Agressões autorizadas

Na frente dos amigos, ele humilha você. Faz brincadeiras de mau gosto, te faz sentir ridícula. Quando estão juntos com a família dele, você é ignorada. Se vocês se encontram com seus pais, ela fecha a cara, fica emburrada, não fala com ninguém. No restaurante, toda vez que você olha do lado, ela pisa no seu pé e fica te acusando de estar olhando as “safadas” que transitam no local.

Pois é… Não são raros os relacionamentos que situações como essas se repetem. Essas e tantas outras. Pode ser ele. Pode ser ela. Não importa. Homens e mulheres podem vir com “defeito de fábrica”, serem mal amados, inseguros… Ou, simplesmente, chatos. Daqueles que não servem pra dividir uma vida. São pessoas problemáticas que precisam de tratamento. E não é o relacionamento que vai “curá-las”. 

Tem casos piores. Há homens, os machões de plantão, que se sentem no direito de serem donos. Mandarem. E não se envergonham de dizer:

– Se ela bobear, dou-lhe uns tapas e coloco essa mulher na linha.

Sim, estamos em pleno século XXI, mas ainda existem homens que acham natural mandar na mulher. Gritar com ela. Ou mesmo, bater.

Mas, sabe… Gente assim só age dessa forma porque encontra na parceira – ou no parceiro – alguém frágil, que aceita passivamente o comportamento agressivo, arredio, ciumento ou mesmo vingativo do outro.

Embora não exista um contrato, um papel formalizando o que pode e o que não pode, relacionamentos se baseiam em acordos. O outro vai até onde eu deixar. Como tenho dito, num relacionamento maduro, esses limites se negociam – podem ser flexibilizados. Mas a gente flexibiliza aquilo que não machuca, que não faz mal.

Parceiro que é humilhado pela parceira não deve se sentir feliz com isso. Muito menos uma mulher que apanha do namorado ou do marido. Entretanto, essas coisas só prosperam no relacionamento porque uma das partes se omite, se silencia e deixa o outro se sobrepor.

Nunca tive comportamento agressivo. E abomino que se grite ou haja xingamentos dentro do relacionamento. É proibido. Entretanto, recordo que, no início do namoro, ouvi a frase:

– Nunca me toque. Se me der um tapa, vai levar outro e nunca mais você vai chegar perto de mim.

Podia soar estranho para um começo de relacionamento, mas ali estava um limite claro. Ela não me conhecia o suficiente para saber como eu agiria num momento de tensão. Porém, o limite estava posto. E da maneira mais objetiva possível.

Certas coisas acontecem no relacionamento por três razões: falta diálogo, falta limite, falta amor próprio. Quando a gente fala o que gosta e o que não gosta, deixa as regras bem acertadas, só dá errado se o outro não nos amar e nos respeitar. E se essa pessoa “atropela” os limites, entra o nosso amor próprio. Quem não me respeita não é digno de mim. Simples assim.

Parceiros que humilham, ignoram, tiram sarro, agridem – verbal ou fisicamente – só fazem isso porque encontram do outro lado alguém que os autoriza.

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