Malafaia, religião e a manipulação eleitoral

Tem atitudes que fazem a gente sentir vergonha. Hoje, senti vergonha ao ler o que disse o pastor Silas Malafaia sobre a disputa de segundo turno em São Paulo. Como cristão que sou, não consigo conceber que um líder religioso seja capaz de comprar uma briga política. Muito menos de, usando seu prestígio, se prestar a esse tipo de serviço sujo.

Líder evangélico diz que vai ‘arrebentar’ candidato petista

Arrebentar??? Socorro, né!!

A fala despropositada de Malafaia virou manchete. E esta daí é a que aparece na edição online da Folha.

Sabe, não gosto de pastores, padres etc etc se envolvendo com campanhas políticas. Entendo que a igreja (todas) tem um papel político. No sentido de politizar, conscientizar, educar. Mas não de orientar o voto.

É ridículo quando uma igreja se posiciona a favor de um candidato. Isso é manipulação. Manipulação desavergonhada.

Fiéis geralmente confiam em seus líderes. E, por vezes, cegamente. Por isso, são presas fáceis. Votam porque o pastor mandou. Votam porque o pastor pediu. Votam porque o padre orientou. Votam porque o líder religioso falou que fulano é isso ou aquilo…

Caríssimos, isso não pode. Ou, pelo menos, não deveria ser assim.

Quando gente como Malafaia se presta a esse tipo de serviço, rompe com o processo democrático. Desrespeita a individualidade das pessoas. E o próprio equilíbrio da disputa eleitoral. Fiéis viram, de fato, um “rebanho” – uma manada de tolos conduzidos pelo caminho escolhido por seu “pastor”.

Líderes religiosos têm sim função social. Mas não papel político eleitoral. Um povo educado deveria rejeitar atitudes como a de Malafaia. Pessoas que usam o púlpito e o prestígio religioso para empreenderem campanhas desse tipo não merecem o lugar que ocupam.

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10 comentários em “Malafaia, religião e a manipulação eleitoral

  1. Acho mais correto se manifestar a favor ou contra uma candidatura, do que não ter coragem de dizer o que todos sabem, principalmente aqui em Maringá do apoio de “certas religiões” ao grupo dos Barros. Quem não consegue detectar isto, ou é ignorante ou usa de má fé.

  2. Concordo. Hoje por exemplo, recebí um email falando que católico não deve votar no PT. Olha o absurdo um padre dizendo que quem vota nesse partido, automaticamente, será excomungado. Padre vai fazer o que lhe cabe, que será mais útil… ridículo.

  3. Texto maravilhoso, amo este blog…principalmente porque você não tem medo de colocar no papel ou na tela, o que muitos pensam mas o medo não deixa se expressar.

  4. Acredito que os líderes religiosos devem se envolver sim na política,mais para conscientizar,instruir e defender o direito daqueles que não tem voz nem vez.
    Mais jamais instruir o voto de seus fieis,dizer que vai ‘arrebentar’ o candidato concorrente,ai já é o cúmulo em Malafaia.

  5. Achei o seu post muito pertinente, visto que há algumas semanas antes da eleição, tive o desprazer de presenciar na igreja que frequento, ao final da pregação religiosa, um discurso para os que estavam presentes apoiarem um candidato a vereador, que, por sinal, foi reeleito aqui em Maringá.

    Particularmente, achei uma tremenda falta de respeito com as pessoas que frequentam àquela igreja. Só porque o candidato é membro da igreja, isso não lhe dá o direito de aproveitar-se das condições, entretanto, foi isso que aconteceu.

    Sei que a igreja não está livre de questões políticas, porém, acredito que os seus representantes como padres, pastores, etc. não têm o menor direito de influenciar nas escolhas dos eleitores. Afinal de contas, fazendo isso, eles se colocam à frente se achando no direito de saber o que é bom para cada um, e, desta forma, ferem a individualidade, interferem no processo democrático entre outros. É bem como você disse: “Isso é manipulação. Manipulação desavergonhada. Fiéis geralmente confiam em seus líderes. E, por vezes, cegamente. Por isso, são presas fáceis. Votam porque o pastor mandou. Votam porque o pastor pediu. Votam porque o padre orientou. Votam porque o líder religioso falou que fulano é isso ou aquilo…”

    Não estou discutindo o candidato em si, mas a postura inadequada que foi tomada. E, tanto a igreja, como esse candidato deveria saber disso.

    Depois do episódio, eu que nunca tive motivos para discordar ou criticar qualquer coisa nessa igreja, fiquei revoltada ao ver que expuseram o candidato, colocando-o lá na frente para que todos orassem por ele. E ao final, ainda reforçaram o fato de que o mesmo fazia parte dessa igreja, uma das maiores e mais conhecidas de Maringá. Tudo isso sem o menor remorso em utilizar um ambiente religioso para fazer o apelo a fim de alcançar os próprios interesses. Infelizmente, nem dentro da igreja estamos livres de sermos manipulados.

  6. é lamentável quando me deparo com esse tipo de coisa,um líder religioso usando a fé dos fiéis para manipular,pragando o ódio e a intolerância e o preconceito.e muitos cristão deixa se levar por eles,malafaia pra mim ele não passa de um desequilibrado,e um doente mental que precisa se tratar,e ainda se envolve na politica demostrando o seu desequilibro emocional,opinando em quem as pessoas devem votar,ele precisa saber, que ele não manipula toda a massa religiosa. religião e politica não se combina,a igreja deveria ficar neutra:

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