Livros são sagrados?

O que fazer com livros velhos? Imprestáveis? O que fazer com aqueles didáticos já ultrapassados?

Em casa, não tenho livros rasgados, faltando páginas… Mas tenho alguns que não servem pra nada. São lixo.

Eu sempre fico com uma dorzinha no coração quando tenho que descartar algum livro, porque gosto deles. Sou apaixonado por livros. Mas já joguei vários deles. Fico incomodado. Entretanto, pra otimizar espaços, é a única saída. Não tem jeito.

Pensava nisto após ver as notícias dando conta do descarte de livros da biblioteca central de Maringá. O material foi entregue por uma bibliotecária para uma empresa de reciclagem. Os 300 quilos de papel renderiam, no máximo, R$ 30. Ou seja, o descarte foi mais pra limpar o ambiente. E os livros nem eram da biblioteca. Eram resultado de doações.

Eu nunca pensei em doar meus livros pra biblioteca. Considero que meus livros são meus livros. E o lixo “literário” que tenho em casa, se não serve pra mim, não serve pros outros. Porém, sei que muita gente não pensa assim. E, sem saber o que fazer, descarta porcaria nessas campanhas de doações.

É fácil notar isso em campanhas para arrecadação de roupas usadas, agasalhos… Ou, brinquedos. O povo doa o que não presta; o que deveria ir pro lixo.

Não vi os livros descartados. Não sei se prestavam ou não. Mas não acredito que coisa boa seria jogada fora. Sei também que o descarte foi irregular. Por se tratar de um ente público, antes de qualquer solução, um trâmite burocrático deveria ser respeitado. Contudo, também sei que o fato só ganhou proporções midiáticas por causa do momento político.

Discordo, inclusive, do discurso da secretária de Cultura de Maringá, Flor Duarte, que transformar um livro em papel picado, para reciclagem, é um crime. Um Eça de Queirós, um Machado de Assis, um Lima Barreto, um Dostoievski, uma Clarice Linspector… são crime. Porém, tem muita coisa que vira livro, mas que não serviria nem para estar escrito em rolos de papel higiênico. É desperdício de tinta.

Por fim, não vejo razão pra tanta conversa sobre descarte de livros. Há um exagero no tom. Nem todos os livros são sagrados. Se não servem, não há razão para ocuparem espaço. Sejam na biblioteca. Ou na minha casa.

PS- Pra mim, no caso do descarte da biblioteca de Maringá, a investigação é necessária apenas em função do desrespeito ao trâmite burocrático; ou seja, por ser uma afronta ao que diz a lei. E por haver especulação de o descarte ter sido uma manobra política visando prejudicar a gestão municipal na área da Cultura. 

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3 comentários em “Livros são sagrados?

  1. Ronaldo, quando li o artigo no Diário, de cara pensei na mesma coisa. Acho que a Biblioteca Pública estava mais para depósito de material velho. Não se deveria fazer caso com isso. É fácil, invistam em livros novos… que tenham informações atualizadas e que, por conseguinte, não precisem ser jogados fora.

  2. Eu tbém acho isso. Tem muita coisa q de livro só tem o nome porque é porcaria msm. E tem +: eu sigo o principio de que se está inutilizável pra mim com certeza esta para os outros. Apenas por se tratar de administração pública o procedimento correto deveria ter sido feito. E só. + realmente a conotação política e o exagero na questão estão a vista de qq um!

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