Na segunda, uma música

Acho que se tivesse que escolher um artista, grupo ou banda pra ter como trilha sonora para os melhores e piores momentos de minha vida, optaria pelo Roupa Nova. Cresci ouvindo muitos sucessos da banda. Eram os anos 1980 e o Roupa Nova esteja no auge. A qualidade vocal do grupo, as canções feitas na medida pra falar de amor emocionavam milhares de fãs.

Muitas músicas fizeram sucesso no rádio. E deram beleza às novelas, mais sentido a diversos personagens da televisão.

Por isso, é difícil escolher uma música. A lista de canções da banda é extensa. É fácil lembrar de uma música do Roupa Nova. Mesmo quem não é fã pode citar rapidinho uma canção do grupo.

Mas, hoje, quero compartilhar “Tímida“. Interpreta pelo baterista Serginho Herval, a música canta a beleza de uma mulher. E sua descoberta desse sentimento maior, o amor.

Gosto em especial desses trechos:

Sonho de mulher
se descobriu
Vive uma ilusão
que ainda não sentiu

O primeiro amor chegou
uma nova luz brilhou
Ela se encontrou
nesse sonho meu

[Ela] Se despiu da fantasia
me vestiu com sonho desse amor.

Pra quem ainda acredita que amar é algo mágico, cá está a música de hoje. Vamos ouvir?

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Eu faço o que quero?

liberdade
Você faz? Tudo, tudinho? Aquilo que dá vontade de fazer… você faz? Sente-se livre pra fazer? Ou faz escondido? Tem que pensar duas vezes? Tem que prestar contas depois?

O conceito de liberdade é muito amplo. Ao mesmo tempo, contraditório. Somos livres, mas não totalmente. Há regras, convenções. Nem tudo que queremos, fazemos (ninguém anda nu pelas ruas, ainda que tenha muita vontade de fazer isso). E outras vezes, para fazer, é preciso dar um “jeitinho”.

Viver em sociedade é abrir mão de ser você. As regras sociais afetam nossas escolhas. A gente pode não gostar, mas elas são fundamentais. Do contrário, teríamos um verdadeiro caos. Para que as coisas funcionem nem tudo é possível experimentar. Ou, se há vontade, vive-se, mas… às escondidas.

O sujeito sente vontade de tirar o dia de folga. Não pode. Porém, inventa um desculpa e garante as horas de lazer. Contudo, o coração fica a mil, porque sabe que burlou as regras. Se for visto, está enrolado. Pode até perder o emprego.

A garota está louca para sair sábado à noite com as amigas. Mas, se falar pra mãe, não terá autorização. Então, diz que vai dormir na casa de uma delas, cria um álibi, e faz o que estava com vontade. No entanto, proíbe todo mundo de postar fotos no Facebook. Se a mãe encontrar a foto, acaba a farsa.

Em ambas situações, os desejos foram realizados. Talvez até com certo prazer. Teve aquela adrenalina, o coração palpitando… E isso dá uma sensação gostosa. Porém, permanece o sentimento de “não podia”. Atropelam-se as regras, mas fica o medo da descoberta. O prazer é pela metade, pois sempre há o risco de a “conta” ser cobrada.

Por falar em medo, o medo de ser visto, descoberto… é o principal sintoma de que ninguém é plenamente livre. Vive-se por um sistema. Quem viola o sistema, é marginalizado. É excluído do grupo. E a gente não quer isso. Então, nem que seja necessário viver de aparências, faz-se o que for preciso para permanecer no círculo social.

Por isso, de alguma maneira, somos hipócritas – uns mais, outros menos, mas todos são. Escondemos os desejos, silenciamos ou os realizamos às escondidas. E, pior, também cobramos do outro os mesmos comportamentos. Afinal, quando chegamos por aqui, disseram pra nós que há um jeito de viver. É preciso encaixar-se.

Isso vai mudar? Óbvio que não. Talvez nem seja interessante que mude. Porém, a humanidade seguirá vivendo entre dois mundos – o que é passível de mostrar e o que carece esconder. E a frustração pelos desejos não realizados, parte da natureza do próprio homem.

Prisioneiros de si mesmos

triste sozinha

Cheguei há pouco de uma corrida na chuva. Caminhar, correr são coisas que gosto. Mas, na chuva, não diria que seja algo que faço rotineiramente. Entretanto, com a academia fechada nas férias, não dá pra descuidar. Então, por volta das 20h, coloquei short, camiseta, tênis e saí pro parque. Confesso que, apesar da água escorrendo no rosto e molhando toda a roupa, a sensação é agradável – sem contar que não há riscos de trombar com ninguém. Porém, sair de casa foi uma “briga”.

Enquanto corria, pensava… O que somos? Somos uma mente em movimento. Claro, tem corpo, alma… essas coisas todas – dependendo, claro, da posição religiosa de cada um. Mas tudo passa pela nossa mente. Ou, como prefiro, nossa consciência (pra quem gosta de teorias, falo de consciência na perspectiva de um autor russo chamado Bakhtin).

Por que falo da consciência? Dessa mente em movimento? Por uma razão bem simples: quando decidi correr na chuva, fiz isso por uma escolha. Uma escolha que nasceu e se realizou na minha mente. De verdade, a ideia não parecia a mais divertida. E acho que a maioria das pessoas pensa a mesma coisa. Afinal, não havia mais ninguém no parque. Camisa molhada, tênis molhada… Um friozinho… Nada parecia empolgante. Por que relutava ir? Qual o prejuízo? Apenas o desconforto do corpo. Minha mente não seria molhada. Apenas o corpo. Se minha mente ignorasse a chuva, achasse normal a gotas d´água caindo sobre a cabeça, não teria problema algum. Tudo passaria – e passou – pela maneira como eu encararia o cenário.

Sabe, de certa forma é bem isso: o corpo é apenas a “casa” de nossa mente. Nossa consciência é que comanda tudo. Não raras vezes, travamos diante da vida não porque não somos capazes, mas porque acreditamos ser incapazes. 

Este é um drama diário. Nosso corpo é motivado por desejos. Mas quem comando o corpo? Deveria ser nossa mente. Nem sempre é. Mas deveria. Não raras vezes nos tornamos reféns do corpo, dos desejos. Ou da ausência deles. E a mente fica presa a um corpo cheio de vícios. O sujeito sabe o que fazer, mas não consegue fazer. Onde está o problema? Na ausência de comando. A mente (a consciência) não consegue fazer o corpo responder. As atitudes não respondem à razão, apenas aos desejos.

Diante de um banquete, a pessoa perde o controle. Sabe que não pode exagerar, mas come mais do que deve. A pessoa está acima do peso, sabe da importância de exercitar-se, mas fica adiando. Nunca começa.

E o que dizer dos bloqueios emocionais? O sujeito está numa entrevista de emprego, sabe o que deve fazer, mas não consegue. Mal dá conta de abrir a boca. Depois sai dali lamentando-se e se achando a pior pessoa do mundo. O camarada conhece uma garota maravilhosa. Porém, não consegue sequer convidá-la pra jantar. Tem medo de ouvir um “não”.

Outras tantas pessoas olham pra si mesmas de maneira negativa. Olham para o espelho e se enxergam desprovidas de beleza, incapazes, derrotadas. O problema é físico? Não, não é. O corpo apenas sofre as consequências de uma mente. A sua consciência está deformada e o cérebro não comanda. Nada dá certo. E o problema está lá dentro… Na maneira como a própria pessoa se vê.

Tem saída? Sempre tem. Entretanto, é preciso acreditar em si mesmo. Transformar a mente em comandante do corpo. Uma consciência doente vai matando o corpo aos poucos… aniquilando os desejos, roubando a vida. Uma mente passiva, que se deixa dominar pelos desejos também causa dor, pois agride a razão. Nessa guerra, são vencedores aqueles que valorizam os desejos, mas sabem controlá-los por meio de sua consciência. São vencedores aqueles que conhecem a si mesmos, dominam as próprias vontades, superam as crises de auto-imagem e entendem que somos aquilo que pensamos ser.

Como disse certa vez o escritor alemão Goethe:

Não basta saber, é também preciso aplicar; não basta querer, é preciso também agir.

Na segunda, uma música

Existem várias canções de Natal.  Algumas delas são tradicionais. Conhecidas. Outras, embora não façam parte da lista das que todo mundo conhece, também encantam. E fazem bem ao coração. É o caso da música escolhida para esta segunda-feira. “Something About December”, de Christina Perri, é linda. Fala do clima de festas, mas principalmente das emoções que muitas famílias experimentam nesta época do ano.

O que mais me tocou quando vi a letra desta canção é que ela faz um convite para abandonar as preocupações, os sentimentos negativos e deixar levar pela beleza do Natal.

Deixe todas suas lembranças
Te abraçarem forte
Não importa onde você esteja
Você não está só
Porque aqueles que você ama
Nunca estão longe
Se o Natal estiver em seu coração

Ainda na semana passada publiquei aqui sobre as pessoas que não sentem o Natal em sua essência. Não curtem as festas, o momento… E torcem pra que tudo passe logo. Penso que esta música também é um convite para quem não se sente feliz nestes dias.

Portanto, vamos ouvir?

Nobres são aqueles que reconhecem que nada são

O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos
O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos

Não sou muito otimista quando penso no ser humano. Não, não estou dizendo que não há espaço para pessoas boas, de coração verdadeiro. Também não me coloco numa posição superior. De jeito nenhum. Pelo contrário, provavelmente me enquadro em muitas das críticas que faço ao “bicho homem”.

Uma das coisas que me incomodam é a necessidade de ser mais… De buscar os aplausos, o respeito (ainda que pelo status ou posição social).

Sabe, a necessidade de nos sentirmos alguém, por vezes, nos faz pequenos demais. Atropelamos os outros. E os “atropelados” também encontram suas vítimas. Quase ninguém é inocente.

Tenho visto em diferentes ambientes que o homem sempre que pode aproveita-se na posição em que está para se dizer diferente, colocar-se superior. Até mesmo supostos atos de humildade são utilizados para orgulhar-se de pedir desculpas a um subordinado, por exemplo.

Alguns, detentores de certos conhecimentos ou títulos, entendem ser donos da verdade. Transformam hipóteses em pressupostos inquestionáveis. Não permitem a dúvida. Mesmo quando questionam teorias, fazem isso como se fosse ignorância acreditar em alguns valores. Desprezam o senso comum. Outras vezes se promovem diante dos pares por supostamente dominarem as teses mais modernas, contemporâneas… O conhecimento atualizado. E fazem disso degraus para subirem acima dos demais.

O sorrisinho no canto da boca se revela diante da multidão. E ele expressa uma só coisa:

– Como são ignorantes.

Eu não tenho medo do conhecimento. Mas temo as pessoas que pensam detê-lo. Porque o mesmo conhecimento que liberta, por vezes aprisiona. Aprisiona aqueles que não são sábios. E que transformam o conhecimento em ferramenta para se sentirem nobres.

Em um de seus livros, Augusto Cury escreveu:

O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de enxergar sua pequenez.

Esse parece, no entanto, ser um desafio histórico. Na Idade Média, nobres eram aqueles que detinham títulos, terras, trabalhadores sob seu poder. Eram aqueles que diziam ter “sangue azul”. As regalias pareciam um privilégio dado pelo próprio Deus. E, como nobres, não enxergavam ser iguais aos pobres camponeses.

Hoje, não é diferente. Não há títulos de duque, conde, marquês, barão… príncipe. Mas há o dinheiro, o poder econômico e tudo o que ele representa – carros, casas, iates, aviões, empresas etc. Há também outras formas de títulos expressas por meio de graduações em faculdades famosas… Há mestrados, doutorados, publicações em livros, jornais.

E um monte de gente se apega a essas criações do próprio homem para se sentir maior e melhor. São pobres coitados, na verdade. São miseráveis enclausurados pela própria insegurança que se esconde em posições vazias, mas ainda valorizadas por uma sociedade doente. 

Para estes, e para todos nós, resta lembrar de uma única coisa:

A sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe (Augusto Cury).

Nada sabemos, nada somos. Nos tornamos alguma coisa apenas quando servimos ao outro, quando reconhecemos nossa pobreza, ignorância e fazemos da gentileza, da humildade, do afeto e do amor nossos diferenciais de vida. 

Vale tudo para agradar o outro?

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O que você faz por amor? É bonito perceber que, movido por esse sentimento, pessoas fazem coisas que não fariam noutras circunstâncias. É a superação do próprio eu num ato de doação, de entrega. Porém, vale tudo para agradar ao outro?

Relacionamento necessitam de parâmetros. E os valores individuais precisam ser respeitados. Por vezes, é necessário negociar determinados hábitos, mas valores não são apenas costumes… Fazem parte da essência do que é o indivíduo.

Dias atrás, por exemplo, ouvi a história de uma garota que estava sofrendo com o namorado. Ela era virgem e não queria sexo naquele momento. O rapaz a pressionava. Pedia a “primeira vez” como prova de amor. A moça não queria perdê-lo, mas também não se sentia pronta.

O quadro é típico. Duas pessoas que estão juntas, mas desejam coisas completamente diferentes. E têm visões opostas da vida.

No caso desses jovens a situação é bem simples: se o cara gosta mesmo da menina, vai respeitá-la. Quem não é capaz de respeitar um valor individual hoje, vai atropelar outros valores amanhã. Portanto, quem tem que dar prova de amor aqui é o sujeito; não a menina. As ações dele estão motivadas por um desejo; as dela, por algo em que acredita.

Não são os raros os casos em que valores são colocados em xeque por chantagens emocionais. E não apenas nas questões da cama. Às vezes, uma das partes é mais frágil e acaba cedendo. Mas não fica feliz com o que fez ou faz. A pessoa se deixa usar. É manipulada. Sofre com isso. E cada vez que atende ao outro, sente-se agredida. Torna-se refém. Perde a autoestima e passa a agir pelo outro, não por ela mesma.

– Se eu não fizer isso, ele vai me deixar.

Esta frase é típica. E revela o quanto as emoções da pessoa estão fragilizadas. Ela já não se ama. Perdeu o amor próprio. Sente-se como se dependesse do outro para ser alguém. Quem vive assim já não vive. Precisa redescobrir-se, libertar-se.

Sabe, não existem regras ou manuais para um relacionamento. No entanto, algumas coisas são fundamentais. A primeira delas é respeitar-se, amar-se. Se você não se respeita, não se ama, nunca será respeitado e amado pelo outro.

Tem gente que diz:

– Ah… mas ele vive fazendo isso comigo.

Desculpe-me, mas você só tem no relacionamento aquilo que permite ter. Os parâmetros do que recebe é você quem estabelece. Se não tiver isso claro, certamente terá problemas. E o que espera do seu relacionamento deve ter como referência o que é importante para você. O que deseja pra sua vida, com base naquilo que acredita. A referência não pode ser o envolvimento emocional muito menos a atração que sente pelo outro.

O que eu quero pra mim? Como desejo que o outro aja em relação a mim? Como espero que me trate?

Estas perguntas devem ter respostas claras, principalmente para você.

Depois disto, você será capaz de saber o que pode fazer pelo romance, até onde se sente à vontade pra ir pelo outro.

Lembre-se:

É você que determina aquilo que valoriza e, se defender seus valores, terá mais chance de encontrar alguém que valorize o mesmo que você (Cloud & Towsend).

Natal dos deprimidos

natal
Há um mundo desconhecido lá fora. Esconde-se atrás dos sons da música, do colorido das decorações, dos anúncios nas frentes das lojas… Esconde-se atrás da publicidade, das conversas animadas, dos risos altos… Esse mundo não é visto nos balcões, nas mesas dos restaurantes, nem no caixa do supermercado. Mas está lá. Perto de todos. Porém, falta tempo e disposição pra notar.

O Natal festivo não é festivo pra todos. Não apenas porque morreu alguém,  perdeu o emprego, ou a esposa foi embora. Simplesmente não há clima pra festa. Não há razão pra jingle bell.

Não é falta de religião, de fé… Apenas é assim: uma vida sem encanto por um momento que parece não fazer sentido.

Algumas milhares de pessoas sorriem, participam das comemorações, mas sofrem por dentro. Compram coisas, mas não o prazer de viver. O Natal pra elas não existe. Quer dizer, existe sim. Porém, não como expressão de felicidade. Existe como um tempo que precisa passar logo… Um mês no calendário que deprime, incomoda, faz sofrer, traz lembranças ruins.

Dezembro não é um mês legal pra muita gente. Tem gente que lembra do que não fez, recorda os dramas do ano, as promessas não cumpridas, os projetos não realizados… As perdas, separações, amigos que se foram… Sente falta da família. Ou de um amor de verdade.

As pessoas estão mais sensíveis. Nem todas, porém, por sentirem-se abraçadas, desejadas ou queridas. Atrás do Natal que embala o comércio, movimenta a indústria e enche o caixa das empresas, há o Natal dos deprimidos. Para estes, fevereiro é bem vindo… Quando as festas acabarem e o ano finalmente começar.

Escolher é perder

escolhas
E não escolher, também. Lembro de um ditado antigo que dizia:

– Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.

Nele, valia a tese: não tem saída. Pra onde for, há riscos. A vida é bem assim: por vezes, se impõe. Até parece injusta. Mas temos que escolher. Tomar uma decisão. Se decisões são difíceis por natureza, tornam-se ainda mais dolorosas porque geralmente significam abrir mão de alguma coisa.

Dias atrás conversava com uma pessoa que está sofrendo com o relacionamento. Está casada há 10 anos. Ama o parceiro. Entretanto, o casamento está por um fio. Depois de semanas tentando descobrir o que motivou o desgaste, chegou a uma conclusão: cometeu muitos erros. O maior deles: enganou-se. Achou que era possível levar pro relacionamento a mesma vida, os mesmos hábitos que tinha quando solteira. Esqueceu um princípio básico: a renúncia.

É… Não tem jeito. Quer casar? Perfeito. Mas tem que saber que algumas coisas vão mudar. Liberdades deixarão de existir. Decisões que se tomava sozinha passarão a ser divididas, compartilhadas. Novas atitudes serão requeridas.

Desculpem-me frustrá-los, mas não dá pra juntar as duas coisas: vida de solteiro com vida de casado. Nem mesmo vida de solteiro, com vida de quem tem um parceiro – que pode ser simplesmente um namorado/a.

A escolha de uma nova vida implica exatamente isto: experimentar e viver coisas novas; renunciar coisas “antigas”.

E talvez seja este um dos problemas dos relacionamentos. As pessoas querem coisas, mas não entendem que, para tê-las, terão de abandonar outras. Renunciar dói. Somos apegados a certos hábitos, comportamentos… e até mesmo a objetos. Queremos manter tudo.

Mas não é assim que funciona.

Vale até para aspectos mais simples. Emprego novo? Ok, mas tem que dar tchau para os colegas de trabalho, para o chefe, clientes… Roupas novas? Tem que abrir espaço no guarda-roupas… Talvez aquela blusinha que ganhou na mamãe há 10 anos vai ter que ir pro lixo.

O princípio básico de uma escolha é justamente este: tenho diante de mim duas ou mais opções. Optar por uma significa renunciar a outra – ou, as demais.

O problema é que muita gente não entende isso. Não admite perder. E pior… Tem quem escolhe agora, dá uma experimentadinha, se arrepende e quer pegar de volta o que deixou para trás. Às vezes, até dá certo. Porém, quando a gente escolhe tem que ter em mente que, ao se fazer uma opção, algo foi deixado, negado, rejeitado. Não dá para escolher e viver se lamentando pelo que perdeu. Isso não é viver. É sofrer constantemente pelo retorno ao vazio… ao nada.

Viver implica em saber viver. Quem escolhe, perde… Mas, se estiver bem resolvido com suas escolhas (mesmo que não tenham sido as melhores), segue em frente e acredita que também há beleza nos erros, pois nos permitem crescer.