A dúvida mata a gente

A frase não é minha. Ouvi na última segunda-feira. É de uma mulher madura, casada, três filhos. Ela está insegura. Pediu demissão, mas não sabe se fez a coisa certa. Está deixando o emprego para cuidar do filho pequeno. Porém, tem medo de ter errado na escolha.

Foi com a frase, que virou título do post, que ela encerrou o breve comentário que fez sobre estar deixando a empresa.

Ela tem razão: as dúvidas judiam do coração. Inquietam. Roubam a paz.

Acho que todo mundo, vez ou outra, sofre com dúvidas. Sempre que há necessidade de decidir, bate uma certa insegurança.

Essa colega já tomou uma decisão. Escolheu. Porém, mesmo tendo feito uma opção, ainda não se sente segura. Não tem certeza se fez o certo.

Emprego, estudos, casamento, namoro… Gente ou coisas. Ficar ou não ficar. Ter ou não ter. Comprar ou vender. Tudo gera dúvidas.

E sabe o que é pior? Por vezes, a pessoa decide convicta de que fez a escolha correta, mas depois se arrepende.

Isso acontece. E acontece por um motivo: nossas escolhas são feitas com base no que conhecemos agora. Nas informações que temos hoje.

Amanhã é outro dia. Teremos outras experiências. A escolha feita já estará “testada”; saberemos se valeu ou não a pena.

Entretanto, ainda que venhamos concluir que fizemos bobagem, quem pode garantir que a outra opção que tínhamos seria a melhor?

Ninguém.

Também sofro diante de determinadas situações. Até pela minha natureza mais introspectiva, racional, faça uma verdadeira viagem de prós e contras. E, quando decido, nem sempre estou plenamente seguro.

A dúvida de hoje pode causar o arrependimento de amanhã. Porém, como já disse aqui, aprendi que não temos controle de tudo. E não é porque escolhi algo, que deu errado, que fiz bobagem. Posso concluir que foi bobagem amanhã; mas, hoje, entendi como a melhor opção. Mas… o que justifica sofrer por uma consequência ainda desconhecida?

Então, mesmo que existam dúvidas, a vida segue. Não devemos ser inconsequentes, mas não vale a pena esgotar-se pelo desconhecido.

Anúncios

2 comentários em “A dúvida mata a gente

  1. Verdade! “Ser ou não ser?”
    O que importa é que sendo ou não sendo, estamos sempre escolhendo. Não conseguimos nos livrar desta responsabilidade. É o livre arbítrio, a que fomos condenados, para salvação de nossa alma. Mas precisamos nos acolher a nós mesmos em nossas escolhas, certas ou erradas. Só o tempo vai falar mesmo. “Pois…se ninguém te condena… eu também não te condeno!” Se nos autocondenarmos, nos nomearemos juízes do mundo. Se não nos “perdoarmos”, ninguém nos perdoará. E sem perdão e sem acolhimento, é o inferno!
    Dúvida na hora da escolha é normal, mas dúvida depois é torturar-se em vão, pois o tempo não volta atrás. Só nos cabe mudar o passado, fazendo outra escolha no presente, em ato de novo. O amanhã sempre transforma nossa vida em passado, mas também nos apresenta o presente! E com novas dúvidas!
    Sou bastante avessa a “certo/errado”. Exitem momentos/momentos, focos/focos, visão/visão, necessidade/necessidade, etc. Foi o que deu pra fazer… define mais exato cada situação. É mais real e humano, mais alcançável, e mais misericordioso.
    Eu diria pra esta amiga que ser mulher abrange o universo SER MÃE. E neste universo, quem tem primazia é o coração. E, importante saber, o coração não perdoa!

    Amigo, obrigada mais uma vez por este espaço! Refletir sobre coisas aparentemente tão simples, mas na real tão importantes! Acompanho regularmente, e tem assuntos que me instigam mais do que outros a responder… Mas todos, de modo geral, me desafiam a refletir e ponderar.

    abraço

  2. Verdade! “Ser ou não ser”, eis questão…
    Certo entretanto é que sendo ou não sendo, a responsabilidade da escolha é sempre nossa. Não conseguimos nos livrar desta condenação, desde o livre arbítrio recebido por graça divina, que, afinal, nos traz a salvação da alma.
    Ter dúvida na hora da escolha é normal, mas alimentá-la depois é toturar-se em vão, pois nada muda o passado. Só o tempo dirá de nossos acertos ou erros. O futuro sempre nos transforma em passado, mas também nos traz o presente. É nesta dimensão psicológica (no presente, em ato) que podemos mudar tudo, passado, presente e futuro. Sou um tanto avessa a estes termos “certo/errado” Acho mais adequado “foi o que deu pra fazer…” Não só mais adequado, mas mais alcançável, mais humano, mais misericordioso.
    Se ninguém te condena, eu não te condeno…
    Autocondenar-se nos autocondena a juízes do mundo, e isto pesa demais sobre nós. Perdemos a alegria de viver, a espontaneidade, o prazer.
    Eu diria a esta amiga que ser mulher, passado, presente ou futuramente, se reveste de ser mãe, biológica ou emocionalmente. Isto abrange o universo do coração. E o coração não perdoa escolhas erradas! Erro maior para o coração é deixar-se levar pelo cérebro. Refletir faz parte dos instrumentos humanos para autopreservar-se e evoluir. Mas refletir precisa acontecer também sobre os sentimentos. Optar pelo coração, faz parte. E o coração não perdoa, se ignoramos isto!
    Obrigada mais uma vez, amigo, por este espaço de reflexão. Coisas aparentemente simples demais, mas importantes de compartilhar idéias, para uma convivência mais harmoniosa, neste universo humano por vezes tão complicado!
    abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s