Relacionamentos exigentes

Relacionamentos são bons quando os dois ganham. Não dá pra um ficar satisfeito e outro, insatisfeito. Os dois precisam estar bem. Entretanto, nem sempre isso acontece. Afinal, a gente olha, primeiro, pra gente mesmo. Espera-se que o outro se empenhe em nos fazer feliz. Por conta disso, sempre haverá o risco de a balança pender apenas para um lado.

Essa é uma situação relativamente normal. E pode ser contornada. Casais maduros dão conta de dialogar e encontrar o equilíbrio. Basta estarem “desarmados”. Como costumo dizer, relacionamentos dão certo quando a gente quer que dê certo.

Entretanto, há situações que se tornam mais difíceis. Algumas pessoas possuem níveis mais altos de expectativa para o relacionamento. E, pelas próprias características de personalidade, são mais exigentes. Reclamam do parceiro o tempo. E este tipo de comportamento, aos poucos, causa esgotamento. São aquelas pessoas que pedem muito da relação. Gente que deseja tudo que uma relação proporciona – amizade, parceria, cumplicidade, respeito, fidelidade, carinho, sexo… – mas ainda cobra uma espécie de perfeição em cada um desses atos.

Funciona mais ou menos assim… Quando sai pra jantar, acha que o restaurante demorou demais pra atender. Quando ganha um presente, entende que o papel de embrulho poderia ser mais bonito. Quando é surpreendido num gesto de carinho, diz que poderia ter sido no fim de semana. Quando falam ao telefone, irrita-se se o outro precisa desligar um pouquinho mais cedo. Quando vão viajar, lamenta que o outro poderia ter planejado melhor as paradas na estrada para as refeições. Ainda que o parceiro esteja sempre ali, pronto, disposto, ao alcance das mãos… é insuficiente.

É verdade que os casais falham muito na dedicação aos parceiros. Os pequenos gestos, as atitudes do início do relacionamento… aquela entrega, a dedicação… por vezes, são ignoradas com o passar do tempo. Entretanto, alguns romances não sofrem com isso. Sofrem, porém, pelo grau de expectativa de uma das partes. O outro parece existir para lhe servir. Nada é capaz de agradar. O parceiro se envolve, se esforça, mas se sente acuado, impotente.

O problema desses relacionamentos é que levam ao cansaço – físico, inclusive. Porque, mais que estar sempre alerta às carências emocionais do “exigente de plantão”, há um ato deliberado, um esforço para agradar. Nem sempre recompensado. A parte que está ali tentando fazer bem, aos poucos, pode se sentir insignificante, rejeitado, ter até problemas de autoestima (com reflexos noutros relacionamentos futuros), perder a motivação com o romance e acabar achando que o relacionamento não vale a pena.

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