Não fale de seu relacionamento para os outros

O “desgraçado” de hoje é gatinho, fofinho, lindinho, amorzinho… amanhã

Dias atrás, num papo com amigos, saiu aquele velho ditado:

– Em briga de marido e mulher, não se mete a colher.

A conversa girava em torno de problemas familiares – marido e mulher, pais e filhos etc. E, claro, do potencial explosivo que existe na interferência externa nesses conflitos domésticos. Afinal, basta alguém de fora tentar interferir para que os membros da família se defendam e o outro, o de fora, torne-se “persona non grata”, inimigo.

Entretanto, observo que muita gente parece gostar de entregar a “colher” para o outro. Parece desejar que alguém dê palpite.

A mulher briga com o marido e corre contar para as vizinhas. Vai lá chorar as mágoas. Tem problema com o parceiro e vai se lamentar com a mãe. A garota sente-se ofendida pelo namorado e entrega o “desgraçado” para os pais.

O problema é que o “desgraçado” de hoje é gatinho, fofinho, lindinho, amorzinho… amanhã. E aí a confusão já está feita, porque pais e amigos não convivem com o casal, não vivenciam a relação. E, por isso mesmo, provavelmente tomarão partido. A imagem que vão construir do outro é justamente aquela que você ajudou a formar nos momentos que estava magoada, ofendida.

Relacionamentos têm conflitos. Os conflitos fazem parte da dinâmica da convivência. É impossível não haver confusão entre duas pessoas que se amem. Até pra “negociarem” as diferenças, fazerem-se respeitar, tem que haver o conflito. No entanto, quando o problema do casal transcende as quatro paredes, pode ter desdobramentos inesperados – e não muito desejados.

Particularmente, entendo que nossos conflitos cotidianos não devem ser compartilhados com pais, amigos, colegas de trabalho… Gente de fora só deve ser convidada a participar do cotidiano do casal, de seus problemas, quando são pessoas maduras e experientes. Devem ser pessoas com a isenção necessária para avaliar o quadro sob todos os aspectos, analisar as partes envolvidas e levar os “briguentos” a encontrarem as soluções para seus problemas – sem dar razão pra nenhum deles. Ainda assim, o ato de contar deve ser combinado, conversado. Não pode ser unilateral.

Diferente disto, entregar a “colher” pra gente que não vive o cotidiano do relacionamento é amplificar os problemas e ainda ferir a reputação do parceiro. Portanto, antes de falar de seus problemas para alguém, morda a língua.

Na segunda, uma música

Sorte minha estar apaixonada pelo meu melhor amigo

Gosto desta frase… Faz parte da canção que escolhi pra esta segunda-feira. “Lucky” é um diálogo entre duas pessoas apaixonadas. Um amor calmo, feliz. Um amor confiante. Um amor de quem tem muita sorte, né?

Não sei se existe um jeito certa de amar. Sei até que existem formas erradas. Entretanto, penso que, quando o amor nasce entre pessoas amigas, é mais fácil viver esse sentimento. Talvez, no início, seja complicado admitir. Mas tem mais chances de ser um amor descomplicado… Sem assuntos proibidos, pois a intimidade já existe.

Talvez por isso, a canção diz:

Você faz ser mais fácil quando a vida fica difícil

Acho que não existe nada melhor que “voltar pra casa” e encontrar na pessoa amada tudo que precisa: aquela que ouve com atenção, que tem a palavra certa na hora certa, que tem o abraço mais gostoso… É uma paixão que tem desejo, mas que não falta os demais elementos que fazem um relacionamento existir de fato: cumplicidade, empatia, respeito, compromisso, amizade…

Sorte minha por estarmos apaixonados de todas as formas

Então, vamos ouvir? Lucky, com Jason Mraz e Colbie Caillat.