Ser solteiro? Ter filhos? Escolha não se questiona, respeita-se

Quem disse que é preciso ter alguém pra ser feliz?

As pessoas estão cada vez mais independentes. E não é ruim que vivam assim. Todas têm seus projetos, seus planos. E nem sempre incluem casamento, filhos… compromissos.

Dias atrás, escrevi aqui que não dá pra priorizar amor e carreira. Ou uma coisa ou outra. Dá pra trabalhar e ser feliz no emprego. Porém, se o relacionamento for o mais importante, é preciso abrir mão de muita coisa – às vezes, até de uma promoção – para fazer o romance dar certo.

Entretanto, tem gente que tem outros planos. Prioriza os estudos, o trabalho… Ou, simplesmente, não encontra a pessoa certa.

Mas sabe o que é curioso? Em função de um modelo maluco que a sociedade criou, quem é diferente sofre pressão. É até é vítima de preconceito.

Descobri, por exemplo, que uma amiga está ficando quase maluca. Já não sabe mais o que fazer. Motivo? Ela é solteira. E passou dos 30.

Não, ela não está correndo atrás de um casamento. Nem está ansiosa por um namorado. A razão é outra: as pessoas vivem questionando… Querem saber quando ela vai arrumar alguém.

As pessoas comentam pelos cantos:

– Tá vendo fulana??? Ela não consegue ninguém. Já virou titia.

Peraí!!! Quem disse que ela precisa ter uma pessoa pra ser feliz? Qual a razão pra ela ter um parceiro?

Não entendo essas coisas. As pessoas são obrigadas a terem um relacionamento? Se não tem, são anormais?

Sem contar que existe um detalhe… Se a pessoa está solteira, mas nem é por uma escolha, digamos assim… ela já sofre internamente com a situação. Aí vem o amigo, cobra; vem outro, faz uma piadinha… Pronto! A autoestima, que já não é das melhores, simplesmente desaparece. Vai pro negativo.

É verdade que crescemos dentro de uma lógica cultural. Nascemos, crescemos… tornamo-nos adultos, casamos, temos filhos… Enfim. Entretanto, não existe nenhuma lei que obrigue as pessoas a serem assim, a viverem dessa maneira.

Se a pessoa quer ser solteira, seja solteira. Quer casar? Case. Simples assim. E ninguém tem nada a ver com isso.

Vale o mesmo para filhos. A mulher que não tem filhos é vista como se não pudesse se realizar sem tornar-se mãe. Há uma imposição, inclusive de outras mulheres, para que fique grávida.

Mas a situação não para por aí… Quando tem um só, o povo fala; se tem dois, pergunta por que não foi só; e se são três… “Que maluca!!! Três filhos??? Onde já se viu?”.

Liberdade. Todo mundo adora essa palavra, mas gosta dela pra defender-se, nunca para praticá-la na relação com o outro. As pessoas têm direito de viverem como bem entendem… Escolher é um direito. É o exercício da liberdade. A forma de viver das pessoas – solteira, com filhos ou sem eles, casada ou apenas morando juntos – não tem a ver com caráter; tem a ver com individualidade. E isso a gente não questiona, respeita.

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Em quem você confia?

O ser humano nunca foi plenamente confiável

Este talvez seja um dos nossos grandes dilemas. Em quem confiar? Pai? Mãe? Esposa? Amigo? O chefe?

Quem é digno de nossa confiança? Quem é capaz de guardar um segredo? Entre as pessoas próximas, existe alguém que não fala mal de você quando você não está por perto?

O ser humano nunca foi plenamente confiável. Tem natureza má. Dos animais, provavelmente seja o mais perigoso. É capaz de sorrir, apertar sua mão, abraçar – dividir a mesma casa com você – e ainda assim, quando vira as costas, diz inverdades, cria factóides, faz comentários maliciosos. Prefere dizer ao outro a confrontar diretamente, recomendar, orientar… quem sabe, corrigir.

Por inocência, imprudência ou sei lá o quê, por vezes, as pessoas deixam suas vidas nas mãos de outros. Confessam segredos, dividem fofocas e, no dia seguinte, frustram-se ao descobrir que o melhor amigo traiu sua confiança.

As relações humanas são mesmo confusas; complexas, diria. E, como tenho dito, não somos ilhas; precisamos do outro. No trabalho, dividimos tarefas. O sucesso se garante por um trabalho de equipe. Na faculdade, não é diferente. Na família, também. Carecemos de afeto e os amigos são fundamentais.

Porém, falar dos outros, contar as falhas alheias nos dá prazer. Por isso, é cada vez mais raro encontrar alguém digno de confiança. Entre os nossos são poucos os que ainda são capazes de silenciar, evitar falar de pessoas e apenas discutir ideias.

Não deveria ser assim. No entanto, entre os humanos são raros os que se apóiam, se protegem, que amam de verdade. De alguma maneira, mesmo vítimas do falatório alheio, não aprendemos e optamos por seguir a multidão – mesmo quando justificamos que “não fofocamos, apenas retratamos a verdade”.

A pergunta que não consigo responder diante desse nosso hábito é muito objetiva: a quem interessa?

Enquanto não encontramos explicações, seguimos vivendo… e sem segurança, pois onde está aquele em quem se pode confiar?