É mais difícil encontrar um amor na maturidade

Você já notou que quanto mais o tempo passa mais exigente ficamos? Parece que para agradar não pode ser qualquer pessoa; tem que ser A pessoa.

É natural. Tornamo-nos seletivos com o passar do tempo. E um pouco mais rabugentos também. Coisas que a gente tolerava, passa a não tolerar. Por isso, fica cada vez mais difícil encontrar um amor.

Quando as pessoas são jovens, deixam-se levar pela onda da paixão. Ficam “cegas de amor”. Não significa que não sabem distinguir o que é bom e o que é ruim. Significa que sublimam os defeitos, ignoram as bobagens feitas pelo parceiro.

E, movidas pelo desejo de estar e viver o outro, passam por cima das diferenças. Brigam, brigam, mas insistem… lutam pra ficarem juntas. Com isso, muitos dos problemas cotidianos, as diferenças que existem entre eles, são negociados. Ou… silenciados. Vão levando como se tudo estivesse bem.

Com o tempo, não damos conta de achar que está tudo normal. Se tem um problema, tem um problema. Ele se torna evidente. Um espinho entre o casal. Não solucionado, junta-se a outros e leva ao rompimento.

Quando se chega nessa fase, não importa quem será o parceiro, a atitude será semelhante. Os critérios de gosto estão muito bem definidos. Já se sabe o que se quer e o que não se quer. E como namorado, marido, namorada, mulher não se compra sob encomenda, tudo fica muito difícil.

Você não chega num balcão e diz:

– Quero um homem. Ele tem que ter 1m80, ser magro, olhos claros… Tem que ser gentil, educado, comer com a boca fechada, não roncar à noite, gostar da minha mãe, respeitar minha irmã, sair comigo pro shopping no fim de semana, não negar o cartão de crédito etc etc etc.

Isso não existe. A gente encontra alguém, gosta… sente-se seduzido, atraído… Mas com o tempo descobre coisas que incomodam. Acontece que, diferente do tempo de juventude, já há mais aquele “amor cego” e nem disposição pra ficar negociando o relacionamento, aparando arestas. Se estiver ruim, bota-se um ponto final.

O sujeito não está mais a fim de ter briguinhas por causa do tamanho do decote dela. A mulher não está mais a fim de ter que pedir pro sujeito evitar certas piadas quando estiver almoçando com a família… Ou ter que falar pra tomar banho depois do sexo. Ele e ela querem certas características no “pacote de acessórios”. Tem que vir de fábrica. No mínimo, tem que vir equipado com um radar capaz de ter a percepção de tudo que está incomodando no parceiro e mudar de imediato.

Infelizmente, do outro lado, também existe uma pessoa mais vivida, que também tem sua lista de exigências. Por isso, as coisas ficam mais complicadas. Por isso, um novo relacionamento na maturidade se torna mais difícil. Não significa que não aconteça. Acontece, mas, da mesma forma que não se briga mais por bobagens, também há maior resistência às mudanças… A pessoa quer ser aceita como é e, por outro lado, não deseja sentir-se desconfortável – o outro tem que ter a medida certa.

Esse é o tipo de descompasso que não tem conserto. Não tem receitinha. Pedir pra que tenha uma atitude quase inocente semelhante a dos mais jovens? Impossível. Resta apenas uma alternativa: o desejo de amar. Se a pessoa está disposta a amar, talvez tenha consiga desarmar-se, aceitar as diferenças e simplesmente viver o complexo ato de relacionar-se.

Na segunda, uma música

A lista de sucessos é grande. Os adjetivos usados para eles talvez sejam só deles. The Beatles foram os maiores. E qualquer coisa que se diga aqui, num post rápido, não traduziria o que representou a banda inglesa.

Para hoje, a música que compartilho não está entre as mais conhecidas – aquelas que todo mundo lembra sem ter de recorrer à memória. Entretanto, traduz uma bela declaração de amor. Eight Days a Week mostra que, para um apaixonado, sete dias é pouco pra dizer: “te amo”. Nesta composição, John Lennon e Paul McCartney reclamam uma semana de oito dias… E ainda assim não seria suficiente.

Eu não tenho nada além de amor querida
Eu te amo
Oito dias por semana não é o bastante para mostrar o quanto eu gosto de você

Mas eles insistem:

Uma coisa eu posso dizer, garota
Te amo o tempo todo

Vamos ouvir?