Quando esperar?

O momento é da pressa, da velocidade. Defende-se a agilidade, a decisão rápida. E eu gosto disso. Não acho produtivo perder tempo. E adiar, muitas vezes, só retarda o sofrimento.

Por que esperar pra pedir perdão para aquela pessoa que você magoou? Por que não enviar currículo para a empresa na qual sonha trabalhar? Por que não começar a estudar hoje para o próximo vestibular? Se está com suspeita de alguma doença, por que não procurar o médico amanhã? Se tem um colega que vive fazendo brincadeiras que te incomodam, por que não dizer isso para ele?

Por que adiar o fim de um relacionamento que te faz mal? Se você ama uma mulher maravilhosa, por que não dizer, por que não procurá-la ainda hoje… ou, pelo menos, criar a estratégia acertada para abordá-la ainda esta semana? Se tem certeza de seu amor, por que não pedir sua namorada em casamento?

A vida passa depressa. E é uma só. Não dá pra esperar. Quando adiamos decisões, abrimos mão de viver.

Entretanto, será que sempre acertamos ao ter pressa? É preciso admitir que não. Uma resposta apressada a um email pode magoar alguém. Uma fala fora de hora, de maneira não pensada, pode afastar uma pessoa que você ama. Dizer não a uma possibilidade, sem estudar as consequências, pode fechar uma porta que jamais voltará a se abrir.

E mesmo num relacionamento, ainda que esteja te fazendo mal, será que já foram feitas todas as tentativas para dar certo? Será que não há mais nada a fazer? Será que a culpa é só dele? E você, já se questionou se não tem contribuído para a infelicidade do casal?

Sabe, fazemos tantas coisas hoje que corremos o risco de não avaliarmos o que realmente é importante. Por isso, a pressa pode ser perigosa. Objetividade é uma coisa bem diferente de inconsequência. Ser objetivo é não perder tempo com aquilo que é irrelevante, ou já está esgotado (não há mais nada pra fazer). Ser inconsequente é ignorar o valor das coisas, das pessoas e das próprias decisões.

E, quando se tratam de pessoas, principalmente, temos gastado pouco tempo. Acelerados como estamos, atropelamos o sentido de ser humano. Porque ser gente é ouvir, falar, tocar, sentir… amar.

Respondemos de forma apressada. Não ouvimos as pessoas. Abraçamos, mas não sentimos o calor do corpo. Beijamos, mas nem tocamos… E, mesmo na cama, tem gente que faz sexo da mesma forma que se come um pedaço de pizza. Tudo mecânico, só corpo. Nada de alma. Chega-se ao ponto de, após uma semana, não lembrar que transou na última terça-feira.

Sim, para algumas coisas é preciso desacelerar. Decidir sem pressa. Envolver-se pra sentir. Parar pra ouvir… Mergulhar com intensidade na própria vida e na vida das pessoas que a gente ama para, de fato, viver.