A liberdade no relacionamento


Nenhum relacionamento sobrevive sem liberdade. E não estou falando de liberdade pra fazer o que dá vontade – sair com todo mundo, viver em festas, beber… Afinal, relacionamento envolve compromisso. E também renúncia. Porém, falo aqui do sentimento de sentir-se livre para escolher o que fazer.

Por exemplo, que graça tem elogiar a mulher pelo jantar, se você só faz isso porque, se não fizer, ela vai ficar de bico o resto da semana? Que prazer existe em levar sempre um bombom pra ela, se sabe que, o dia em que esquecer, ela vai reclamar enquanto estiverem juntos?

Não é nada agradável fazer as coisas apenas pela expectativa que o outro deposita em nós. A pessoa se torna refém do outro. Da expectativa do outro. Passa a viver em função do que o outro deseja. Não tem liberdade para agir por si só. Sabe que, se deixar de fazer, terá problemas no relacionamento.

No relacionamento, deve haver espaço para dizer “não”. E o outro tem que saber lidar com isso. Não é fácil, mas é necessário.

Tem dias que você até gostaria de atender a pessoa amada, fazer o que sempre ela pede, mas não consegue. Talvez pela agenda – muitas tarefas, talvez porque não está num dia legal. Ou, porque simplesmente quer fazer outra coisa – algo seu e não dela.

Homens e mulheres vivem essa realidade diariamente. E como nunca é fácil manter o equilíbrio, alguém pode acabar sobrando… Apenas servindo o outro.

Ele quer ao jogo de futebol, mas ela quer que ele fique em casa e assistam um filme juntos. Porém, mesmo contrariada, acompanha o sujeito, porque sabe ele ficará nervoso. Ela quer ir na casa da mamãe. Ele tem calafrios só de saber que encontrará o cunhado chato. Mas tem medo de dizer “não” e enfrentar uma greve de sexo por duas semanas.

Liberdade também é isso: ter um relacionamento equilibrado a ponto de dizer “não” de vez em quando. (Ei… não significa dizer “não” pra tudo. Uma boa dose de sacrifício faz parte do romance).

Duas pessoas que se amam devem respeitar gostos e preferências. Precisam entender que possuem individualidade. Não significa que sejam egoístas e nunca cedam. Mas que façam isso de maneira negociada.

Sempre digo que é fundamental reparar no parceiro. Notar que ela está de blusa nova. Mexeu na cor do cabelo. Entretanto, isso não deve se tornar uma obrigação. Vez ou outra, “escapa”. E não deve ser motivo de briga. Gente madura compreende que nem todos os dias as coisas funcionam como se deseja.

Um relacionamento saudável é feito por pessoas que sabem que um “não” não é o fim do romance. Se incomoda, vale perguntar por quê – desde que com educação, gentileza. E, se esqueceu ou não notou, vale um comentário:

– Ah… estou usando um perfume novo. Você gostou?

Sem aquele tom chato de cobrança.

Sabe, um pouquinho de tolerância faz bem. E até de disposição para perceber que a outra pessoa não tem a obrigação de gostar de tudo que a gente gosta. Nem dá conta de estar 100% atento a tudo que acontece com a gente.

Perceber isso é importante para o relacionamento. É dar liberdade ao outro para dizer:

– Desculpe-me, amor, mas não gostei do seu penteado.

Sei que é um bocadinho frustrante quando você espera algo do outro e esse algo não acontece. Entretanto, temos que entender que o universo não gira em torno de nossos desejos.

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