Xuxa, Galisteu e o “espólio” de Ayrton

A Xuxa foi no Pedro Bial e disse que procurou o Senna pra voltarem. A Adriane Galisteu, namorada do então piloto, ficou mordida e usou o twitter pra expressar seu descontentamento.

Esse é o resumo do novo embate público entre Xuxa e Galisteu. E tudo por causa de um ex-namorado. Famoso sim. Ídolo sim. Mas… morto. E o coitado nem está aqui pra se defender.

Já escrevi sobre a Xuxa no blog. Já defendi o direito dela de se expressar e revelar ter sido vítima de abuso. Mas tem coisas que são muito imbecis.

O mundo todo sabe do romance dela com Ayrton. Todos os fãs também sabem que, quando ele morreu, o piloto estava com Galisteu.

O que seria elegante da parte da Xuxa? Respeitar isso.

Sabe o que mais? A família dele deveria fazer o mesmo.

– Ah… mas a família não gostava da Adriane. Preferia a Xuxa; alguém aí talvez possa dizer.

O que isso tem a ver com a história? Quando morreu, ele estava com a então modelo. Não era com Xuxa. Ponto final. Dona Viviane Senna, principalmente ela, deveria agir com a elegância de uma mulher que sabe ir além da habilidade de sustentar-se sobre um salto alto.

E tem mais… Se a Xuxa e a família de Ayrton não sabem lidar com isso, a Galisteu também não. O que ela ganha em expressar publicamente seu incômodo diante dessas declarações? Nada. Não ganha nada. Fica parecendo uma viuvinha traída. E pior, deve deixar o atual marido desconfortável.

Convenhamos, né? Um pouco mais de compostura e respeito até a memória do morto seria de bom tom.

O engraçado é que essas celebridades só reproduzem em escala midiática o que muita gente faz no dia a dia. E o “falecido” nem precisa estar literalmente morto. Tem gente que passa a vida inteira sem enterrar de vez um romance que acabou. E, por vezes, ainda fica disputando com outras ex quem foi a mais amada.

Socorro, viu? Vamos viver! A vida se faz com olhar voltado para o que está adiante, não no retrovisor.

Não, não é culpa do preço

Muita gente fala do preço do transporte coletivo. Principalmente em Maringá. Às vezes, transfere-se para a tarifa a “culpa” por não se usar ônibus. Afinal, o cidadão prefere o carro, a moto.

Esta semana, ouvi esse argumento de novo na Câmara de Vereadores. Uma parlamentar subiu na tribuna e sustentou que faltam vagas de estacionamento, que o fluxo no tráfego de veículos está comprometido porque as pessoas acham caro usar o transporte coletivo.

O argumento é pequeno, raso. Não revela a complexidade do problema. Não trata de todas as variáveis.

Eu discordo desse tipo de justificativa. Eu não deixaria o carro em casa mesmo que a passagem custasse R$ 1,00. E não é porque tenho dinheiro de sobra. É porque o transporte coletivo é ruim e não responde as minhas expectativas – e da maioria das pessoas.

Apesar da dificuldade para estacionar, para transitar nos horários de rush, ainda assim vale a pena tirar o automóvel da garagem.

Os ônibus estão sempre lotados. É desconfortável. E, em Maringá, brigar por espaço com a molecadinha beneficiada pelo passe do estudante não é nenhum pouco divertido. Vale acrescentar o fato de serem desrespeitosos, baderneiros…

Alguém aí acha que uma mulher, produzida para um dia de trabalho, sente-se bem naquele aperto todo, sem saber se o toque no bumbum é um esbarrão ou sacanagem de algum sujeito?

Tem ainda a espera no ponto. Na maioria dos bairros, mesmo no horário de ir pro trabalho, só passa um ônibus a cada meia hora (e nos fins de semana???). É preciso se adaptar ao ritmo do transporte coletivo. O atendimento não é personalizado. Sem contar que nem sempre tem um ponto perto de casa ou do trabalho.

E quando é preciso pegar mais de um ônibus? O sistema de integração é péssimo.
Ah… sem contar a demora na viagem. Dependendo onde a pessoa está e pra onde vai, pode-se gastar uma hora pra chegar.

Reduzir o preço da passagem não muda isso.

O cidadão só vai usar o transporte coletivo quando essas demandas forem solucionadas – preço, conforto, agilidade. E ainda assim nunca o ônibus será mais interessante que o veículo próprio. Por isso, há uma outra questão a se considerar: o desestímulo ao uso do carro. De que jeito? Pedágio urbano, eliminação de vagas de estacionamento, cobrança pelas vagas de estacionamento etc.

E tem mais: garantir formas alternativas de transporte. Valorização e respeito aos pedestres; implantação de ciclovias, ciclofaixas, espaços adequados para guardar as bicicletas, integração das bicicletas com o transporte coletivo, banheiros e vestiários nas empresas para banhos etc etc.

Este é o caminho. Infelizmente, nem tudo se resume a uma tarifa – que, no caso do transporte coletivo, nem é pago totalmente pelo trabalhador; é custeado parcialmente (ou totalmente) pelo empregador.