Quer ser meu amigo?

É preciso readquirir a inocência das crianças
Quem são os nossos amigos? Quantos amigos nós temos? Amigos… amigos de verdade. Daqueles que a gente pode contar o maior dos pecados e ele será parceiro, companheiro. Pode até nos corrigir, mas não deixará de nos abraçar, de nos aceitar. Quantos amigos? Dá pra contar?

Pensava nisto após ler a declaração de Deborah Secco. Ao falar a um programa da GNT, a atriz resumiu os seus sentimentos:

Virei uma pessoa sem amigos.

Achei bonito da parte dela quando disse:

Hoje, eu estou fazendo amigos. Gente, quem quiser ser meu amigo, tenha paciência, sou uma pessoa que não sei ser amiga.

Sempre digo que somos carentes. Precisamos do outro. Não somos ilhas. Quem vive só, é infeliz. E os amigos são fundamentais na nossa vida. Entretanto, a gente vive um tempo em que não há espaço para amizades verdadeiras.

Primeiro, porque requer tempo. Segundo, porque não queremos nos comprometer.

Amizade pede tempo e envolvimento. Porém, tudo hoje é medido por um valor. Tem recompensa? É útil? Quanto ganho com isso? Amigo é amigo. Ponto. Não é troca. É como no relacionamento com a namorada, com o marido… A relação não deve ser estabelecida pelo benefício material que ela traz. Mas pelo prazer que proporciona ao coração.

Por isso, é tão difícil ter amigos. Estamos ocupados demais. Queremos estar perto das pessoas que podem nos garantir algum tipo de vantagem. Entretanto, quando o coração reclama um abraço, a quem recorremos?

Deborah Secco diz que hoje está à procura de amigos. E pede, inclusive, que aqueles que quiserem fazer parte de sua vida, que tenham paciência com ela. A atriz não sabe ser amiga.

Acho que não é só a Deborah que não sabe ser amiga. A maioria de nós não sabe. Não aprendemos a nos doar. Não aprendemos a tolerar. A ter disposição em servir, ajudar. Não queremos ouvir. Queremos falar, discursar… Mas não sabemos aceitar.

Se não quisermos passar pela vida sozinhos – ou rodeados apenas por amigos de ocasião -, temos de abrir mão de desse jeito interesseiro de ser e readquirir a inocência das crianças… Tornar simples o que é complexo e se dispor a simplesmente ser humano.

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