Narcisismo e solidariedade zero

narcisismoNavegando por sites de notícias, encontrei uma informação curiosa: quanto mais músculos, menos disposição a pessoa tem para ajudar o próximo. A matéria está na Época Online e traz, inclusive, uma foto de Mahatma Gandhi. O líder indiano tinha 1m64 e apenas 46 quilos.

Bom, não vou discutir a reportagem. Na verdade, fiquei pensando: quem, hoje, tem disposição para ajudar? Sim, porque me parece que a questão é muito mais complexa. Falta empatia, afeto, amor. Não há um olhar pelo outro. Vale a máxima “cada um por si, Deus pra todos”.

É verdade que pessoas voltadas para o corpo, que cultuam a beleza física, têm um olhar mais egoísta. São menos desprendidas. Olham primeiro para si mesmas.

Entretanto, quem não faz isso?

Vivemos uma época em que não há comprometimento. O outro nos é interessante quando nos serve. A partir do momento que pede nossa ajuda, começa a incomodar. Falta interesse pelo outro.

Vivemos desapegados. Nos relacionamos, mas de maneira superficial. E o corpo passou a ser a instância última. É por ele, inclusive, que chamamos atenção. Para sermos notados, investimos na beleza física. Ou em roupas, maquiagem, adereços de todo tipo. E a máxima já não vale apenas para mulheres. Homens também vivem sob essa lógica cruel.

Não há indicação de que isso vai mudar. As pessoas se distanciam cada vez mais. E as novas tecnologias aprofundam essa realidade, pois criam a ilusão de proximidade quando, na verdade, intensificam a individualidade. Cada um vive mergulhado no seu próprio universo particular. Um universo criado sob medida para manter seus usuários protegidos das frustrações e confrontos que os relacionamentos exigem.

Cenário ruim. Futuro incerto.

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