Eu me arrependo…


Eu me arrependo de não ter tentado mais, insistido, acreditado. Fiquei com medo. Estava insegura e perdi o grande amor da minha vida.

Não faz muito tempo que ouvi esse relato. Com o coração triste, ela tentava dizer que estava muito arrependida. O tempo e as consequências de suas escolhas levaram-na a perceber que cometeu erros e, por isso, estava arrependida.

Lembrei dessa história dias atrás quando recebi a sugestão para falar sobre arrependimento. Eu até brinquei:

– Hum… Não sou muito bom para falar sobre isso. Não é um sentimento que conheço bem.

O assunto acabou virando brincadeira, mas fiquei com vontade de escrever sobre o assunto.

Do ponto de vista cristão, o arrependimento é fundamental para se receber o perdão divino. Quando o homem peca, ao reconhecer seu pecado, deve arrepender-se. Só o arrependimento genuíno leva ao perdão. Porém, quando se arrepende, confessa o erro e pede perdão a Deus, busca-se não voltar ao passado. Os textos sagrados dizem que o Divino lança nosso passado no fundo do mar. Portanto, aquele pecado não existe mais. Ou seja, a pessoa está livre. Não há razão para continuar se culpando.

Bem, mas não é desse arrependimento que estou falando – embora a sabedoria cristã possa trazer algumas sugestões de como lidar com as situações sobre as quais não temos controle.

Na vida, arrepender-se de algo que a gente fez ou deixou de fazer é muito natural. Quem nunca descobriu depois de um tempo que cometeu a maior besteira de sua vida? Pode ser por uma escolha profissional ou a perda de um amor.

Não acertamos sempre. Errar é consequência de ser humano.

Mas viver se culpando, passar o tempo todo pensando no que podia ter sido feito e não foi feito é martirizar-se. Esse tipo de arrependimento não produz crescimento; só faz sofrer.

Duas coisas são necessárias para não se arrepender no futuro. A primeira é ter consciência plena de que somos influenciados pelo momento e que nunca teremos uma visão completa da realidade. Ou seja, nossa capacidade de julgamento no aqui e agora é limitada. A segunda é fazer que estiver em nossas mãos. Entregar-se, mergulhar, com responsabilidade e sem precipitação. Ser prudente sim, mas nunca deixar de fazer o que pode ser feito. É muito melhor, no futuro, poder dizer “eu fiz tudo que podia fazer para dar certo” que viver se lamentando por ter fugido. A vida a gente enfrenta, não foge.

E para aqueles que convivem com arrependimentos e culpas, não existe receita. Só há uma coisa a fazer: aceite-se, perdoe-se. Você fez o que achou que devia fazer. Errou? Errou. E daí? Já foi, passou. Aceite o passado, perdoe você mesmo e use os erros. Transforme-os em sabedoria para lidar com o presente e construir o futuro.

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2 comentários em “Eu me arrependo…

  1. Sabe, Ronaldo, eu aprendi tudo isso, do jeitinho que você escreveu… e na prática! E foi só quando entendi que naquele momento da decisão A ou B eu estava presa ao entorno daquela situação, só então é que consegui perdoar-me no “depois”. A nossa dificuldade é tentar optar novamente AGORA, em uma hipotética situação acontecida NAQUELA hora… outro momento, outra condição, outros pensamentos. Enfim, é assim que crescemos. Voilá…Grande abraço ” procê”!

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