Uma história de amor

Certa vez ouvi de uma amiga algo que nunca esqueci. Ela disse que “paixão não combina com paz”. Quem está apaixonado experimenta grandes emoções. Transita da euforia à depressão; do desejo ao ódio; do querer estar ao rejeitar. Por isso, um apaixonado é capaz de, num dia, falar uma série de ofensas a respeito do parceiro e, noutro, parecer completamente esquecido de tudo que disse no dia anterior.

Apesar de não trazer calma ao coração do apaixonado e envolvê-lo em uma grande loucura, a paixão não deixa de ser uma coisa boa. Mas é passageira. Ela aquece a relação por um tempo e depois se apaga. A boa notícia é que ao invés de simplesmente despedir-se, ela pode se transformar num grande amor. Quando há paixão, você olha, gosta e deseja que o outro seja seu. Já o amor… Ele não acontece assim. Precisa de tempo, convivência, carinho, cumplicidade.

Relacionamentos podem ser baseados em paixão ou amor. É difícil dizer qual é o melhor. Mas gosto de relacionamentos que surgem sem pressa. Gosto quando os sentimentos são descobertos devagarzinho, de forma espontânea, quase sem querer. Embora possa parecer mais bonita a versão cinematográfica de ouvir sininhos ‘’quando ela passa’’, o romance que se constrói aos poucos é mais sólido e tem mais chances de prosperar.

É bom quando começa com uma amizade, com a descoberta de afinidades, com longos papos sobre amigos, família, trabalho, estudos, livros, lazer… Fala-se sobre tudo; e ouve-se com prazer. Aos poucos, surge a cumplicidade, os pequenos segredos, a necessidade da opinião do outro para pequenas coisas – a compra de uma blusa, por exemplo. Há um querer da aprovação do outro. Nem tanto por necessidade, mas por despertar a importância de quem se ama para a vida.

Nesse ponto, o romance começa a se desenhar. Ainda não falam de sentimentos. Por vezes, sequer admitem que a amizade já ficou para trás. Porém, há uma carência de estar perto. Há preocupação com o bem-estar do outro, se almoçou bem, o que fez durante o dia… As ligações tornam-se mais demoradas, as conversas são tomadas por risos, pequenas brincadeiras… E quando um está triste, o abraço do outro é o mais desejado. Sente-se falta, saudade.

A saudade é o estágio decisivo. É natural provocar crise no relacionamento por algum tempo. Afinal, nem sempre é fácil admitir que o amigo se tornou mais do que isso. Depois de um tempinho com o coração inquieto, o amante se acalma outra vez e se entrega ao amor.

Um amor assim só pode fazer bem. Foi construído diariamente. Os dois se conhecem, trocam segredos, não há assuntos censurados. A relação não se baseia apenas em beijos, abraços, amassos, sexo. É possível passar horas apenas conversando, segurando a mão da pessoa amada, trocando pequenos carinhos.

Mesmo quando distantes, o coração permanece tranqüilo, pois se sentem seguros um com o outro. Há cuidado, preocupação, uma dose de ciúme, mas a saudade não machuca. A ausência é sentida. Entretanto, ainda quando o coração fica apertado, as lembranças motivam sorrisos. A espera por um novo momento desperta ansiedade, mas é sossegada pela certeza do sentimento.

Um amor assim pode ser tentado por novas paixões, é verdade. Mas o prazer da companhia da pessoa amada e a história que construíram juntos, geralmente falam mais alto e o novo não desperta tanto interesse. Amar de forma plena afasta a necessidade de conhecer outras pessoas. Toda a mudança é vivida com quem se ama, pois eles se descobrem a cada dia.

Amores assim são raros. Mas ainda existem. E quando acontecem, tornam-se únicos. Não são perfeitos, é claro. Também são passíveis de conflito. No entanto, há confiança, calma e vontade de superar os problemas. Amores assim fazem a gente acreditar na plenitude de uma vida a dois.

PS- Sugiro ler este texto ouvindo “Lucky“.

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Relacionamentos mal resolvidos

Quando termina, termina? Não. Quando um relacionamento acaba, ainda há pendências. Pode não ter mais nada pra falar, mas raramente a pessoa está pronta para assumir um novo romance. Claro, há exceções. Mas geralmente são nos casos em que um novo amor existia antes mesmo de ser oficializado. Mesmo assim, ocorrerão desconfortos e o início de uma nova história não será calma.

Às vezes, o amor acaba. Outras vezes, o relacionamento fez tão mal que machucou, fez sofrer e, terminar, alivia. Entretanto, como regra, o coração precisa de um tempo. Tempo para cicatrizar.

A gente não é máquina. Num aparelho, quando uma peça estraga, é só trocar, substituir. Gente é diferente. Não funciona assim.

Quem começa um romance sem ter esperado, sem ter tudo resolvido, corre o risco de se machucar de novo. A pessoa que chega encontra uma “casa suja”. Pode ter raiva, mágoa, decepção, desejo de vingança e até desejo, amor, carinho… escondidos entre outros sentimentos. O “falecido” ainda está ali. Talvez a presença não seja física, mas está no coração. As recordações são frequentes. Sem contar os objetos que podem estar espalhados pela casa, pelas gavetas, guarda-roupas… Um contato ou outro pelo telefone, facebook… nem que seja pra brigar ou pedir explicações.

O novo amor tem que disputar espaço com os cacos, fragmentos que restaram do relacionamento antigo.

Por isso, a chance de dar certo é pequena.

Sei que quase sempre, quando uma relação acaba, tudo que a gente quer é se reconstruir logo, começar de novo. E se envolver com outra pessoa parece ser a melhor estratégia. Porém, a pressa para “engatar” outro relacionamento só mostra o quanto ainda se está apegado ao passado. Um novo relacionamento vira fuga. A pessoa que chega torna-se a substituta. E o pior: o passado mal resolvido volta pra cobrar a conta e desestabiliza o presente.

Paciência é o segredo. Não custa esperar. Se tiver que discutir com o ex, discuta; se tiver que rasgar as cartas, rasgue (isso é importante em todas as situações; quem mantém recadinhos, de alguma forma, não se livrou do passado); se for preciso devolver os presentes, devolva; enquanto tudo for recente, evite ambientes que frequentavam. Limpe as gavetas do coração. Quando o outro não arrancar mais suspiros e nem provocar ódio, o coração está pronto. Já há espaço para um novo amor.

Sexo na terceira idade

Embora estudos recentes apontem que idosos sentem desejo e haja, inclusive, um esforço de cientistas para provar que “velho” também tem o direito de manter uma vida sexual ativa, ainda há muito preconceito. Diríamos, por parte dos mais jovens, até um certo nojo. Os filhos, principalmente, olham para seus pais, quando estes já estão na terceira idade, e não admitem que possam manter um relacionamento sexual. É como se fossem assexuados.

Até os dias de hoje, verifica-se uma pressão social, especialmente de filhos e netos para que os seus velhos se mantenham ‘em seus lugares, ‘se enxerguem’, ‘tenham auto-crítica’.

Um pesquisador, ainda na década de 1980, já ressaltava que há uma espécie de mito: sexo, amor e casamento seriam coisas da juventude. Portanto, proibidas para os mais idosos. “Os mais velhos devem fechar as portas da aventura, do romance, abrindo-as tão somente para a virtude”. Por isso, nas ruas, ao notarmos um casal jovem trocando carinhos – ou mesmo, beijando-se -, não achamos anormal. No entanto, se na mesma cena substituirmos os personagens por pessoas idosas, haverá uma reação de surpresa, talvez até de incômodo.

Um estudo de mestrado realizado por Marilu Chaves Catusso, concluído em 2005, ouviu idosos em Palmas, no estado do Paraná. A assistente social colheu depoimentos interessantes. Ao falar sobre a busca de um parceiro, alguém com quem se relacionar sexualmente, alguns chegaram a dizer: “Os netos não acham bom, os filhos também não, então a gente não procura”, ou simplesmente “a família não quer” .

Essa é uma crença histórica, internalizada até mesmo pelos próprios idosos. E a mulher tornou-se a principal vítima desse modelo social. De alguma maneira, aos homens foi dado o direito de se relacionaremsexualmente. No passado, mesmo casados, era aceito que tivessem amantes mais jovens quando as esposas deixavam de ter vigor e beleza. Hoje, não é muito diferente. São cada vez mais comuns os relacionamentos entre homens mais velhos e mulheres jovens – agora, de maneira oficial. Eles, portanto, divorciam-se e se casam novamente. Já as mulheres idosas sofrem mais preconceito. Se demonstram interesse sexual, vontade de se relacionar, são vistas como “velhas assanhadas”.

Entretanto, ainda que essa visão tenha sido internalizada por muitos idosos, o desejo sexual não se perde com o avanço dos anos. Não há um tempo determinado para pôr fim ao prazer, a busca pela satisfação do corpo.

Mesmo que silenciadas por costumes históricos, as mulheres também sentem necessidade de manter relações sexuais. E, por serem obrigadas a abandonarem a atividade sexual, por vezes, desenvolvem algum tipo de sofrimento psíquico.

Portanto, numa sociedade que se diz livre, penso que está na hora de rompermos com alguns mitos. O sexo na terceira idade faz tão bem quanto faz ao jovem – talvez até mais, porque os mais velhos contam com experiência e se machucam menos. Não há vergonha em admitir isso. Muito menos, em aceitar que as pessoas vivam plenamente a sexualidade em qualquer idade.

Xanddy e Carla Perez: reféns da fama

Como estou reclamando do mundo, vamos a mais uma. O que o público tem a ver com a vida íntima dos famosos? Com o casamento das celebridades?

Gente, será que não temos mais nada pra fazer não?

É fato histórico. Desde sempre foi assim. Na antiguidade, sabia-se da vida dos nobres pelas cozinheiras, pelos serviçais. Tecnologicamente e economicamente, evoluímos. Mas, no comportamento, somos parecidos com nossos antepassados.

As pessoas se interessam pela intimidade dos outros. Principalmente, se são pessoas importantes. Entretanto, essa curiosidade, esse de consumo voyer, me incomoda profundamente.

Tudo bem, sou rabugento, chato mesmo. No entanto, o famoso não tem direito nem de curtir uma crise entre quatro paredes. O que acontece – e até o que não acontece – vai parar na imprensa.

Vi hoje a reclamação de Xanddy, marido da Carla Perez. O sujeito usou o Instagram pra negar a crise no casamento. Mas a sua reclamação maior não foi em função do constrangimento pra ele e pra mulher. Foi por causa dos filhos.

Nossos filhos são os mais atingidos. São crianças e ficam sendo interrogados.

É bem isso mesmo. As crianças, que nada tem a ver com a história, são inocentes, pagam um preço alto por serem filhos de famosos. O povo fala da celebridade e a família paga a conta.

Não me parece justo.

Aí alguém pode dizer: “ah… mas é só não ter problema”. Ignorância demais, né? O fato de se tornar conhecido não isenta a pessoa de problemas. E a fama nem deveria representar uma prisão, como infelizmente ocorre.

Acho que tudo poderia ser muito mais simples se o público se dispusesse a ser apenas isso: público. Com direito a ser fã. Mas sem cultuar seus ídolos a ponto de invadir a vida privada deles.

PS – Claro, tem celebridade que escolhe exibir sua intimidade. Mas aí é uma outra história.

Coitado do Monteiro; pobre de nós

Já escrevi aqui que devo ser o cara errado, na hora errada, no mundo errado. Gente, estou desanimado. A coisa está preta. Desculpa, não posso falar assim, né? Pode ser entendido como preconceito, discriminação.

Socorro, viu?

O tal do Iara – Instituto de Advocacia Racial – agora quer tirar de circulação o livro “Negrinha”, do Monteiro Lobato. Não bastasse o ataque contra “Caçadas de Pedrinho”, agora o instituto quer proibir outra obra do autor.

O Iara, que faz o papel de protetor dos negros e de suas causas, tem atropelado o bom senso em nome do politicamente correto. A justificativa é sempre as mesmas: o texto de Monteiro Lobato é preconceituoso, apresenta o negro numa visão estereotipada.

Como “Negrinha” faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do governo federal, o instituto quer a obra banida da lista. Não admite que, com dinheiro público, se financie o que chama de uma obra “fortemente carregada de conteúdos raciais”. E promete, inclusive, recorrer à cortes internacionais para tirar o livro de contos das prateleiras.

Gente, livro é livro. Na literatura, pode tudo. E os textos de Monteiro são fruto do contexto histórico. O autor era racista sim. Mas é um dos nossos maiores escritores. A gente precisa aprender a separar as coisas.

E tem mais. As obras literárias funcionam sob a lógica do exagero. O que seriam os vilões se não fossem pintados em cores fortes, carregadas? O que seria a mocinha se não fosse a mais bela, a mais gentil?

Cenários e personagens até podem se inspirar na realidade, mas são obras de ficção. Por isso, o estereótipo é recurso comum. Essa é uma característica da arte. O que seria do humor se os personagens não fossem caricatos? Que graça teria um gay no humor se seus traços e gestos não fossem exagerados?

Convenhamos, gente educada sabe diferenciar realidade e ficção. E as escolas têm sido palco de discussões importantes sobre preconceito, racismo, discriminação etc etc. Professores não precisam ser “treinados” para usar os livros de Monteiro Lobato em sala. E, ainda que não fossem, leitores de “Negrinha”, “Caçadas de Pedrinho” não olharão o negro de forma estereotipada por conta do texto do autor. Quem acredita nisso subestima a inteligência do leitor. Ignora que a fixação de significados, a construção do imaginário popular, se dá pela redundância, pela repetição e quando o discurso se mostra coerente.

Banir ou censurar textos, principalmente literários, é um recurso pobre, mesquinho, de quem pensa pequeno. Gente que tem em si mesmo enraizado preconceitos e mania de perseguição. Na tentativa de corrigir o passado, estão matando o presente.

No relacionamento, não deve haver lugar para sermões

A molecada está acostumada com o que vou falar aqui. Sou pai, então sei bem o que é isso. Afinal, mais que dar bronca, vez ou outra, rola um “sermão” lá em casa. O meu mais velho escuta sem escutar. Já a menor pede:

– Para, pai.

Faz parte, né? Pai que é pai dá sermão.

Entretanto, sei também o quanto isso é chato. Irritante, diria. Minha filha expressa esse sentimento quando pede para eu parar. Ela demonstra que já entendeu, sabe que errou… E ouvir tudo de novo incomoda demais.

Por isso mesmo, o que dizer dos sermões dentro dos relacionamentos?

Sim, talvez você não tenha se dado conta, mas tem parceiro que adora passar “sermão”. É impressionante. O sujeito está ali e começa a “dar de dedos”. Pode até não apontá-los, mas adota aquela postura indigesta, típica dos que “sabem mais”.

Gente, está aí um negócio que acaba com qualquer tesão no relacionamento. O parceiro – namorado, namorada, marido ou mulher – assume um papel meio de pai, de mãe… e passa a corrigir o outro. É de lascar.

Não estou dizendo que parceiros não devam aconselhar, orientar… Nada disso. Isso é saudável. Entretanto, depois que o problema aconteceu, não existe nada pior que alguém olhar pra você e apontar seu erro. E a pessoinha ainda começa o discurso típico:

– Eu te avisei!!!

Quem fez a bobagem já está com o coração na mão, chateado, decepcionado, frustrado… E de quem esperava acolhimento, vem um sermão.

Caramba! Judia, hein?

Pode ser em função de um negócio mal feito – venda do carro, compra de um celular, empréstimo de dinheiro pra um colega etc. Pode ser por causa de uma briga com colega, com pai, sogra… Pode ser pela correção inadequada de um filho. Pelo esquecimento de algo. Enfim, na dinâmica do relacionamento, erros são cometidos. Não faltam motivos para um lembrar o outro que aquilo não se faz, que não devia ter feito…

Acontece que o erro do outro parece despertar em nós o sentimento de superioridade. Levantamos o queixo, estufamos o peito e, dedo em riste, fica fácil despejar todas as nossas frustrações sobre quem falhou. Há um misto de raiva e de prazer. Raiva pela falha alheia. Prazer porque você disse que ia dar errado. O tom que impera no discurso é sempre o mesmo:

– Eu tinha razão. Está vendo?

Pais fazem isso. Não é a medida mais acertada. Mas não é o fim do mundo quando um pai ou uma mãe assumem essa postura. Entretanto, no relacionamento, isso machuca. Quem errou já estava se sentindo inferior, culpado. Quando o parceiro o acusa, julga, a ferida aumenta. E duas reações geralmente ocorrem: a primeira, acreditar ser a pior pessoa do mundo (a autoestima vai definitivamente “pro ralo”). A segunda, odiar o parceiro. Todas as lembranças das acusações sofridas na infância, das correções de pais, professores e até amigos… tudo desfila no inconsciente, revivendo as piores sensações. E o parceiro, o do sermão, passa a ser odiado – pelo menos, naquele momento.

A vítima do sermão sabe do erro. Poucos são tão negligentes a ponto de não perceberem quando falharam. A maioria sabe. E, por isso, na mente, já está se martirizando. Provavelmente, repetindo dezenas de vezes a mesma pergunta:

– Por que fiz isso? Por que não fiz de tal jeito? Por que não ouvi fulano.

Tem até vergonha de ter de encarar o outro.

Quando o parceiro começa a desfilar frases acusatórias, relembrando o erro, a pessoa nota que o outro não acredita nela. Não confia em sua capacidade de julgar e agir. E uma das coisas que fazem a diferença num relacionamento é a admiração. O sermão evidencia a falta de admiração. A ideia que fica é muito simples:

– Ela me acha um péssimo homem.
– Ele me acha uma mulher incapaz…
Ou… uma péssima mãe etc etc.
– Está comigo por pena. Se pudesse, me descartava.

Não sei qual a dinâmica do seu relacionamento. Não sei como você é. Sei, porém, que é fácil demais a gente cair na tentação de dizer pro outro que ele falhou. É fácil demais acusar. E, no calor do momento, encontramos argumentos para discursar por minutos a fio – relembrando, inclusive, outros fracassos. No entanto, quando a gente quer preservar o relacionamento, aceitar que todos nós falhamos e acolher a pessoa amada é a melhor forma de dizer que se importa com o outro.

Costumo brincar que a regrinha é muito simples: se fosse você, o que gostaria que o outro fizesse? Adoraria o sermão? Pense nisto!

Na segunda, uma música

Quem já não sentiu o desejo de sair correndo para encontrar seu amor? Aquela vontade maluca de estar junto, de se envolver num abraço e num beijo demorado?

A distância entre duas pessoas que se amam provoca saudade. O coração reclama a presença do outro.

Nessas horas, apaixonados tornam-se poetas e surgem as mais belas expressões de amor e desejo.

O que eu ouço o mundo precisa saber
Pois eu sei que o que nós temos vale ouro
E eu me encharquei no teu amor
E o amor está junto ao meu caminho, e em meus punhos
E você e eu nos pertencemos

Esse é um dos trechos da música “Smack into you”, de Jon McLaughlin. A canção tem uma melodia linda. E, embora não tenha frases tão elaboradas como outras músicas já compartilhadas por aqui, traduz em toda intensidade a vontade de estar junto e de fazer ecoar tanto amor.

Eu quero correr, correr dar um beijo em você

Para compartilhar com os amigos do blog, optei pela versão interpretada por Beyoncé.

Gente precisa de gente

Faz mal viver sozinho

Em Pais e Filhos, Renato Russo dizia:

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há

Nem todo mundo tem essa habilidade: amar as pessoas. E não estou falando de romances. Falo de relacionamentos, amizades, convivência.

A solidão faz mal. Quem vive sozinho, sofre. Somos seres relacionais. Precisamos dos outros.

Que graça tem comemorar uma conquista sozinho? Que prazer existe em ser promovido e não ter com quem dividir a notícia? Que alegria há em ter um filho aprovado no vestibular e não ter pra quem contar? Até em dia de jogo do nosso time, a gente quer ter alguém ali perto… Seja pra falar mal do técnico, reclamar dos gols perdidos, do pênalti não marcado… Pra ter com quem vibrar ou chorar a derrota.

É no outro e com o outro que a gente se realiza.

Nos momentos de dor, também precisamos das pessoas. Quando perdemos a pessoa amada, queremos alguém pra nos abraçar. Se um familiar fica doente, carecemos de uma palavra de fé pra nos fazer seguir lutando. No luto por alguém próximo, contamos com um ombro amigo pra chorar.

Quem não tem amigos, não tem com quem partilhar risos ou lágrimas. E se isso acontece, o coração padece.

Apenas algumas poucas pessoas, geralmente os mais introspectivos, conseguem sentir prazer nos livros, nos filmes e em outras atividades solitárias… sem necessidade de estar junto, de relacionar-se. As demais – a maioria, eu diria – necessitam de gente.

Acontece que a vida na pós-modernidade nos leva à solidão. Se nos deixarmos ser consumidos pelo jeito contemporâneo de viver, acabamos ilhados.

Percebemos a falta que o outro nos faz. Podemos até não admitir muito. Alguns chegam a dizer: “eu não preciso de amigos”. Falácia! Todo mundo sabe que os relacionamentos dão significado para a vida.

Como a mulher pode ser feliz ao saber que está grávida e não ter uma amiga para contar?

Não dá. Relacionamento garante alegria, satisfação.

O problema é que, sendo difícil relacionar-se , a gente tenta disfarçar a solidão. Mergulhamos no trabalho, em atividades diversas, para não admitir que não temos amigos, que não temos com quem conversar, em quem confiar.

Procuramos nos manter ocupados para não sentir a dor da solidão.

Sim, porque ser sozinho dói. Faz mal para as emoções e para o corpo. Pesquisas mostram: as pessoas que acreditam não ter alguém que se importam com elas correm de três a cinco vezes mais riscos de desenvolverem doenças e morrerem de forma prematura.

Quem não tem com quem contar, com quem dividir sua vida geralmente desenvolve hábitos nocivos à própria saúde. Consumo de álcool, tabaco, drogas entre eles. Motivo? Sentindo-se solitário, a pessoa encontra nos vícios a companhia, a forma de anestesiar a dor.

Entretanto, a falta de relacionamentos verdadeiros pode ser mascarada por um tempo. A gente até consegue disfarçar a falta que o outro faz. Mas só por um tempo. Porque o coração reclama calor humano. Ocupar-se com o trabalho, com uma vida intensa – e até com as festas, músicas, sexo etc (afinal, é possível estar sozinho, mesmo “divertindo-se”) – apenas adiam o desespero.

No final, ninguém consegue reprimir. Não dá pra maquiar a solidão. Afunda-se então na ansiedade, estresse, pânico, depressão… e tantas outras doenças emocionais. Sem contar as doenças no corpo, resultado da agressão diária aos desejos da alma.

Sabe, não dá pra deixar a vida seguir assim:

Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.

A gente precisa de um lugar. Mais que isso, a gente precisa de gente. Felicidade se constrói com pessoas.