Disposição para amar, aceitar e perdoar

Quase sempre nos falta disposição para olhar para o outro com amor, para aceitar e perdoar

Vez ou outra alguém tenta falar comigo para perguntar qual o motivo de meus textos. A inspiração, digamos assim. Estaria sofrendo por amor? Meus relacionamentos teriam sido fracassados? Tenho um romance muitíssimo bem sucedido? Afinal, falo sobre tantas coisas… Se pra cada publicação existisse um fato, minha vida amorosa seria bastante intensa.

Quem está por aqui há mais tempo, sabe que já escrevi sobre este assunto. Meus textos não são um termômetro do meu humor. Cada um deles nasce de experiências pessoais, mas principalmente da observação, do estudo… e da disposição pra ouvir as pessoas. E sem preconceitos.

Justamente por isso aprendi e tenho aprendido. E talvez o que mais me toca a cada dia é notar que nada sei. Coisas que pra mim eram verdades até ontem, são colocadas em xeque hoje. E podem tornar-se só uma lenda amanhã.

Acho que não me assusto mais com nada. Nenhuma reação. Nenhum comportamento humano. A vida tem me feito entender que tudo pode ser bastante natural quando a gente aprende a olhar com os olhos do outro.

Nós, humanos, temos o hábito de acusar as pessoas. Julgá-las. E fazemos isso com base nas nossas crenças. Naquilo que a gente conhece. O problema é que não estamos na pele do outro. E, por isso, é fácil dizer: fulano não presta. Sicrano é um vagabundo. A menina ali é uma vadia.

As pessoas erram. Acontece que muitos de nós achamos que o erro nosso é sempre bobinho. O erro do outro é que é um problema. A minha falha é perdoável; a do outro, de jeito nenhum. Por isso, apontamos o dedo, criticamos… rejeitamos.

Algumas vezes, a vida dá voltas. E nos faz aprender a tolerar mais, a aceitar mais… Nos leva a sermos compreensivos. Noutras ocasiões, o universo nos coloca contra a parede e aquilo que antes acusávamos no outro acontece dentro de nossa casa, acontece com a gente. Nessas horas temos duas alternativas: afundarmos em nossa própria vergonha ou reconhecermos que não somos perfeitos e sempre pode existir uma justificativa para certas ações.

Dias atrás conversava com uma pessoa e ela tentava mostrar uma suposta bobagem que uma colega vinha cometendo. Ela argumentava e eu… questionava cada novo argumento. Por ser alguém especial pra mim, o papo terminou com uma brincadeira:

– Ei, não dá pra você simplesmente dizer: poxa, que absurdo!!! Como fulana pode fazer isso?

Rimos.

Teve um tempo que eu também rotulava. O cara tirou dinheiro do caixa da empresa? Ladrão! A mulher traiu o marido? Sem vergonha! A garota fez um aborto? Assassina! Hoje sei que entre o ato e o que ele aparenta ser, existem razões que sem nem a razão dá conta de explicar.

Sabe, penso que é isso que quase sempre nos falta: olhar para o outro com amor, com disposição para aceitar e perdoar. A gente tem que tentar, pelo menos tentar compreender. E se não consegue, a saída é silenciar. Não levar adiante, não espalhar, não disseminar a maldade… Quando olhamos as pessoas com atenção e carinho, observamos que mesmo os comportamentos mais condenados podem ter um motivo de ser.

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Na segunda, uma música

Tem dias que você acorda pensando numa música. É como se o cérebro estivesse programado para “tocar” uma canção. E a partir daquele instante essa melodia embala seus pensamentos, seu dia. Mas às vezes falta alguma coisa. Ou a “coisa” inteira. Quer dizer a letra, o nome do artista… Foi mais ou menos o que aconteceu comigo nesta segunda-feira. Lembrava do ritmo, da melodia. Mas quem cantava? E o nome da canção?

Porém, desde o Google, todos os nossos problemas acabaram. Só sofre quem não sabe usá-lo. O danado do buscador só não lê nossos pensamentos (eu acho, né?). Depois de pesquisar um pouco, encontrei… E compartilho.

Gosto demais da canção. E do ritmo envolvente de “O pôr do sol”. A música é de Maurício Manieri. Foi composta pra falar do filho dele, uma belíssima homenagem. Entretanto, também dá pra falar de um outro amor… aquele pela pessoa amada.

Você não sabe quanto tempo te esperei, meu pequeno talismã
O presente mais precioso que ganhei de Deus
[…]
Não há alguém que te queira mais que eu

Quando o sol se pôr, meu amor
Lembra que eu, sempre estarei com você

Vamos ouvir?