Viver e amar o que se tem

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Há uma vida toda lá fora. Por vezes, agitada; por vezes, calma… Não importa. É uma vida que se modifica, se alterna entre grandes momentos e outros, quase insignificantes. O mundo é mágico, grande, maior que se pode apalpar. Dá vontade, é claro. A gente quer. Sonha. Afinal, o universo é mágico. Porém, não dá. Não dá para acessar tudo, ver tudo. Impossível.

Sabe, nossa alma reclama o universo. Deseja superar os limites. E isto não é ruim, pois nos move. Entretanto, na mesma medida que faz bem, pode ser o nosso mal. Nunca teremos tudo o que desejamos. Mas é difícil entender isso. Esta é a razão da constante insatisfação da maioria de nós. Não se vive o que tem; vive-se pelo que ainda não tem.

O pensador alemão Immanuel Kant certa vez disse:

Dê a um homem tudo o que ele deseja, e ele, apesar disso, naquele mesmo momento, sentirá que esse tudo não é tudo.

Sim, é assim que vivemos. Nossa experiência diária é de gostos e desgostos. Paixões e rejeições. O que hoje é o máximo, descarta-se amanhã. Perde a graça.

Não é raro encontrar gente que durante meses – até anos – deseja um carro. O carro dos sonhos. Um dia, um belo dia, compra. Nos primeiros dias, semanas, a relação é de completo apego. Os meses passam, um modelo novo é lançado, e o que era a “menina dos olhos”… deixa de ser.

Funciona assim também nos relacionamentos. As pessoas se empolgam num dia, acham o outro o máximo; dias depois, encontram defeitos. O amigo passa a ser chato, insuportável. O namorado torna-se um idiota e o bonitão em quem esbarrou na balada passa a ser o homem perfeito.

Quem está disposto a amar o que é seu? Valorizar de verdade? Escolher hoje e assumir a escolha amanhã – ainda que haja novidade no “mercado”?

É normal querer mais. Desejar algo melhor. Mas a gente não deve se tornar refém de si mesmo. Do contrário, vive-se eternamente insatisfeito. Frustrado. Infeliz. Viver é mais que isso… É sentir e amar o que se tem. É saber valorizar as conquistas de hoje e não descartá-las pela primeira novidade que apareça.

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Na segunda, uma música

Vez ou outra, tudo que mais desejamos é ouvir a voz do silêncio. Dialogar com o nada. Ouvir na escuridão apenas o eco da nossa própria voz, de nossas próprias angústias. Sonhos, fantasmas, desilusões, decepções, passado ou… passados deixam sementes em nossa mente. E no silêncio da noite encontra-se ou desencontra-se com a própria alma.

Talvez uma canção que possa servir de trilha sonora para esses momentos tristes é “The sounds of silence“, de Simon & Garfunkel. No Brasil, ela ganhou uma versão com a dupla Leandro e Leonardo. Entretanto, é mesmo a versão original, ainda de meados da década de 1960, que traz a essência desses sentimentos alimentados no silêncio.

“Tolos,” digo eu, “vocês não sabem
O silêncio é como um câncer que cresce
Ouçam as palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender”
Mas minhas palavras como silenciosas gotas de chuva caem
E ecoaram Nos poços do silêncio

Simon & Garfunkel formaram uma dupla de sonoridade incrível. Entretanto, o que suas vozes combinavam nos palcos, suas personalidades se esbarravam na vida cotidiana. Por isso, a dupla não resistiu muito tempo. De vez em quando, os cantores se reúnem e fazem grandes shows. Aqui, por exemplo, compartilho a canção apresentada num belo espetáculo realizado no Madison Square Garden, em Nova Iorque, em 2009.

Vamos ver e ouvir?