Trabalhar de biquíni não é prostituição

A afirmação não é minha. É da panicat Babi Rossi. A mesma que teve a cabeça raspada, ao vivo, no programa Pânico, da Band.

Em entrevista a revista Quem, ela defendeu seu trabalho e respondeu as críticas daqueles que a julgam por se apresentar de biquíni no horário nobre da televisão.

Falam que somos garota de programa, só porque você está de biquíni. Mas, gente, é uma beleza, é tão natural, o corpo humano é tão bonito. Adão e Eva nasceram pelados! Deus fez a gente assim, então, qual é o problema? Eu estou ali de biquíni, mas estou trabalhando.

Babi tem razão. Exibir o corpo na telinha não a define como prostituta (embora a prostituição também possa ser um trabalho). O fato de desfilar diante das câmeras com biquínis minúsculos não significa que seja garota de programa. E ainda que outras colegas de Pânico já tenham agido como prostitutas de luxo, ninguém pode dizer – até que provem – que ela também faça sexo por dinheiro.

Enfim, como já disse por aqui, não é o tamanho da roupa nem o que a pessoa veste que define o que ela é.

Entretanto,  embora o corpo humano seja bonito – em especial, os dessas garotas, escolhidas por seus atributos físicos para se exibirem na televisão -, Babi não pode negar que se vende. A panicat não pode posar de inocente. Ninguém desfila com pouca roupa diante de câmeras de TV porque é um “traje” mais confortável. A razão é conhecida: mexer com a libido do público, seduzir, provocar e garantir audiência.

Ou seja, meninas de biquininho na TV são estratégia de audiência. É pra prender sujeito mal resolvido na frente na televisão… A proposta é jogar com o desejo, com a vontade. Essas garotas estão ali para chamar a atenção do público não pelo conteúdo intelectual do programa, mas sim porque seus corpos atraem olhares, despertam o que há de mais instintivo. Ainda que não passem de experiências imagéticas, essas garotas atuam no campo do prazer.

Panicats e afins – bailarinas, auxiliares de palco etc – podem não vender seus corpos para o sexo. Mas os entregam a um outro mercado: o do espetáculo e da sedução vulgar. Vendem seus corpos como produtos que atendem a um desejo voyer do telespectador. Elas não estão ali porque falam bem, porque têm grandes ideias, porque são geniais. São mulheres que aceitam ser objeto… objeto de desejo, mas objeto. O produto delas não é o conhecimento. É o corpo. Por isso, também são descartáveis. Têm data de validade – como qualquer outra mercadoria.

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E quem fiscaliza o governo?

O governo federal quer criar um instituto para avaliar as faculdades particulares. Não é um instituto qualquer. É um SUPER instituto. Será preciso, inclusive, criar mais 550 cargos. Inchar ainda mais a já inchada máquina pública.

Quando li a notícia, fiquei pensando no que isso significa. Tem muita faculdade ruim no país. Muita gente que faz do ensino um comércio. E sem compromisso algum com a formação dos alunos. Entretanto, seria preciso criar mais um órgão para cuidar da qualidade dessas faculdades?

Cá com meus botões, entendo que não. Claro, o Ministério da Educação deve ter bons argumentos. Mas, convenhamos, existem sistemas de avaliação que indicam se a faculdade tem ou não problemas. E, com base nas notas dos próprios alunos, é possível determinar inclusive o fechamento de cursos.

É verdade que o novo instituto teria mais poderes. Na verdade, superpoderes. Também é verdade que seria um órgão específico para tratar das questões envolvendo as faculdades particulares. E elas representam 88% das instituições de ensino superior do país. Ou seja, o país deve sim ter mecanismos de controle de qualidade. Porém, no Brasil, a coisa é esquisita. Não se aproveitam as estruturas existentes; criam-se novas. E a máquina vai inchando… os gastos públicos vão crescendo… e o povo paga a conta. No caso, mais de R$ 43 milhões.

Sabe o que é pior? Essas coisas acontecem e a população ignora. Nem percebe. Infelizmente.

Sinceramente, ainda acho que, se fosse pra criar um mecanismo de fiscalização, este deveria ser destinado a cuidar da educação básica, da educação fundamental. E na esfera pública. Essas sim têm sido ignoradas, estão em estado de abandono e não têm políticas adequadas para reverter sua falência.