Tenho que aprender a não esperar tanto dos outros

Logo no começo do dia esbarrei nesta frase:

– Tenho que aprender a não esperar tanto dos outros.

Não lembro exatamente quem a escreveu. Apenas anotei. Fiquei pensando nas tantas vezes que criamos expectativas, imaginamos coisas, idealizamos reações.

Ninguém vive sozinho. Não somos ilhas. Por isso, desejamos a companhia de outras pessoas. Precisamos delas. E não apenas para dividir uma cama. Gente necessita de gente. Gente depende de gente. É pra conversar, é pra ouvir conselhos, é pra compartilhar alegrias… Ter um ombro pra chorar, ter um abraço pra confortar.

Na profissão, carecemos dos colegas. Não existe sucesso individual. Ninguém constrói uma carreira bem sucedida sem parceiros, sem pessoas que colaborem.

Na faculdade, é impossível dar conta de todas as atividades, trabalhos, leituras, provas etc sem amigos. São os companheiros de sala que tornam o ambiente mais agradável, dividem tarefas e fazem os anos de estudo, ainda que difíceis, tornarem-se divertidos.

Na vida, temos carência do outro. Mas o outro é isso: o outro. Até existem algumas pessoas que fazem-nos acreditar em alma gêmea. Alguns relacionamentos parecem até feitos sob encomenda divina; não falta sintonia. Entretanto, ainda assim o outro não é a gente. Tem seus próprios desejos, aspirações, desejos… E, por vezes, não responde nossas expectativas.

Quando li a frase “tenho que aprender a não esperar tanto dos outros”, pensei na possível decepção sofrida por essa pessoa. Talvez tenha sido motivada por um namorado… Quem sabe, uma amiga… Não sei. Sei que o tom é triste. Não há alegria. Existe frustração. É provável que essa pessoa não esteja experimentando a primeira decepção de sua vida. Mas sua frase traduz o desejo de não se entregar tanto, não confiar tanto… Proteger-se.

Acho que todos nós sentimos a necessidade de confiar em alguém. Gostaríamos de contar completamente com certas pessoas. E, em alguns momentos da vida, até pensamos ter encontrado esse alguém. Pode ser um amigo, um familiar… um amor. Mas, infelizmente, relações não são perfeitas. Nenhuma delas. Nem de trabalho, nem de escola, nem de família, de amor. Vamos nos magoar muitas vezes. Se formos feridos demais, duas coisas podem acontecer: nos isolarmos ou vivermos eternamente desconfiando das pessoas.

Cá com meus botões, ainda penso que devemos tentar uma terceira opção: simplesmente vivermos as relações sabendo que nenhum de nós é perfeito. Ninguém vai se encaixar nas nossas expectativas. Nem nós nos encaixaremos nas expectativas alheias. Seremos magoados, mas também vamos magoar, pois somos assim: contraditórios, seres errantes.