Mais que sexo, mais que prazer

Um jovem me procurou para desabafar. Tem apenas 17 anos. A juventude, porém, está comprometida por problemas. Embora herdeiro de um belo patrimônio, aluno de um dos melhores colégios de sua cidade, está afundando em problemas.

O garoto tem vida sexual ativa há três anos. É bissexual. Vive na noite, sai com garotos e garotas – conforme a ocasião. Em casa, usa drogas pesadas e os pais nem percebem.

Está infeliz. Desanimado. Só encontra prazer nas festas e nos entorpecentes. No dia seguinte, sente-se consumido e sem vontade de viver.

Depois de ouvir o relato, fiquei pensando no drama desse ainda adolescente. É difícil resumir as razões de seu vazio existencial. Mas, pelo tom da conversa, uma coisa chamou minha atenção: sua orientação sexual.

Ele não está feliz por sair com meninos e meninas. Entregou-se muito cedo aos prazeres da sexualidade numa busca por satisfação pra alma. Precisava viver grandes emoções. Como o coração permaneceu vazio, e deparou-se com os conflitos da ausência de relacionamentos verdadeiros, iniciou as experiências com drogas.

Sabe, não me considero um desses moralistas de plantão. Entretanto, noto que, na busca por serem livres, muitas pessoas têm enganado a si mesmas. Inclusive no que diz respeito à sexualidade e ao sexo.

Há uma glamourização do sexo. Há uma glamourização da liberdade sexual. E a própria bissexualidade virou moda. Sair com pessoas de ambos os sexos é “vendido” como algo legal. Ter diferentes parceiros é apresentado como a coisa mais natural do mundo.

Desculpe-me, tem algo errado nesse discurso. Penso que as pessoas devem viver o que desejam viver. É direito delas. As pessoas são livres. Mas, ainda que suas escolhas sejam orientadas pelo desejo, é preciso respeitar as próprias emoções, a sua subjetividade.

Prova maior de que o discurso é mentiroso está na insatisfação sexual das pessoas. Nunca se falou tanto de sexo, nunca se vendeu tanto pelo sexo, mas nunca as pessoas estiveram tão insatisfeitas entre quatro paredes. E o motivo é simples: projeta-se inclusive o prazer. O imaginário não corresponde à realidade. E as pessoas se frustram.

Não dá pra viver pelo que os outros dizem. É necessário respeitar a si mesmo. Não é porque todo mundo diz que sexo é bom que a garota deve transar com o primeiro namoradinho pra perder a virgindade logo como as demais colegas de turma. Não é porque as celebridades de plantão saem com homens e com mulheres e aparecem sorrindo nas capas das revistas que isso vai fazer bem pro seu coração.

Não é assim que funciona… Há um tempo certo pra tudo. Quem atropela o seu tempo na busca por uma felicidade fantasiosa, desrespeita a si mesmo. Afunda num mar de incertezas. Mais que isso, cada pessoa é única – tem um gosto, um jeito de ser, uma forma de desejar e amar. Não dá pra viver pela onda do momento. Uma noite de prazer não garante a felicidade do dia seguinte. Feliz é aquele que se sente pleno, realizado, amado. E para isso, embora não exista exigência de gêneros – se é hetero, gay ou lésbica -, há carência de relações verdadeiras, comprometidas.

O modelo “ninguém é ninguém” pode parecer muito divertido, mas não satisfaz o coração. Com raras exceções, sente-se falta de alguém pra chamar de seu. Alguém que garanta prazer além da cama. Que seja aquela pessoa com quem a divide a alegria de uma conquista ou compartilha uma notícia triste. Alguém que transcenda sussurros ou frases excitantes; alguém que seja capaz de ouvir, de ter as palavras certas, de oferecer o ombro… o abraço desejado.

Talvez quando as pessoas aprenderem a se respeitarem mais, deixarem de viver sob a imposição de modelos prontos, forem de fato “donas do próprio destino”, sem se importarem com o que os outros vão dizer… Talvez, quando isso acontecer, consigam encontrar respostas para esse vazio existencial, que incomoda e rouba a alegria de viver.

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3 comentários em “Mais que sexo, mais que prazer

  1. Caro colega: acredito que o vazio faz parte da condição humana.
    Qdo admitimos e percebemos o fato, encaramos de forma tranquila a sensação de fragilidade que nos invade de tempos em tempos. Isso permite que sejamos, por vezes vulneráveis. Aceitando essa nossa fragilidade encontramos estabilidade interior e conseguimos discernir o que nos faz ou não felizes. Esse tipo de comportamento humano e geral descrito no texto muito preocupa….porque as pessoas vivem insatisfeitas!!! 😦 e acabam distorcendo conceitos e agindo de uma maneira lamentável.

  2. Esse vazio existencial, é falta de DEUS na vida deste jovem, o ser humano não é somente um corpo, nós temos uma alma, e quando se vive na “carne” desrespeitando a si próprio com drogas, álcool, sexo sem amor, as consequências são depressão, desanimo, insatisfação etc…

  3. Pascal escreveu: “Há um vazio no formato de Deus no coração de todo homem”. Logo, Um espaço de tamanho igual a Deus só pode ser preenchido pelo próprio Deus.

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