preferências, tristezas, alegrias, decepções, surpresas…

Isso pode não parecer muito significativo, mas é. A gente vive um momento de abandono dos sentimentos. Abandono do ser. Não conhecemos a nós mesmos. Não valorizamos os pequenos gestos, os pequenos acontecimentos. As cartas e os diários registravam esses momentos. Faziam reviver e guardavam para o futuro muito de nossa história. Eram oportunidades de contemplarmos a própria vida e as coisas do nosso coração. Hoje, somos muito o que sentimos aqui e agora… para esquecer no minuto seguinte. Tudo tem que ser intenso demais para ser lembrado. Como a memória nos trai e a quantidade de informações é imensa, sofremos amnésia. Resultado: quase sempre ficamos com as piores recordações.

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5 comentários em “As cartas que hoje fazem falta

  1. Olá Ronaldo!!
    Como tudo. As pessoas poderão dizer o de sempre “não tenho tempo”.
    Carta é muito legal! Talvez o problema não seja somente a internet, quiçá esteja na mesma questão, por que se lê pouco. No Brasil lê-se pouco, não gostam de escrever cartas…

    Uma outra questão que me faz refletir do seu post, (Se as cartas falam de nós, daí força a pensar sobre nós).
    Hoje em dia, as pessoas dizem:” não quero falar de minha vida p/ ninguém”.
    Triste muito triste, não podermos falar de nós, p/ deixarmos as pessoas ignorantes a nosso respeito, vc não concorda?
    Chegamos a esse ponto de não querer escrever contando coisas que se passa conosco p/ outros, até mesmo p/ família…

    Entretanto a carta não necessariamente precisa ser totalmente íntima, a menos que se tenha bastante intimidade.
    Gosto muito de cartas, tanto receber, como enviar. Ao ponto de desejar que um amigo ou parente, fosse morar em outro Estado, para poder escrever.

    Mencionei, a situação das pessoas não quererem falar de sua vida, mas o contrário tb se dá. Pessoas que não estão interessadas no que outros tem a dizer.
    Pareço pessimista, mas fiz um comentário, divagando sobre o que faz com que as pessoas não enviem cartas.
    Concordo, a carta assim como o diário pessoal e escrever cartas a Deus, faz-nos conhecer a nós, um bom exercício.
    Diário pessoal não mantenho, não tenho p/ quem escrever. Mas, cartas p/ Deus eu escrevo.
    Alguém se candidata, a se corresponder? (rsrs)
    Abç

  2. As cartas realmente faziam parte da vidas das pessoas e chagavam com aquele sentimento de lembrança, saudade e importância. Importância por que as pessoas que escreviam separavam um tempo em sua rotina diária e escreviam… noticias, sentimentos ou ate mesmo banalidades. Mas, o bom era saber que o remetente era tão importante que merecia esse tempo, essas horas. E o sentimento de espera… É temos ganhado muito com a tecnologia, mas estamos perdendo o humano… o toque, a essência que nos encantava e nos mantinham com bons sentimentos. Hoje, existe o desapego, as pessoas são descartáveis… como uma post do face ou no twitter…

    Olá Ronaldo, encontrei o seu perfil e logo o seu blog por que estive procurando sobre assuntos do Judaísmo messiânico. E tenho lido com muito carinho, Parabéns. .

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