A fama é para poucos

fama

Ser notado. Famoso. Ganhar aplausos. Se possível, ter dinheiro e poder. Vivemos sob a ditadura da aparência. Não importa se o carro é financiado em 80 vezes; importa exibi-lo. Não importa qual o custo da cirurgia e como será paga; importa ter peitões. É preciso atrair olhares. Chamar atenção. Passar pela vida e não ser visto, é como não viver.

Tem uma música do Bruno Mars, que ganhou versão em português na voz de Claudia Leitte, que resume bem demais essa ambição coletiva. Billionaire diz:

Eu quero muito ser bilionário
Comprar todas as coisas que eu nunca tive
Eu quero aparecer na capa da revista Forbes
Sorrindo ao lado da Oprah e da Rainha

Gosto também desse trecho:

Eu vou jogar basquete com o Presidente
[…]
E aí eu vou elogiá-lo pela etiqueta política que ele tem
Jogar alguns milhões pro ar só pela sensação de jogar
Mas manter as de cinco, as de vinte, as de dez e as
Mercedes completamente separadas
E sim eu vou estar numa outra categoria de imposto
Nós estamos em recessão, mas me deixe zoar disso

Na versão da Cláudia, a cultura brasileira é melhor retratada. E ela já começa assim:

Eu quero ser muito famosa
E ter o seu amor
Mas quero sentar no sofá do Jô
Eu quero casar com você
E estar na TV
Faturar milhões no BBB
Sempre que eu vou me deitar
Eu vejo o meu nome brilhar,
Mas sinto que se estou com você eu tenho paz
E o que eu vou fazer, se eu quero muito mais?

Alguns teóricos, ainda no início do século passado, apontavam que, por conta da mídia, as pessoas viveriam o constante desejo de ter seus 15 minutos de fama. Na verdade, ninguém quer apenas 15 minutos. Quer fama constante. Mas… contenta-se em se diferenciar dos demais mostrando a carinha nem que seja por 5 segundos numa reportagem sobre compras de Natal.

As redes sociais têm ajudado bastante nessa busca pelos minutinhos de fama. Como quer ser comentada, a pessoa faz de tudo um pouco. Projeta-se, mostra-se, exibe-se. Fotos são escolhidas, locais mais badalados são mostrados… Importa que alguém do outro lado comente, curta. Ou, inveje. O negócio é “abalar”.

As pessoas ambicionam carreiras profissionais que possam garantir status. E, nos ambientes de trabalho, é fundamental não ser mais um.

Nos relacionamentos, escolhe-se o cara que pode causar inveja nas amigas. Namora-se a mais gostosa, ainda que vazia de conteúdo.

É a vida pós-moderna em sua triste lógica. O ser não importa. Aparecer é a razão de existir.

Entretanto, ignora-se que a vida é efêmera, passageira. E o mesmo universo que reclama lugar apenas para os “famosos” é aquele que troca rapidamente seus personagens. E os aplausos… acabam. Por isso, vive-se uma eterna frustração.

Basta olhar a nossa volta. Não faltam exemplos. Quantos famosos de hoje eram famosos há 10 anos? Quantos famosos de 10 anos atrás ainda são famosos? O mundo das celebridades segue a mesma lógica da indústria: deseja-se a novidade.

Por vezes, fico pensando nos aparelhos tecnológicos. Consegue imaginar o tamanho da depressão coletiva deles, se tivessem vida e raciocínio? O celular mais desejado de dois anos atrás não passa de lata velha hoje.

Também é assim com a gente. Somos passageiros. Fama e riquezas, também. O Brasil, por exemplo, tem uma lista de ex-milionários. De famílias tradicionais, hoje, falidas. Por outro lado, uma outra lista de novos ricos. Não há garantias de que o holofote estará constantemente voltado para nós. Então, por que se sofre tanto numa busca por algo tão fugaz?

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2 comentários em “A fama é para poucos

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