Relacionamentos mudam

Idealizamos coisas, idealizamos pessoas, idealizamos relacionamentos. É natural. Às vezes, precisamos de um choque de realidade para entendermos que existe uma diferença entre a imagem projetada e a vida concreta, aquela que se faz e se experimenta no dia a dia.

Dias atrás, escrevi aqui sobre as expectativas que criamos em torno de um relacionamento. Entretanto, mais que frustrar muitas expectativas após a experiência real de um romance, há outro aspecto que por vezes é ignorado: relacionamentos mudam. Sim, mudam. Não necessariamente para pior, mas mudam.

Os jovens, principalmente, são mais ingênuos. Acham que é possível fazer dos primeiros seis meses um modelo de vida. Por isso, frustram-se muito rápido. E como vivemos um tempo de egoísmo absoluto, as mudanças na dinâmica do casal causam decepção, desgosto e esfriam o romance.

Ontem, enquanto conversava com algumas alunas, descobri que uma delas está com o mesmo namorado há sete anos. Começou aos 13. Hoje, tem 20. E está satisfeita.

Fiquei feliz por ela. Embora ainda seja garota e tenha começado tudo muito cedo, optou por ter um companheiro estável, um relacionamento calmo e com planos para o futuro. Já formam um casal. E também descobriram que relacionamentos mudam. E não necessariamente para pior.

Afinal, o que seria mudar para pior? Para a maioria, quando aquela chama dos primeiros meses começa a abrandar, o relacionamento perdeu a graça. É preciso começar outro.

Eu discordo.

Sabe, quem espera que o romance preserve as características de sempre, não sabe o que é amar.

É natural que, no começo, exista um desejo intenso de não desgrudar, de falar o tempo todo, de estar sempre junto. É normal que o sexo seja cheio de novidades, descobertas… loucuras. Entretanto, o tempo faz isso tudo mudar. Os parceiros ficam, digamos, mais calmos. Desejam ter de volta um pouco da individualidade, do próprio canto e até sentem falta de voltar a ficar ou sair com os amigos – sem, necessariamente, a presença do parceiro.

Nem todo mundo entende isso. Acha que porque ele prefere sair pra uma assistir uma partida de futebol com os amigos, já deixou de gostar dela. Pensa que, por ela ter preferido passar a noite na casa das amigas, não tem o mesmo interesse por ele.

E sabe o que é mais curioso? Às vezes, a própria pessoa acha que desgotou do parceiro por estar sentindo vontades que tinha silenciado nos primeiros meses de relacionamento. Se isso acontece, está feito o estrago. Porque quando a gente passa a acreditar nas imagens que a gente cria, as imagens se tornam a própria realidade. Ou seja, o relacionamento esfria mesmo.

Esse é um dos problemas do casamento. O casamento é diferente do namoro. Começa pelo básico… Por não morarem juntos, se encontram para coisas prazerosas. Quando moram juntos, passam a dividir espaços e problemas do cotidiano.

Olha o quadro…
No namoro; ela tem um dia ruim na empresa. Chega em casa, toma um banho e pensa: “ah… vou chamar o fulano pra sair um pouco, beber alguma coisa, namorar… esquecer esses problemas”.
No casamento; a mesma situação: ela tem um dia ruim na empresa. Chega em casa, o namorado agora virou marido. E ele também teve um dia difícil. Então, a casa vira o palco dos problemas dos dois, porque, ao chegarem, tem louça na pia, banheiro pra lavar, roupa pra passar… E se esquecem que, uma saidinha pra aliviar como faziam na época de namoro, pode ajudar a tornar a vida mais leve, mais prazerosa.

Mudanças não precisam ser ruins. Aquela loucura dos primeiros meses passa, é verdade. Mas tem uma coisa que só o tempo traz: intimidade. Um casal que se ama pode usar o tempo a seu favor, desenvolvendo uma intimidade maior, uma cumplicidade, um respeito… coisas que se adquirem com a convivência. Duas pessoas que acham que o romance vale a pena podem crescer juntos – inclusive na cama. Ao saberem de hábitos, costumes… conseguem prever comportamentos, reagir a eles e se apoiarem nos maus momentos. Isso só existe num relacionamento maduro.

E se a rotina acaba com as ligações do início do dia, as mensagens trocadas no meio da manhã, a conversa fácil no horário do almoço, as horas ao telefone na madrugada… Pode-se alimentar o relacionamento com um bilhete do lado da cama, um recadinho no celular no meio da tarde, uma música enviada por email. A dinâmica do relacionamento muda, mas o desejo de querer e fazer bem não precisa mudar.

Portanto, as mudanças só se tornam ruins, quando acaba o respeito, a vontade de estar junto… e abandona-se o empenho inicial de ser o principal motivo do sorrir de seu parceiro.

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9 comentários em “Relacionamentos mudam

  1. Mudanças não precisam ser ruins. Aquela loucura dos primeiros meses passa, é verdade. Mas tem uma coisa que só o tempo traz: intimidade. Um casal que se ama pode usar o tempo a seu favor, desenvolvendo uma intimidade maior, uma cumplicidade, um respeito… coisas que se adquirem com a convivência. Duas pessoas que acham que o romance vale a pena podem crescer juntos – inclusive na cama. Ao saberem de hábitos, costumes… conseguem prever comportamentos, reagir a eles e se apoiarem nos maus momentos. Isso só existe num relacionamento maduro.

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