Relacionamentos idealizados

O que você espera dele? O que deseja encontrar nela? Relacionamentos também são construídos sob expectativas. A gente idealiza coisas. Pensa em como deveriam ser. Espera por determinadas reações.

Ela te faz uma pergunta, você responde e…
– Hum… por que me disse isso? Deveria ter dito aquilo.

Às vezes, até a pergunta que ela faz tem uma resposta prevista. Não a sua; a dela, é claro.

Expectativas estão em tudo. Antes, durante e depois do relacionamento. Sim, porque até quando o romance acaba, algumas reações são desejadas.

Sabe, antes de o relacionamento começar, muita coisa passa pela cabeça. A mente humana é incrível, criativa. E trabalha sob perspectivas reais e imaginárias. O mundo ao redor, relacionamentos conhecidos ou vividos apenas no cinema dão cor e tom aos nossos desejos.

Pinta-se o sujeito ideal. A garota perfeita. O parceiro tem gestos previstos, tem palavras, discursos encantadores… Tem atitudes admiradas. Na mente, a pessoa amada está pronta. Ela até tem defeitos, pois o cérebro nos avisa que todo mundo tem defeitos, mas os defeitos, em nossos sonhos, não incomodam. São silenciados pelo comportamento nobre, digno de alguém que sabe amar, que valoriza a pessoa amada.

Vez ou outra, a garota conhece alguém… E, de longe, vislumbra tudo que desejou. Ou, quem sabe, pelo menos pareça ser a resposta as suas preces.

– Dessa vez, não vou errar.

Talvez ele seja bonito, tenha um ótimo papo… Cultive um humor capaz de tirar um sorriso mesmo em dias ruins.

Parece perfeito. A concretização das expectativas. É hora de se entregar.

Acontece que nem sempre sai tudo como previsto no script. Por vezes, as expectativas são frustradas. E o relacionamento dos sonhos torna-se só mais um na lista de decepções. Às vezes, a pessoa por quem se apaixonou nem era das piores, mas as expectativas geradas eram tão grandes que, atendê-las, estava acima das possibilidades do outro.

Já escrevi aqui sobre relacionamentos exigentes, sobre as chatices cotidianas… e até mesmo sobre a idealização do romance. Entretanto, noto que num tempo em que os compromissos são frágeis e as bases do relacionamento são egoístas – estão voltadas para a realização da satisfação pessoal e ao prazer (principalmente sexual) -, gente que ama de verdade é coisa rara. Mas o desejo humano segue ali, incomodando, reclamando um relacionamento firmado em sentimentos verdadeiros, fidelidade, carinho, compreensão, atenção… Por isso, o coração sente-se solitário, vazio, infeliz… E esse é o campo ideal para o desenvolvimento de tantas expectativas.

Cá com meus botões, acho as expectativas necessárias. Não devemos exagerar, é claro. Mas elas são o resultado dos nossos desejos, daquilo que a gente quer pra gente. Porém, também penso que, para não viver se machucando, quem está à procura de um amor deve ter mais cautela. Prudência mesmo. Essas palavras estão fora de moda, o negócio agora é curtir, aproveitar, ver onde vai dar. No entanto, não acredito que o coração goste tanto disso. De vez em quando, perder a razão pode até fazer bem. Mas relacionamentos de verdade são construídos… E uma construção implica tempo. Saber esperar.

Por isso, quando se conhece alguém, por mais que pareça ter as marcas idealizadas em nossos sonhos, ir devagar ainda é a melhor estratégia para não sofrer depois. E se o outro tiver pressa, está aí um primeiro sinal de que as coisas não vão ser tão boas quanto se deseja.

Ninguém conhece ninguém em dois encontros. Ninguém conhece ninguém em dois meses de convivência. Conhecer é conhecer. É conhecer quando se está feliz ou triste, quando se está bem ou com raiva. Conhecer é saber como o sujeito trata pai, mãe, irmãos… colegas de trabalho. Como é no trânsito? Respeita as pessoas? Cumprimenta o porteiro? Maltrata o pedinte? Ah… e animais. Sim, como esse camarada por quem você está apaixonada trata os bichos domésticos? Será que ele é louco para atropelar um cachorro?

O que ele acha do sexo? Você vai primeiro pra cama pra depois descobrir o que ele pensa sobre o assunto? E aqui não estou falando se ela gosta muito ou não… Nem de posições, de quantidade de vezes…

Talvez o papo por aqui esteja chato… Mas, cá com meus botões, ainda entendo que somos importantes demais para sermos tão descuidados com a escolha das pessoas que entram em nossa vida. Se você se ama, dê uma chance a você. Não estou sugerindo pra ser egoísta, apenas se respeitar. E entender que relacionamentos são mais felizes quando construídos sem pressa, vivendo cada coisa a seu tempo.

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11 comentários em “Relacionamentos idealizados

  1. é isso aí mesmo, Nezo!!!
    já até pensei em outro tema: “quando falta intimidade”
    mas pensando melhor, acho que eu vou começar meu próprio blog!!!!
    hahaha

  2. Olá Ronaldo ,

    Sou professora e psicóloga gosto muito dos seus textos , sempre claros e bem objetivos ,
    aprendo sempre com leitura dos mesmos.

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